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Senador paraguaio que atacou Requião é denunciado por corrupção

Senador paraguaio que atacou Requião é denunciado por corrupção

Jornalistas paranaenses, que deram guarida a ataques ensandecidos do senador paraguaio Juan Carlos Galaverna contra o governador Roberto Requião, deveriam fazer um mea-culpa.

Longe de ter condições de acusar quem quer que seja, Galaverna, vai passar os próximos anos se defendendo de uma série enorme de acusações de corrupção que correm contra ele no Paraguai.

O líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), chama atenção para as denúncias contra o senador paraguaio Juan Carlos Galaverna, do Partido Colorado, que ganharam manchetes nos últimos dias na imprensa paraguaia.

“ Este é o senador que atacou o governador Roberto Requião com um monte de mentiras. Os ataques tiveram repercussão na imprensa paranaense. Agora, a imprensa paraguaia revela quem é, na verdade, o senador”, disse Romanelli.

“ Todos os dias, a imprensa paraguaia traz uma denúncia contra o senador Galaverna, parente ou pessoa próxima ele. É uma enxurrada de irregularidades que comprova que os ataques ao governador eram infundados e tinham como objetivo macular a reputação de Requião como homem público”, completou.

Galaverna se tornou conhecido dos paranaenses pelos ataques que fez ao governador Requião e ao Governo do Paraná em entrevista a uma rádio de Curitiba, durante a campanha presidencial em que foi eleito o ex-bispo Fernando Lugo.

“ Infelizmente, as denúncias contra o senador não estão tendo tanto destaque na imprensa do Paraná quanto aos ataques que ele fez a Requião em fevereiro deste ano”, disse Romanelli.

O senador é acusado de envolvimento em fraude eleitoral, em participar de licitação ilícita e em fazer pressões à justiça eleitoral para favorecer seu filho em eleições distritais, segundo denúncias do jornal ABC Color. O senador e membros do seu partido estão sendo investigados pela justiça do país vizinho por desvio de dinheiro na administração paraguaia da Itaipu Binacional.

Segundo o jornal de Assunção, “o influente e criticado senador Juan Carlos Galaverna deve explicar à cidadania e, sobretudo, à justiça a origem da fortuna que juntou durante o governo de Juan Carlos Wasmosy, do qual se considera amigo pessoal, e que aumentou quando se tornou o principal mandatário do Congresso durante o governo de Luis González Macchi”.

A Câmara de Senadores do Paraguai suspendeu, em 22 de maio, o senador Galaverna por 60 dias, sem receber remuneração neste período. O político paraguaio foi punido por reconhecer publicamente que participou de uma fraude nas eleições internas do Partido Colorado em 1992, em benefício do candidato Juan Carlos Wasmosy.

Galaverna também é acusado pelo Partido Liberal de pressionar os membros da Suprema Corte de Justiça do Paraguai para favorecer seu filho Nano no julgamento das eleições municipais na cidade de Ypacaraí, terra natal do senador.

A Suprema Corte de Justiça votou a favor da inconstitucionalidade apresentada pelo Partido Colorado para impugnar duas mesas eleitorais das eleições municipais de Ypacaray. Com essa medida, a lista colorada terá maioria na Junta Municipal e o filho de Juan Carlos Galaverna, Nano, poderá presidir o legislativo distrital.

Outra acusação contra Galaverna é de corrupção em licitação promovida pelo Ministério de Defesa paraguaio para a compra de materiais para a construção de um cemitério exclusivo do exército paraguaio. A licitação exigia que as empresas candidatas oferecessem materiais de primeira qualidade, e deveriam ser da marca da Cerâmica Yoayú. Segundo o edital de licitação, não seriam aceitos materiais de outras cerâmicas, a não ser que os materiais fossem fabricados pela Cerâmica Yoayú.

Segundo o jornal ABC Color, a cerâmica pertence ao senador Galaverna e ao seu sócio comercial Júlio Ayala. Segundo denúncia recebida pelo jornal, a referida cerâmica “não é a única que fabrica esse tipo de materiais e muito menos são os de melhor qualidade nem os de menor preço”. O Ministério da Defesa paraguaio anulou a licitação.

Membros do Partido Colorado, ligados a Galaverna, também estão envolvidos em denúncias de corrupção relacionadas à administração paraguaia da usina hidrelétrica de Itaipu. Segundo o procurador geral do Paraguai, Carlos Arregui, o desvio pode chegar a US$ 10 milhões.

O jornal ABC Color denunciou diretores paraguaios da Itaipu Binacional em desvios que somam US$ 5 milhões. O dinheiro seria retirado através da Fundação Tesãi, que tem um programa de ação social de doação de medicamentos.

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