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Volume do rio Paraná aumentou 60% em 50 anos, segundo estudo

Volume do rio Paraná aumentou 60% em 50 anos, segundo estudo

O fluxo de água no rio ParanáComentar aumentou 60% nos últimos 50 anos. É o maior crescimento de volume de um rio em todo o mundo. A conclusão é de uma pesquisa coordenada pelo cientista chinês Aiguo Daí, em parceria com especialistas do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (sigla NCAR, em inglês), situado no estado do Colorado, nos Estados Unidos, e é considerada a mais completa e extensa sobre a situação de 925 rios do planeta. Foi publicada no Journal of Climate, da Sociedade Meteorológica Americana.

O rio Paraná nasce entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, na confluência de dois importantes rios brasileiros, o Grande e o Paranaíba, e deságua no rio da Prata, em território da Argentina. A sua vazão na foz é de 16 mil metros cúbicos por segundo. Em seu percurso banha o estado do Paraná, numa extensão total de 3.998 quilômetros, e seria o nono rio mais extenso do mundo, se fosse contado o trecho do rio Paranaíba. Demarca a fronteira entre o Brasil e o Paraguai numa extensão de 190 quilômetros até a foz do rio Iguaçu.

A pesquisa coordenada por Aiguo Daí, um dos cientistas mais conceituados do mundo, analisou dados coletados entre os anos de 1948 e 2004 e concluiu que rios de algumas das regiões mais populosas do planeta estão perdendo água, o oposto do que está ocorrendo com o rio Paraná. É o caso da bacia do rio São Francisco, que apresentou o maior declínio no fluxo de águas, de 35%, entre os principais rios que correm em território brasileiro durante o período analisado.

No mesmo período, o volume das águas na bacia do rio Amazonas diminuiu 3,1%, enquanto as bacias de outros rios brasileiros apresentaram uma elevação na vazão, como aconteceu com a bacia do Tocantins, que registrou um acréscimo de 1,2% em sua vazão. Essa variação está relacionada principalmente com mudanças na quantidade de chuvas nas regiões das bacias, segundo Aiguo Daí.

Embora vários fatores possam contribuir para esse fenômeno, Aiguo Daí privilegia o descontrole do clima causado pelo aquecimento global. “A modificação dos regimes de evaporação e de precipitações está na origem dessas perturbações”, afirma. E acrescenta que algumas das mudanças na temperatura e nas precipitações estão relacionadas com as alterações nas atividades do El Niño, mas não todas elas.

Essa mudança no ciclo da água teria efeitos diferentes conforme as regiões. Assim, uma queda significativa do fluxo pode ocasionar a falta de água doce para as populações que vivem em zonas áridas, como ocorre no Nordeste brasileiro. Em contrapartida, os rios alimentados por aumento de precipitações e derretimento de geleiras podem causar inundações graves.

De acordo com o mesmo estudo, 64 dos 200 maiores rios do planeta viram seu volume cair significativamente entre 1948 e 2004. O Ganges, na Índia, é o rio que teve a maior redução no seu fluxo, de 19%. Outros rios que apresentam grande diminuição em seu volume de águas são o Congo, na África, o Iangzi Jiang, o Xi Jiang e o Mekong, na China, o Amour, na Rússia, o Colúmbia, nos Estados Unidos, o Irravadi, na Birmânia, e o Mackenzie, no Canadá.

Globalmente, o fluxo dos rios de baixas latitudes diminui, como o do Amazonas e do Ganges. A tendência se inverte quando os rios se afastam do Equador, como ocorre com o Mississípi, nos Estados Unidos, e o São Lourenço, no Canadá. Essas variações afetam também os oceanos. Assim, a quantidade anual de água doce caiu 3% no oceano Índico e 10% no oceano Ártico.

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