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ARTIGO DO DEPUTADO ROMANELLI: O EXEMPLO E LEGADO DA DRA. ZILDA ARNS

Dra. Zilda Arns fez parte da frente antitabagista, ligou, conversou, esteve nos gabinetes dos deputados e nas comissões que debateram o projeto de lei. Para ela, a lei aprovada foi "uma ação para preservar a vida e que sociedade paranaense avançou com coragem e consciência". A lei paranaense serviu de exemplo e a doutora Zilda Arns escreveu várias cartas e enviou cópias das leis aos legislativos estaduais e municipais do Brasil.  LEIA O ARTIGO NA INTEGRA AQUI

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ARTIGO DO DEPUTADO ROMANELLI: O EXEMPLO E LEGADO DA DRA. ZILDA ARNS

O EXEMPLO E LEGADO DA DRA. ZILDA ARNS

Ainda consternado pela perda, não podia deixar de registrar neste espaço semanal na Gazeta do Paraná, o exemplo e o legado deixado pela Dra. Zilda Arns. O Paraná e o Brasil perderam sua maior referência de solidariedade, mas fica o trabalho mundialmente reconhecido na proteção e cuidados com as crianças, mães e famílias mais pobres. O exemplo e o legado não se perdem, se tornam um bastião de vida.

A ação da Dra. Zilda não se restringiu ao trabalho com a Pastoral da Criança. Ainda no ano passado, mantive um contato direto com ela em função da discussão e aprovação da lei antifumo no Paraná. Posso dizer, com certeza, que a sua participação foi fundamental para aprovar a lei que livrou os ambientes fechados dos malefícios do tabaco.

Dra. Zilda Arns fez parte da frente antitabagista, ligou, conversou, esteve nos gabinetes dos deputados e nas comissões que debateram o projeto de lei. Para ela, a lei aprovada foi "uma ação para preservar a vida e que sociedade paranaense avançou com coragem e consciência". A lei paranaense serviu de exemplo e a doutora Zilda Arns escreveu várias cartas e enviou cópias das leis aos legislativos estaduais e municipais do Brasil.

Nesse turbilhão de emoções que tomou conta do nosso cotidiano com a espetacularização das tragédias – enchentes, terremotos, violência, acidentes -, Dra. Zilda Arns fez uma revolução quase silenciosa. E morreu – como diria uma das coordenadoras da pastoral – em combate, chamando atenção do mundo para as precárias condições de vida e de miséria nas quais vive a maioria dos haitianos, assim como a maior parte da população do continente africano em tempos de Copa do Mundo.

Dra. Zilda – como todos sabem – fez sua última caminhada no Haiti e na sua última palestra expôs o histórico de lutas da Pastoral da Criança. E, também de forma, lúcida e clara, ressaltou que "a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, a promoção da justiça social, o acesso à saúde e à educação de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica entre as nações para a preservação e restauração do meio ambiente".

Além de postar a íntegra da palestra no meu site – www.luizromanelli.com.br -, assim que a Assembleia Legislativa voltar ao trabalho das sessões, a partir de 1º de fevereiro, vou propor o seu registro no legislativo. A palestra da Dra. Zilda Arns é um documento que merece ser transformada em cartilha, livro ou outro tipo de registro de fácil acesso à estudantes, professores e pessoas – que assim como ela – querem a transformação do mundo para algo melhor.

A palestra nos diz que a semente plantada na cidade paranaense de Florestópolis em 1982 se converteu numa rede social, com 260 mil voluntários, presente em 42 mil comunidades pobres, atendendo 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres grávidas de 1.553.717 famílias. Tudo isso ao custo de US$ 1,00 mês por criança.

Com medidas simples de combate à desnutrição, a Pastoral da Criança conseguiu seu êxito no Brasil – de mais de 50% de desnutridos em 1982, hoje está em 3,1% – e se estendeu a 20 países: Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Peru, Venezuela, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Haiti, Honduras, Costa Rica e México; na África: Angola, Guiné-Bissau, Guiné Conakry e Moçambique e na Ásia: Filipinas e Timor Leste.

Dra Zilda Arns nos ensinou que esse tipo de trabalho mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. "Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los", nos disse Zilda Arns na sua palestra.

Esses são legado e exemplo para todos. E como disse Frei Betto, em artigo belíssimo, Zilda Arns nos deixa de herança, o exemplo de que é possível mudar o perfil de uma sociedade com ações comunitárias, voluntárias, da sociedade civil, ainda que o poder público e a iniciativa privada permaneçam indiferentes ou adotem simulacros de responsabilidade social.

Luiz Claudio Romanelli, 50, advogado, especialista em gestão urbana, deputado, vice-presidente do PMDB do Paraná e líder do Governo na Assembleia Legislativa – www.luizromanelli.com.br – romaneli@uol.com.br.

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