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Sistema de contrapartidas nas eleições de 2008

Sistema de contrapartidas nas eleições de 2008

João Arruda

O PMDB do Paraná não esconde de ninguém que está mobilizando-se para as eleições de outubro próximo de olho em 2010. O partido, que é o maior do estado, pretende ajudar na formatação de uma frente democrática, patriótica, antineoliberal, para mandar ao lixo da história os resquícios dos governos anteriores que privatizaram setores importantes da economia.

As eleições vindouras dar-se-ão no âmbito dos municípios mas terão repercussões estratégicas, pois poderão significar o prosseguimento ou fim de políticas públicas, produzidas nos governos Lula e Requião, comprometidas com as conquistas sociais e o desenvolvimento pleno.

O pleito de outubro também reforçará o contraponto exercido à famigerada onda de desregulamentação que desgraçou o país nos anos 90, de conteúdo lesa-pátria. Muito provavelmente se os resultados forem favoráveis ao nosso arco de alianças, nas urnas, repercutirão positivamente na escolha do novo presidente da República daqui a dois anos.

Fruto dessa visão estratégica, a executiva estadual do PMDB paranaense analisou e aprovou a proposta de constituição de uma comissão para mediar politicamente entendimentos entre a nossa agremiação e os partidos políticos aliados do governador Roberto Requião.

Esse colegiado interno terá a tarefa de coordenar e supervisionar as alianças com outras siglas que compõem a base de sustentação da administração estadual. A iniciativa surgiu da necessidade identificada pelos peemedebistas de valorizar os aliados nas eleições municipais deste ano, objetivando derrotar a direita e os neoliberais que se assanham em voltar ao poder no Paraná e no Brasil.

Portanto, as eleições de 2008 serão um grande teste para aferirmos a nossa capacidade de aglutinação das forças políticas democráticas, comprometidas com as transformações sociais em curso no país. A formatação desse leque progressista nas eleições municipais de 2008 poderá ser compreendida como um ensaio geral visando às eleições presidenciais de 2010.

No Paraná, o PMDB adotará neste ano de eleições um “sistema de contrapartidas” inédito na política brasileira. Ou seja, se o PT quiser o apoio dos peemedebistas em Maringá terá de dar-nos a retribuição em Foz do Iguaçu; se os petistas de Cruzeiros do Oeste, município de Zeca Dirceu, desejarem a companhia da nossa sigla também terão de oferecer contrapartida em Umuarama; caso os comunistas patobranquenses necessitem da força do partido do governador precisarão retribuir-nos em Francisco Beltrão.

E, assim sucessivamente. O sistema de contrapartidas será mais justo. Valorizará os aliados. Respeitará os espaços deles e delimitará os nossos. Além disso, com a novidade, o PMDB inaugurará um novo momento em que ele ganhará e ganhará igualmente os seus parceiros políticos.

Estabelecerá, portanto, um verdadeiro “ganha-ganha” num circulo virtuoso com o objetivo estratégico de derrotar modelos político-econômicos autoritários e garantir um estado de bem-estar social permanente aos traba lhadores e trabalhadoras, aos jovens, enfim às sociedades paranaense e brasileira.

Temos a convicção de que quem melhor trabalhar com os aliados tanto no Paraná quanto no Brasil, respeitando-os enquanto tal, bem como seus respectivos espaços, poderá liderar um amplo movimento democrático com características desenvolvimentistas e antineoliberais.

O PMDB tem cacife suficiente para disputar a presidência da República. Nomes como o do senador gaúcho Pedro Simon, do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, do ministro da Defesa Nelson Jobim e do próprio governador Roberto Requião são muito lembrados para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Porém, antes de discutir o nome para a disputa de 2010 é fundamental que os partidos aliados debatam mais o projeto de nação que queremos. A grande marcha peemedebista, pode-se afirmar, já começou no Paraná. Desde abril de 2007, PT e PCdoB – que são partidos nacionais – formalizaram num protocolo de intenções as premissas de um entendimento eleitoral com o partido do governador, válido para outubro próximo.

Pelo acordo pactuado no estado entre os três partidos, o candidato da sigla que estiver melhor posicionado receberá o apoio dos outros. As exceções, no entanto, residem nos municípios que terão segundo turno. Neles haverá uma supervisão, que será realizada pela comissão formada exclusivamente para essa finalidade.

Em Curitiba, por exemplo, o campo político das nossas alianças será fragmentado para forçar a realização do segundo turno. É importante frisar que o PMDB anseia em ampliar os acordos eleitorais a todos os partidos políticos que compõem a base de sustentação do governo Lula, além dos que já participam da administração de Requião.

João Arruda é secretário-geral do PMDB do Paraná.

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