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Universidades estaduais do Paraná gastam sem dó

4 de novembro de 2019
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Ao assumir o comando da Unioeste para um mandato de quatro anos, em janeiro próximo, Alexandre Webber, reitor eleito com mais de 50% dos votos válidos mesmo enfrentando dois concorrentes, herdará de seu antecessor Paulo Sérgio Wolff, o Cascá, uma universidade com problemas tão gigantescos quanto o seu orçamento, que é de quase R$ 3 bilhões para o período.

O empreguismo, que já era questionado no passado, se agigantou sobremaneira nas duas gestões do atual reitor, marcadas pela criação de mais de 600 cargos de confiança e de outros benefícios irregulares levantados pelo Tribunal de Contas e não fantasiados pela imprensa, ao contrário do que alguns ousam afirmar.

Mas isto não é uma exclusividade da Unioeste. Graves irregularidades na gestão de todas as universidades estaduais paranaenses apontadas em uma auditoria do TCE-PR divulgada ainda em julho de 2018 colocaram em xeque a autonomia administrativa dessas instituições, que em 2017 (não por acaso) fizeram de tudo para não aderir ao sistema Meta4, criado para dar total transparência aos gastos de todos os órgãos públicos do Estado.

Os desembargadores encarregados da auditoria se surpreenderam principalmente com o gigantismo da folha salarial das sete universidades estaduais, que em 2016 já consumia 85% de todos os recursos repassados a elas pelo Estado. Contendo 25 recomendações de providências, o relatório foi encaminhado a todas as universidades auditadas, mas, passado um ano e meio, nenhuma informou se tomou medidas para sanear as falhas apontadas.

Pesquisa privada

Diante da falta de providências para os problemas apontados, a Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná) contratou uma empresa privada para”Análise da qualidade e custos das IES públicas do Estado do Paraná”. O levantamento traçou um comparativo com universidades privadas de perfil semelhante, ficou pronto ainda em abril deste ano e teria demovido o governador Ratinho Junior da ideia de ceder a novas pressões dos insaciáveis reitores por uma camaradagem ainda maior no que se refere ao volume de recursos repassados pelo Estado às universidades.

Tornado público só nesta semana, sete meses mais tarde, o estudo foi desenvolvido pela Hoper Educação, uma empresa de consultoria especializada na área e com um histórico de serviços prestados a 1.400 instituições de ensino superior do Brasil e do exterior ao longo de 20 anos, e mostra com incontestável riqueza de detalhes que as universidades estaduais gastam o dinheiro do contribuinte sem dó nem piedade e estão distantes de entregar à sociedade paranaense aquilo que diz a propaganda oficial.

Ao final da pesquisa, estratificada em nada menos que 92 páginas e que o Alerta Paraná pode disponibilizar na íntegra aos leitores que tiverem interesse em fazer uma análise mais detalhada, chamam especial atenção oito de um total de 13 conclusões apresentadas e que estão transcritas a seguir:

3 – Na rede pública o número de alunos matriculados, atendidos pelas IES, é a METADE do número de alunos atendidos na rede privada.

4 – Na rede pública o número de alunos matriculados, atendidos por campus, é 04 vezes menor que o número de alunos atendidos na rede privada.

5 – Na rede pública 1 docente atende 9 alunos e na privada, atende 17.

6 – Na rede pública 1 técnico administrativo atende 7 alunos e na privada, atende 15.

9 – O valor destinado por aluno da graduação em 2017 na rede pública foi 67% SUPERIOR ao valor pago por aluno na rede privada.

10 – A rede pública compromete da folha com pessoal (docente+técnico administrativo) 43% a mais que a rede privada.

11 – Um professor na rede pública possui praticamente o mesmo custo da rede privada, mas atende METADE do número de alunos.

12 – Um técnico administrativo na rede pública possui um custo mensal 30% SUPERIOR ao mesmo técnico administrativo na rede privada e ATENDE METADE do número de alunos.

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