por 13:07 Sem categoria

O DRAMA DO JAPÃO, VISTO DE LÁ

O blog recebeu da colega Rosa Bittencourt um relato emocionante, e esclarecedor, da jornalista Sonia Nakagawa, sobre a verdadeira situação da população japonesa, país que foi recentemente arrasado por terremotos e um tsunami.

Sonia revela com riqueza de detalhes do drama da população japonesa e joga por terra um pouco do sensacionalismo patrocinado pelas ditas grandes emissoras de televisão do Brasil.

A seguir a íntegra do relato de Sonia:

"Queridos colegas, tudo bem com vocês?

Para conseguir o endereço de vocês fui procurar um e-mail coletivo de 2 anos atrás que por sorte não havia sido deletado. Entro em contato  para colocá-los a par do que se passa no Japão neste momento, tendo em vista as notícias sensacionalistas e alarmistas que a imprensa brasileira vem divulgando. Como muitos de vocês trabalham ligados a meios de comunicação peço que não se deixem levar por “manchetes apocalípticas“. Por favor, informem os fatos sem a exploração do terror. Num momento como esse a última coisa de que precisamos é histeria coletiva.

O povo japonês está enfrentando tudo com muita calma e racionalidade. Por incrível que pareça, não há desordem social, pânico e saques.  O povo e o governo estão sabendo lidar com a tragédia. Se fosse em outro país com certeza os danos seriam bem maiores.

Leia a íntegra do relato de Sonia clicando AQUI

por 13:03 Sem categoria • Um Comentário

O DRAMA DO JAPÃO, VISTO DE LÁ

O DRAMA DO JAPÃO, VISTO DE LÁ

O blog recebeu da colega Rosa Bittencourt um relato emocionante, e esclarecedor, da jornalista Sonia Nakagawa, que reside no Japão recentemente devastado por terremotos e um tsunami recentemente.

Sonia revela com riqueza de detalhes do drama da população japonesa e joga por terra um pouco do sensacionalismo patrocinado pelas ditas grandes emissoras de televisão do Brasil.

A seguir a íntegra do relato de Sonia:

"Queridos colegas, tudo bem com vocês?

Para conseguir o endereço de vocês fui procurar um e-mail coletivo de 2 anos atrás que por sorte não havia sido deletado. Entro em contato  para colocá-los a par do que se passa no Japão neste momento, tendo em vista as notícias sensacionalistas e alarmistas que a imprensa brasileira vem divulgando. Como muitos de vocês trabalham ligados a meios de comunicação peço que não se deixem levar por “manchetes apocalípticas“. Por favor, informem os fatos sem a exploração do terror. Num momento como esse a última coisa de que precisamos é histeria coletiva.

O povo japonês está enfrentando tudo com muita calma e racionalidade. Por incrível que pareça, não há desordem social, pânico e saques.  O povo e o governo estão sabendo lidar com a tragédia. Se fosse em outro país com certeza os danos seriam bem maiores.

Sim, existe o perigo da radiação devido a problemas na usina nuclear de Fukushima, mas segundo os boletins oficiais os níveis são suportáveis e não devem ser comparados a Chernobyl. A Organização Mundial da Saúde também divulgou que não há indícios de radiação se espalhando pelo país.

Alimentos e combustível estão sendo enviados com prioridade para a região de Tohoku, a área afetada pelo tsunami. Por isso em Tóquio  alguns itens estão escassos nas prateleiras dos supermercados, como arroz, leite e pão, mas ainda há relativa abundância dos demais produtos. Por incrível que pareça, não há cobrança de preços abusivos. Muitos supermercados, inclusive, estão fazendo promoções com preços bem abaixo do normal para “confortar“ a freguesia neste momento de comoção pública.

As linhas de trem  de Tóquio estão operando em média com 70% da capacidade devido ao racionamento de energia elétrica, mas a vida já voltou ao normal nos escritórios e empresas. A maioria dos restaurantes e lojas funciona normalmente. Muitas escolas já encontravam-se em recesso de primavera  no momento do tremor, pois esta é uma época de formatura nas escolas japonesas.

Creio que o clima de histeria  seja maior entre os estrangeiros que vivem aqui. Nos aeroportos de Narita e Haneda, em Tóquio, há muitos estrangeiros em pânico esperando uma vaga na lista de espera dos vôos, mas como já disse, o povo japonês mantém a calma e o bom senso.

