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Setor de eventos defende Fundo de Desenvolvimento do Turismo

A criação de um Fundo Estadual de Desenvolvimento do Turismo e a implantação de um programa emergencial de retomada estão entre as propostas defendidas pelas entidades que representam os setores de eventos e de gastronomia durante a audiência pública realizada nesta terça-feira, 24, pela Frente Parlamentar de Combate ao Coronavírus da Assembleia Legislativa. “A frente busca soluções e as encaminha ao Governo do Estado. Tivemos a participação de todos os setores envolvidos e juntos vamos buscar o caminho para a retomada segura dos eventos no Paraná”, afirmou o coordenador do colegiado, deputado Michele Caputo (PSDB).  

“É um setor que está voltando com muitas restrições e depende do avanço da vacinação, o que ainda ocorre de maneira lenta, se formos levar em conta a imunização completa da população. Por isso, precisamos de protocolos rígidos nesta retomada”, completou.

O encontro reuniu representantes de associações do setor de produção de eventos sociais, corporativos e esportivos, gastronomia, além de gestores, deputados, vereadores e profissionais ligados à área.  

Eventos em Foz – O prefeito de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro, detalhou como  está a programação de eventos na cidade. A retomada, segundo Brasileiro, começou quando 70% da população estava vacinada com a primeira dose. “Projetamos eventos corporativos e sociais agora para o mês de agosto. No caso dos corporativos, para até mil pessoas, estabelecendo critérios”, explicou. 

“Em outubro, quando teremos 100% da população vacinada com a primeira dose e 70% com a segunda, pretendemos liberar para o público em geral. Essa regra vale também para eventos sociais como festas, casamentos e shows, por exemplo”, completou. Em vez de testagem do público, a ideia, de acordo com o prefeito, é o monitoramento pós-eventos. Isso ocorrerá em parceria com a vigilância sanitária.

Eduardo Pimentel, vice-prefeito de Curitiba, disse que o Sebrae é parceiro da prefeitura na volta dos eventos. “Estamos desenvolvendo junto ao Sebrae, mil horas de consultoria gratuita com as microempresas do setor da região metropolitana de Curitiba para que possam avançar nesse processo”. Somente em Curitiba, em 15 meses de pandemia foram cancelados 3,5 mil eventos.

São Paulo – Apresentando exemplos de eventos-teste, Eduardo Aranibar, subsecretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, detalhou como está sendo o calendário de retomada no estado. Desde 16 de agosto, o governo paulista flexibilizou as atividades seguindo todos os protocolos sanitários de distanciamento e uso de máscaras.  

Aranibar citou o exemplo do evento-modelo Expo-retomada, apresentando imagens e o cronograma construído em parceria com a vigilância sanitária. “Além de restringirmos o consumo de alimentos no local, cadeiras foram colocadas com distanciamento para o público, também fizemos testes com os participantes, que eram justamente os organizadores de eventos, por se tratar de uma feira. O que contribuiu para que eles pudessem observar as medidas para os próximos eventos”.

O subsecretário destacou que durante os eventos, o estado e a prefeitura contam com instituições financeiras parceiras para a oferta de crédito aos participantes, já que o setor está entre os mais afetados economicamente pela pandemia. “É mais uma forma de auxiliar o setor com linhas de crédito atrativas, afinal os empresários sofreram muitos prejuízos com o fechamento nesse período”.

“Também caminhamos para a realização de uma partida de futebol entre a seleção brasileira e a da Argentina como mais um evento-teste com público”, finalizou.

Retomada – A Associação Brasileira dos Produtores de Eventos (Abrape) estima que 97% do setor foi paralisado nesse período no Brasil, com 450 mil empregos perdidos entre diretos e indiretos. Pelas contas da entidade, as empresas deixaram de faturar R$ 90 bilhões em 2020.

Outra associação de eventos, a Abrafesta, indica que 60% das empresas do setor pararam completamente e 32% mudaram o modelo do negócio. Mas em 17 meses de pandemia, as entidades já começam a ensaiar uma saída. Fábio Skraba, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc).

