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MIDIA CORPORATIVA

O papa visita o Brasil e em Manaus pede para ver de perto o encontro das águas do Rio Negro com o Solimões. Numa grande comitiva fluvial, no meio do turbilhão de águas dos dois rios que formam o gigante Amazonas, num descuido o pontífice supremo cai na água e começa a se afogar. Ninguém tem coragem de saltar e acudir, pois sabem que a morte é certa. É necessário que nada menos o Presidente da República, Lula em pessoa, se atire ao rio e, caminhando sobre as águas, resgate o Santo Padre carregando-o novamente para o barco. O maior milagre da história da humanidade filmado ao vivo por um batalhão de repórteres que cobriam simultaneamente o evento. No dia seguinte a esse ato heróico de nosso presidente a manchete na grande imprensa era: Lula não sabe nadar. – trecho do artigo de Luciano Rezende. Leia sua íntegra em Reportagens

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Mídia Corporativa

Mídia Corporativa

por Luciano Rezende

O papa visita o Brasil e em Manaus pede para ver de perto o encontro das águas do Rio Negro com o Solimões. Numa grande comitiva fluvial, no meio do turbilhão de águas dos dois rios que formam o gigante Amazonas, num descuido o pontífice supremo cai na água e começa a se afogar. Ninguém tem coragem de saltar e acudir, pois sabem que a morte é certa. É necessário que nada menos o Presidente da República, Lula em pessoa, se atire ao rio e, caminhando sobre as águas, resgate o Santo Padre carregando-o novamente para o barco. O maior milagre da história da humanidade filmado ao vivo por um batalhão de repórteres que cobriam simultaneamente o evento. No dia seguinte a esse ato heróico de nosso presidente a manchete na grande imprensa era: Lula não sabe nadar.

A anedota popular reflete bem o caráter da imprensa no Brasil. Uma mídia multifacetada que se expressa de várias formas, mas que mesmo usando um vasto repertório de acusações contra o governo Lula e a base aliada, começa a se desmoralizar frente a milhões de brasileiros que cada vez mais se dão conta de seu caráter golpista e da dimensão das manipulações com uma crise atrás da outra.

Na mais recente crise forjada, agora contra os cartões corporativos, entra em cena a Mídia Corporativa. Ela, por meio de uma equipe jornalística adestrada para fuçar e encontrar qualquer coisa que possa ser utilizada contra o governo Lula, cada vez mais mostra seu caráter de classe na defesa de seus interesses. Mas costuma o tiro sair pela culatra. Após derrubarem uma ministra, descobre-se que o governo tucano de São Paulo gasta 40% a mais que a União, sequer divulga os extratos como faz o governo federal e disponibiliza um número de cartões quase quatro vezes maior: 42.488 contra 11.519. A princípio nada contra esses gastos em São Paulo (mesmo sendo maiores e ficando restrito ao Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária), pois é um mecanismo adotado por governos no mundo todo. Mas terá o PSDB o mesmo empenho para cobrar uma CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo como faz no Congresso Nacional (pau que dá em Chico…)? Serão divulgadas todas as despesas dos funcionários do Estado de São Paulo para que essa mesma mídia possa vasculhar tudo e cobrar a cabeça de algum membro do governo tucano? Na cobertura dos fatos a mídia usará dois pesos…? Esperemos sentados.

Para essa Mídia Corporativa, a corrupção é invenção do governo Lula. Trata-se uma praga petista (por extensão, de toda a esquerda), a-histórica e inerente a governos populistas como o de Lula, Evo, Kirchner, Chávez, Ortega…

É a banalização até mesmo de um fenômeno que sequer é invenção do capitalismo ou tampouco restrito a ele. Mesmo muito antes da existência da burguesia enquanto classe, e obviamente até em governos socialistas, ela vigora. Seu combate é bandeira histórica das classes oprimidas e que somente em governos mais democráticos e populares é possível enfrentá-la de maneira mais eficaz.

Convidemos a Mídia Corporativa a divulgar o histórico de cada partido e de cada governo pelo mundo afora e veremos quem é quem nessa contenda. Como é tratada a corrupção pelo Partido Comunista do Brasil e pelo governo Lula em relação aos partidos de direita e governos anteriores? A apropriação pelas elites de uma luta que pertence aos trabalhadores de todo o mundo deve ser desmascarada como a mais demagógica e panfletária arma de manipulação da verdade.

Ao atacar impiedosamente o governo Lula cria-se um sentimento em camadas da sociedade de repúdio à política e certo niilismo, o que favorece a direita que joga sempre na despolitização. É como se a sociedade fosse apartada da política que cada vez mais aparece associada à bandalheira.

Mas talvez o maior prejuízo no presente momento seja a obscurantização de uma pauta positiva levada a cabo pelo governo federal que, eclipsada pelas crises seqüenciais criadas pela oposição e difundidas pela Mídia Corporativa, dá lugar às picuinhas e baixarias em detrimento dos grandes projetos e da discussão dos temas relevantes.

Luciano Rezende, Engenheiro Agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Da Direção Nacional da UJS.

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