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Tenho orgulho de ser líder de um governo de esquerda, diz Romanelli

Tenho orgulho de ser líder de um governo de esquerda, diz Romanelli

O deputado estadual Luiz Claudio Romanelli, em entrevista a Gazeta do Povo desta segunda-feira (14), “disse que é uma honra. Tenho muito orgulho de ser líder de um governo de esquerda. Acredito nesse governo e nas idéias de Requião. Elas, fundamentalmente, vão ao encontro de ações sociais e contra o neoliberalismo, por exemplo. Estou ao lado do governador Requião há 27 anos”.

Na entrevista ao repórter Caio Castro Lima – sob “Romanelli sonha suceder o governador Requião” – o líder do Governo pontua ainda que a vida toda se preparou ao enfrentamento que está tendo agora com os deputados da oposição. Leia a seguir a íntegra da entrevista.

Estar no principal palco de debates políticos do estado, a Assembléia Legislativa, como um dos atores mais importantes do espetáculo não é tarefa fácil. Ainda mais quando se é liderado por um diretor de cena polêmico como Roberto Requião (PMDB). O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), líder do governo no Legislativo estadual, vive esse papel e tem se mostrado um protagonista de primeira linha. “A vida toda me preparei para exercer função na qual se fica exposto ao enfrentamento”.

Em entrevista para a Gazeta do Povo, o líder do governo na Assembléia diz que não esperava encontrar colegas de cena que fossem lhe dar tanto trabalho. Nem que os textos fossem repassados pelo diretor com tantas surpresas. Tais fatos, de acordo com o próprio parlamentar, têm feito com que o pouco cabelo que lhe resta esteja ficando branco rapidamente. “Mas aceitei a função porque acredito no governo Requião e em suas idéias”, diz o peemedebista, que sonha chegar à direção, ou seja, suceder ao atual governador em 2010.

No mandato anterior de Requião, de 2003 a 2006, Romanelli foi o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), o que lhe abriu as portas para ser eleito deputado estadual. Em 2002, tentou uma vaga no parlamento, mas não foi eleito. O atual líder do governo formou-se recentemente bacharel em Direito, o que, segundo ele, foi uma forma de se preparar para a missão.

Romanelli é o quarto líder do governo Requião desde 2003. Antes dele, lideraram os governistas no Legislativo do estado os petistas Ângelo Vanhoni e Natálio Stica e o peemedebista Dobrandino da Silva.

O senhor vê muita dificuldade em ser líder do governo Roberto Requião?
A vida toda me preparei para exercer função na qual se fica exposto ao enfrentamento. Por isso, os problemas existem, mas eu não tenho dificuldades em enfrentá-los. Agora, confesso que não esperava embates tão acirrados e tantos conflitos logo no início da legislatura.

Por que o senhor acha que os debates começaram tão fortes?
Porque temos uma oposição articulada, motivada e experiente. E tem sido muito dura. Parece que os oposicionistas estão querendo um terceiro turno das eleições de 2006.

Mas o que tem motivado a oposição a agir assim? Não seriam os supostos “escândalos” existentes nesta administração estadual?
São vários os fatores. Primeiro, há muitos problemas pontuais na base governista que enfraquece nosso time, por conta de descontentamentos. Os deputados querem participar mais das posições e decisões de políticas públicas do governo. E há ainda uma luta por indicação de representantes dos parlamentares em cargos do governo nas regiões do estado. Além da fase de acomodação parlamentar na Casa e a definição de lados. Há deputados que contávamos que seriam governistas e estão tendo uma postura estranha. Outra situação é a de jamais termos vivido, no Paraná, um período de imprensa tão livre. E, lógico, a postura do Requião, firme em radicalizar, criando antagonismos que causam ruídos muito fortes.

Pode citar exemplos de deputados que ‘decepcionaram’?
O Jocelito Canto (PTB). Tínhamos a certeza de que ele ficaria do nosso lado. Mas tem sido um dos mais radicais críticos do governo e sempre motivado pela emoção. A Rosane Ferreira (PV) é outro exemplo. Esperávamos que ela tivesse uma postura de apoio ao governo e ele ficou no grupo dos independentes.

O senhor não acha que as brigas do governador com a imprensa, os “escândalos” da Sanepar/Pavibrás, a disputa do secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, contra o Ministério Público, aditivos em contratos da Secretaria de Obras Públicas, divisão de verba na Secretaria do Trabalho, desvios na Ceasa, placas oficial trocadas por particulares no Detran, o sorteio de ônibus para deputados e discrepâncias nos gastos com Comunicação Social em 2006, por exemplo, não teriam sido fatores que deram “munição” para a oposição?
Muita coisa aí é factóide. O caso do sorteio do ônibus, por exemplo, foi um factóide. Criado pelo governo, é verdade. Mas um factóide. O caso do Delazari, é pessoal. Na Comunicação não houve nada demais. Foi feito como sempre foi, iguais aos outros governos. A Sanepar, o ex-procurador-geral do Paraná e ex-presidente do Conselho Administrativo da empresa, Sérgio Botto de Lacerda, vai explicar tudo isso. Foi ele quem conduziu o processo dos aditivos com a Pavibrás. Conduziu no bom sentido, do interesse público. Na Ceasa e na Secretaria do Trabalho há inquéritos policiais em andamento. No caso do Detran, o carro com placa reservada não era para uso pessoal do diretor David Pancotti. E na Secretaria de Obras, ficou provado que não havia indústria de aditivos.

É muito difícil ter como “chefe” um governador polêmico como Roberto Requião?
Não é meu chefe. Sou um liderado do Requião. Agora, é bem verdade que o pouco cabelo que tenho já está ficando rapidamente branco. Cada sessão na Assembléia tem sido uma surpresa. Não tinha visto um período tão duro na Casa de Leis.

Está valendo a pena ser líder do governo?
É uma honra. Tenho muito orgulho de ser líder de um governo de esquerda. Acredito nesse governo e nas idéias de Requião. Elas, fundamentalmente, vão ao encontro de ações sociais e contra o neoliberalismo, por exemplo. Estou ao lado do governador Requião há 27 anos.

Quem faz o relacionamento entre o Executivo e o Legislativo é a Casa Civil. Há rumores de que Rafael Iatauro estaria para deixar o governo. Há verdade nisso?
Não. O Iatauro fica no governo. Ele tem sido muito firme nesta gestão e tem uma enorme experiência na administração pública.

Atualmente, o PMDB tem apenas o PT e o PC do B como partidos aliados. Isso é satisfatório para um partido que está no poder?
Acho que o partido deve ampliar o leque de alianças para as eleições para prefeituras no ano que vem. Atualmente, os peemedebistas estão coligados apenas ao PT e ao PC do B. Só que os petistas terão candidato próprio, por exemplo, a prefeito de Curitiba. Defendo que o PMDB também o tenha. Mas espero que a aliança seja mantida, pois é forte e muito válida.

O senhor acredita que Roberto Requião faz seu sucessor em 2010?
Vamos fazer o sucessor. Faremos uma bela administração.

Quem seria o candidato à sucessão do governador?
Eu (risadas). Tenho este sonho, como todo político. Preciso de um pouco mais de maturidade. Mas acho que a liderança do governo pode me dar isso. Não estou me lançando candidato em 2010, pois o PMDB tem muito bons nomes. Mas eu posso estar entre eles.

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