Provavelmente, aí no Brasil pessoas que têm familiares vivendo no Japão estejam preocupados e ansiosos por notícias. Isso é natural. Cabe a imprensa evitar o sensacionalismo e transmitir informações fiéis aos fatos. Pelo que se saiba o número de brasileiros residentes na região afetada pelo tsunami é pequeno.

Daqui a algumas semanas as cerejeiras estarão florescendo por aqui, mas a temperatura ainda está baixa. Na região de Tohoku está nevando. Para evitar o corte de energia elétrica nas áreas afetadas e o colapso na grande Tóquio, antes mesmo do governo anunciar o racionamento de energia, com os “apagões programados“, um movimento iniciado no twitter chamado “Operação Yashima“ fez com que a população voluntariamente começasse a economizar energia. O nome desse movimento é uma alusão ao animê Evangellion, uma ficção  onde os heróis concentram toda a energia elétrica do país  para poder derrubar o inimigo.

Um ano após a nossa formatura vim a Tóquio e aqui estou vivendo por quase duas décadas. Trabalho no serviço em português da emissora pública NHK-Rádio Japão e leciono português em duas universidades. O tremor do dia 11 foi o mais forte e o mais assustador que eu já presenciei. No grande terremoto de Kobe, em 1995, o tremor não foi sentido em Tóquio.

Mas desta vez, apesar da distância do epicentro, o tremor foi tão forte que cheguei a gritar de medo. No momento eu estava na emissora NHK para gravar um programa. Acabei passando a noite lá. Minha filha de 16 anos, que estava sozinha em casa, soube agir conforme o treinamento que recebe na escola: Imediatamente ela providenciou uma mochila com água, comida, lanterna e roupas quentes para poder fugir caso tivesse um novo tremor.

Não entrou em pânico e depois de ver pela televisão que o epicentro era longe de Tóquio, teve o bom senso de encher a banheira de agua (para se prevenir caso houvesse corte no abastecimento) e cozinhar arroz para fazer  “oniguiri“(bolinhos de arroz). Fiquei muito orgulhosa dessa minha filhota que passou a noite sozinha, embora conectada aos coleguinhas pelo twitter. Pude abraçá-la somente cerca de 20 horas depois, quando finalmente cheguei em casa. Meu marido estava em Gunma na ocasião e só retornou na noite do dia seguinte.

Moro na região oeste de Tóquio em um prédio de 10 andares, construído há 7 anos dentro dos padrões antiterremoto, e aqui em casa nada caiu das prateleiras. Os tremores são amortecidos por um sistema de molas nos alicerces da construção.

Os “prédios inteligentes“ são resistentes aos tremores, mas ainda não há nada que segure um tsunami. Vamos torcer para que nenhum outro tsunami volte a castigar o Japão.

Apesar dos tremores a vida continua. Gambarimashou (vamos à luta)!

Um forte abraço a todos. Espero encontrá-los na minha próxima visita ao Brasil.

Sonia Nakagawa
rainha.sonia@gmail.com

por 13:03 Sem categoria

O DRAMA DO JAPÃO, VISTO DE LÁ

O DRAMA DO JAPÃO, VISTO DE LÁ

O blog recebeu da colega Rosa Bittencourt um relato emocionante, e esclarecedor, da jornalista Sonia Nakagawa, que reside no Japão recentemente devastado por terremotos e um tsunami recentemente.

Sonia revela com riqueza de detalhes do drama da população japonesa e joga por terra um pouco do sensacionalismo patrocinado pelas ditas grandes emissoras de televisão do Brasil.

A seguir a íntegra do relato de Sonia:

"Queridos colegas, tudo bem com vocês?

Para conseguir o endereço de vocês fui procurar um e-mail coletivo de 2 anos atrás que por sorte não havia sido deletado. Entro em contato  para colocá-los a par do que se passa no Japão neste momento, tendo em vista as notícias sensacionalistas e alarmistas que a imprensa brasileira vem divulgando. Como muitos de vocês trabalham ligados a meios de comunicação peço que não se deixem levar por “manchetes apocalípticas“. Por favor, informem os fatos sem a exploração do terror. Num momento como esse a última coisa de que precisamos é histeria coletiva.

O povo japonês está enfrentando tudo com muita calma e racionalidade. Por incrível que pareça, não há desordem social, pânico e saques.  O povo e o governo estão sabendo lidar com a tragédia. Se fosse em outro país com certeza os danos seriam bem maiores.

