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O grande partido da direita

A imprensa é o mais sério e conseqüente partido da burguesia. Se a genial constatação feita por Antonio Gramsci tem validade universal, no Brasil ela assume contornos bem mais dramáticos e radicais, por uma razão muito simples nada há, no país, que limite a capacidade de ação dos donos da mídia. Basta o seguinte exemplo para demonstrá-lo, por efeito de contraste. Nos Estados Unidos, país sede do capitalismo, é proibida a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Isso significa que um mesmo empresário ou grupo não pode exercer, simultaneamente, em dada região, o controle de mais de um veículo. Em outros termos se um sujeito é dono da emissora de televisão, não pode, ao mesmo tempo, possuir outra de rádio e nem um jornal impresso naquele local. Imagine o que aconteceria se alguém propusesse lei semelhante no Brasil. Seria imediatamente tachado de “ditador”, “censor”, “comunista”. No Brasil, os coronéis da mídia imperam, e não toleram qualquer freio, qualquer restrição ao seu poder de mando – exatamente, e não por acaso, como os proprietários do latifúndio. – de José Arbex Júnior, da Revista Caros Amigos. Leia artigo completo em Reportagens.

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O grande partido da direita

A imprensa é o mais sério e conseqüente partido da burguesia. Se a genial constatação feita por Antonio Gramsci tem validade universal, no Brasil ela assume contornos bem mais dramáticos e radicais, por uma razão muito simples nada há, no país, que limite a capacidade de ação dos donos da mídia. Basta o seguinte exemplo para demonstrá-lo, por efeito de contraste. Nos Estados Unidos, país sede do capitalismo, é proibida a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Isso significa que um mesmo empresário ou grupo não pode exercer, simultaneamente, em dada região, o controle de mais de um veículo. Em outros termos se um sujeito é dono da emissora de televisão, não pode, ao mesmo tempo, possuir outra de rádio e nem um jornal impresso naquele local. Imagine o que aconteceria se alguém propusesse lei semelhante no Brasil. Seria imediatamente tachado de “ditador”, “censor”, “comunista”. No Brasil, os coronéis da mídia imperam, e não toleram qualquer freio, qualquer restrição ao seu poder de mando – exatamente, e não por acaso, como os proprietários do latifúndio. – de José Arbex Júnior, da Revista Caros Amigos. Leia artigo completo em Reportagens.

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O grande partido da direita

O grande partido da direita

Por José Arbex Júnior

A imprensa é o mais sério e conseqüente partido da burguesia. Se a genial constatação feita por Antonio Gramsci tem validade universal, no Brasil ela assume contornos bem mais dramáticos e radicais, por uma razão muito simples nada há, no país, que limite a capacidade de ação dos donos da mídia. Basta o seguinte exemplo para demonstrá-lo, por efeito de contraste. Nos Estados Unidos, país sede do capitalismo, é proibida a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Isso significa que um mesmo empresário ou grupo não pode exercer, simultaneamente, em dada região, o controle de mais de um veículo. Em outros termos se um sujeito é dono da emissora de televisão, não pode, ao mesmo tempo, possuir outra de rádio e nem um jornal impresso naquele local. Imagine o que aconteceria se alguém propusesse lei semelhante no Brasil. Seria imediatamente tachado de “ditador”, “censor”, “comunista”. No Brasil, os coronéis da mídia imperam, e não toleram qualquer freio, qualquer restrição ao seu poder de mando – exatamente, e não por acaso, como os proprietários do latifúndio.

O sistema de concessão do uso das ondas é simplesmente ridículo. Cada emissora pode explorar determinada freqüência por quinze anos, prazo automaticamente renovado, a menos que uma maioria absoluta (dois terços do Congresso Nacional) resolva cassar a permissão. Ora, não é necessário ser um gênio para saber que é praticamente impossível reunir um número tão grande de congressistas dispostos a desafiar o poder das emissoras, até porque um bom número deles é associado, direta ou indiretamente, às corporações da mídia. Valem, enfim, para a política de concessões as mesmas relações de trocas, favores, clientelismo e corrupção aplicados aos jogos políticos tradicionalmente praticados pelas elites em todos os setores da vida. Também vale a regra de repressão aos que desafiam o esquema a Polícia Federal é extremamente eficiente quando se trata de fechar as rádios comunitárias, a duras penas montadas por gente decente e honesta que vive nas periferias da economia.