Skabra defendeu a criação de um fundo para qualificar mão de obra no pós-pandemia. “O fundo, com gestão da Fomento Paraná, pode fornecer linhas de créditos a juros mais baixos”, explicou. Ele disse ainda que o estado já realizou alguns eventos-teste com sucesso, frisando que o Paraná está preparado para a retomada dos eventos.
“A Frente pode contribuir com a implantação do Fundo, mas a proposta para um projeto de lei deve vir do Executivo. Porém, vamos procurar o governo para saber sobre essa viabilidade”, respondeu Caputo.

Calendário – Júlio César Hezel, presidente da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), disse que quatro mil eventos sociais foram cancelados ou adiados no estado e que para 2022, como falta um calendário de retomada, eventos foram transferidos para outros lugares. “Nós precisamos voltar a ser vanguarda no setor, mas por falta desse planejamento estamos perdendo, tanto para outros estados e regiões. Temos estrutura física e profissionais. O próximo decreto do governo precisa vir com essa sinalização. Precisamos trazer os nossos clientes de volta”.

Mac Lovio Solek, presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos explicou os incentivos aprovados pelo Congresso Nacional: o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), que dá às empresas, entre outros pontos, a possibilidade de renegociação de dívidas (tributárias ou não) com descontos de até 70% e prazo de até 145 meses para quitação. “A regulamentação desse programa precisa acontecer e, aos poucos, isso vem ocorrendo”. 

“Vou entregar ao deputado Michele Caputo um documento com a proposta deste programa em nível estadual. Temos que tirar esses jovens das festas clandestinas e levá-los a eventos seguros, fazendo o nosso setor voltar a crescer e contamos com a Assembleia Legislativa para isso”, solicitou.

Futebol – Robson Roberto Seerig, assessor da Federação Paranaense de Futebol, disse que está sendo elaborado um protocolo para a retomada dos jogos de futebol com público. O protocolo já é rígido com os cuidados, dos jogadores ao estafe que participam das partidas. “Hoje não existe uma só pessoa que não esteja testada para um jogo”, afirmou. Esta segurança que a federação pretende adotar com a presença do público.

Alexandre Leprevost, vereador de Curitiba, disse que, entre outras medidas, a Câmara Municipal acaba de aprovar um projeto de lei da moratória aos empregados do setor, mas que isso não basta. Para ele, o Paraná poderia ter dado um passo à frente nessa retomada, já que considera o setor de eventos um aliado fundamental para a economia.

Outro dado que o vereador avalia ser fundamental é a utilização do aplicativo da prefeitura Saúde. “O aplicativo poderia funcionar como uma espécie de passaporte para o acesso do público aos eventos. Assim se garante mais segurança nos ambientes em que os eventos acontecem “.

Grupo de trabalho – Nestor Werner Júnior, diretor-geral da Secretaria Estadual de Saúde informou que o decreto 8178 já trouxe algumas liberações de público para o setor de eventos. “Temos condições para avançar ainda mais frente aos números da vacinação “, disse.

Werner propôs a criação de um grupo para atuar no planejamento solicitado pelos participantes da audiência. “Creio que o governo tem o maior interesse nessa etapa e já absorvemos as experiências que ouvimos aqui hoje, tanto negativas quanto positivas, para aplicarmos ou não aqui no estado”, declarou.

Michele Caputo lembrou que um grupo já foi formado em abril deste ano, mas que falta a presença da Sesa. “O decreto 7443 instituiu esse grupo importante voltado para o ator de eventos e, com a pasta da Saúde inserida, acredito que ele vai avançar na retomada”.

Também participaram da reunião os deputados Nelson Luersen(PDT); Arilson Chiorato (PT) e Soldado Fruet (Pros), além de assessores dos deputados Rodrigo Estacho (PV), Luiz Claudio Romanelli (PSB) e Cantora Mara Lima (PSC).

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