Sim, existe o perigo da radiação devido a problemas na usina nuclear de Fukushima, mas segundo os boletins oficiais os níveis são suportáveis e não devem ser comparados a Chernobyl. A Organização Mundial da Saúde também divulgou que não há indícios de radiação se espalhando pelo país.

Alimentos e combustível estão sendo enviados com prioridade para a região de Tohoku, a área afetada pelo tsunami. Por isso em Tóquio  alguns itens estão escassos nas prateleiras dos supermercados, como arroz, leite e pão, mas ainda há relativa abundância dos demais produtos. Por incrível que pareça, não há cobrança de preços abusivos. Muitos supermercados, inclusive, estão fazendo promoções com preços bem abaixo do normal para “confortar“ a freguesia neste momento de comoção pública.

As linhas de trem  de Tóquio estão operando em média com 70% da capacidade devido ao racionamento de energia elétrica, mas a vida já voltou ao normal nos escritórios e empresas. A maioria dos restaurantes e lojas funciona normalmente. Muitas escolas já encontravam-se em recesso de primavera  no momento do tremor, pois esta é uma época de formatura nas escolas japonesas.

Creio que o clima de histeria  seja maior entre os estrangeiros que vivem aqui. Nos aeroportos de Narita e Haneda, em Tóquio, há muitos estrangeiros em pânico esperando uma vaga na lista de espera dos vôos, mas como já disse, o povo japonês mantém a calma e o bom senso.

Provavelmente, aí no Brasil pessoas que têm familiares vivendo no Japão estejam preocupados e ansiosos por notícias. Isso é natural. Cabe a imprensa evitar o sensacionalismo e transmitir informações fiéis aos fatos. Pelo que se saiba o número de brasileiros residentes na região afetada pelo tsunami é pequeno.

Daqui a algumas semanas as cerejeiras estarão florescendo por aqui, mas a temperatura ainda está baixa. Na região de Tohoku está nevando. Para evitar o corte de energia elétrica nas áreas afetadas e o colapso na grande Tóquio, antes mesmo do governo anunciar o racionamento de energia, com os “apagões programados“, um movimento iniciado no twitter chamado “Operação Yashima“ fez com que a população voluntariamente começasse a economizar energia. O nome desse movimento é uma alusão ao animê Evangellion, uma ficção  onde os heróis concentram toda a energia elétrica do país  para poder derrubar o inimigo.

Um ano após a nossa formatura vim a Tóquio e aqui estou vivendo por quase duas décadas. Trabalho no serviço em português da emissora pública NHK-Rádio Japão e leciono português em duas universidades. O tremor do dia 11 foi o mais forte e o mais assustador que eu já presenciei. No grande terremoto de Kobe, em 1995, o tremor não foi sentido em Tóquio.

Mas desta vez, apesar da distância do epicentro, o tremor foi tão forte que cheguei a gritar de medo. No momento eu estava na emissora NHK para gravar um programa. Acabei passando a noite lá. Minha filha de 16 anos, que estava sozinha em casa, soube agir conforme o treinamento que recebe na escola: Imediatamente ela providenciou uma mochila com água, comida, lanterna e roupas quentes para poder fugir caso tivesse um novo tremor.

Não entrou em pânico e depois de ver pela televisão que o epicentro era longe de Tóquio, teve o bom senso de encher a banheira de agua (para se prevenir caso houvesse corte no abastecimento) e cozinhar arroz para fazer  “oniguiri“(bolinhos de arroz). Fiquei muito orgulhosa dessa minha filhota que passou a noite sozinha, embora conectada aos coleguinhas pelo twitter. Pude abraçá-la somente cerca de 20 horas depois, quando finalmente cheguei em casa. Meu marido estava em Gunma na ocasião e só retornou na noite do dia seguinte.

Moro na região oeste de Tóquio em um prédio de 10 andares, construído há 7 anos dentro dos padrões antiterremoto, e aqui em casa nada caiu das prateleiras. Os tremores são amortecidos por um sistema de molas nos alicerces da construção.

Os “prédios inteligentes“ são resistentes aos tremores, mas ainda não há nada que segure um tsunami. Vamos torcer para que nenhum outro tsunami volte a castigar o Japão.

Apesar dos tremores a vida continua. Gambarimashou (vamos à luta)!

Um forte abraço a todos. Espero encontrá-los na minha próxima visita ao Brasil.

Sonia Nakagawa
rainha.sonia@gmail.com

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