Nada há de realmente estranho nisso, dada a estrutura de casa-grande e senzala que ainda caracteriza a formação social do país. Desde sempre na história brasileira, o jornalismo impresso destina-se aos pouquíssimos cidadãos capazes de ler um jornal e dele extrair algum sentido (no total, as vendas de jornais diários e revistas semanais mal atingem os 7 milhões de exemplares, para uma população de 180 milhões). As emissoras de televisão, principal meio de informação e entretenimento de uma população sem acesso a uma educação minimamente decente, manipulam com total desenvoltura o imaginário nacional. A Rede Globo, corporação emblemática da mídia brasileira, o veículo que mais completamente realizou a vocação do jornalismo desejado pelos patrões, foi criada mediante um acordo do empresário Roberto Marinho com a ditadura militar, em 1965, para ser o porta-voz oficioso do regime. As imagens da Globo construíram um Brasil imaginário que, por meio das antenas da Embratel, sedimentou, de norte a sul, uma certa forma de perceber o país. O Brasil passou a se enxergar por meio do espelho forjado por Roberto Marinho.

Garrastazu Médici, a pior face da ditadura, costumava dizer que ficava feliz ao assistir ao Jornal Nacional da Globo, pois, se no mundo inteiro havia “confusão” e “subversão”, no noticiário referente ao Brasil reinava a paz (faltou completar a dos cemitérios). Em 1970, enquanto os cárceres de Médici estavam abarrotados de presos políticos submetidos a torturas e assassinatos, a Globo transmitia grande festa do tricampeonato para todo o país, embalada pelo hino “90 milhões em ação”. Em outras inúmeras ocasiões posteriores, a Globo lançou mão de seu tremendo poder para interferir nos rumos da vida política nacional, como na famosa edição do debate entre os então candidatos à presidência do Brasil, Lula e Collor, em 1989, ou três anos depois, na produção da minissérie Anos Rebeldes, que estimulou o movimento dos cara-pintadas, pela deposição do mesmo Collor.

Não que a Globo seja pior ou mais maldosa do que os outros veículos patronais. Ela só é mais poderosa e competente. Os últimos meses oferecem caudalosos exemplos do antijornalismo praticado por todos os grandes meios de comunicação, com a suposta “cobertura” do escândalo do mensalão. Não houve uma cobertura propriamente dita, mas sim uma campanha sistemática de desmoralização da esquerda brasileira. Em total desobediência ao que dizem os seus próprios manuais de redação, os maiores jornais e revistas do país passaram a reverberar em manchetes quaisquer denúncias, mesmo sem provas, contra o governo Lula e o PT, feitas por qualquer um, mesmo por políticos de passado tão pouco recomendável, como o ex-deputado Roberto Jefferson. Não se trata, obviamente, de defender Lula e o PT, mas sim de constatar o óbvio. A mídia patronal orientou os trabalhos das comissões parlamentares formadas para investigar os supostos esquemas, “blindou” o próprio Lula e os ministros da área econômica, minimizou o impacto do envolvimento tucano (o “caso Azeredo”), tornou-se, em resumo, parte ativa do processo que deveria noticiar com isenção e objetividade.

Abundam quase ao infinito os exemplos diários de partidarismo, de total adesão da mídia patronal à ideologia neoliberal e ao que existe de mais podre, reacionário e atrasado no mundo do uso de certos termos meticulosamente escolhidos para desqualificar os inimigos (como “invasão” de terra promovida pela MST, ou o “terrorismo” praticado por resistentes no Iraque e na Palestina) à cumplicidade criminosa para com os aliados (enquanto Osama bin Laden é sempre caracterizado como fundamentalista terrorista islâmico, George Bush jamais é descrito como fundamentalista terrorista protestante, ou nem sequer como mentiroso, corrupto e fraudador de urnas). Racismo, preconceito, individualismo, cinismo o mundo diariamente construído e vendido pelos patrões é um festival permanente de horrores, projetado por profissionais em geral competentes que, em troca de trinta moedas ou por convicção ideológica – não importam os motivos –, usam rótulos e dados estatísticos para tornar o ser humano invisível.

Felizmente, a mídia dos patrões pode muito, mas não pode tudo. A Venezuela de Hugo Chávez oferece um magnífico exemplo disso. No dia 11 de abril de 2002, toda a mídia venezuelana – absolutamente toda, sem exceção – informava que Chávez havia renunciado. Menos de 72 horas depois, apesar de toda a desinformação, de todas as mentiras, de todas as fábulas e orquestrações midiáticas, o presidente voltava triunfante, saudado por uma multidão de mais de 1 milhão de pessoas concentradas nas principais vias de Caracas. O “segredo” está no fato de que o povo venezuelano estava organizado pela base, e assim pôde resistir. O caminho está apontado. Resta seguir.

José Arbex Jr. é jornalista, autor de Showrnalismo e O Jornalismo Canalha, Editora Casa Amarela.

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