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Sem Meirelles, Lula teria sido a Dilma

20 de dezembro de 2017
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Guilherme Macalossi

Ainda que os números do IBGE sobre a pobreza no Brasil sejam impressionantes e revelem o tamanho da fraude intelectual que consistia o discurso de Lula sobre a ascensão social supostamente promovida durante o seu governo, persiste o senso comum de que o mandato do ex-presidente proveu bonança aos pobres. Despida do contexto e dos condicionantes, trata-se apenas de uma mistificação petista assentada no baixo nível de informação da maioria da população.

Como bom sindicalista, Lula é pragmático até a medula. Foi por isso que sua grande medida econômica foi não aplicar o receituário esquerdista no início de seu mandato. Para comandar o Banco Central, chamou Henrique Meirelles, internacionalmente conhecido por ter presidido o Bank Boston e ter carreira brilhante no mercado financeiro. Era o aceno ao mercado de que as coisas, pelo menos por um tempo, seriam tratadas com o rigor devido.

Com Meirelles no Banco Central, o país viu a implementação de uma agenda rigorosa de superávits e controles fiscais. O resultado foi o crescimento contínuo do Produto Interno Bruto e a blindagem prolongada do país – inclusive durante a crise financeira de 2008 e 2009. Com os fundamentos macroeconômicos preservados do radicalismo ideológico de seus correligionários, Lula pode nadar de braçada, apropriando-se dos méritos que nunca foram seus.

Afinal, o que teria sido de Lula se no lugar de Meirelles estivesse um economista da escola petista? A resposta veio no mandato de Dilma, no qual as verdadeiras teses de PT, que são também as de Lula, ganharam força. Quando Meirelles saiu, veio o predomínio de Guido Mantega, até então um Ministro da Fazenda decorativo que só chegou ao cargo porque Antonio Palocci não soube explicar sua participação nas festinhas da Jeany Marie Corner.

Com a lacuna técnica no Banco Central, o flerte petista com a demagogia, que já existia durante o governo Lula, se tornou desbragado populismo econômico. A coisa descambou para as tão faladas pedadas fiscais e, por fim, na depressão social da qual o país finalmente começa a sair.

Lula pretende voltar a ser Presidente em 2018. Para tanto, apelará aos seus supostos feitos. No seu falatório, ele se apresentará como único portador da receita necessária para devolver prosperidade aos brasileiros. O Lula de hoje, entretanto, é muito mais parecido com o Lula de 1989, aquele meio brucutu que defendia o calote da dívida externa. Nenhum economista sério lhe daria suporte como ocorreu em 2003. É preciso deixar claro, desde já, que seus méritos não lhe pertencem, e que não há modo de alcançá-los de novo. Quem sabe, se for candidato, Henrique Meirelles possa dizer isso pessoalmente ao ex-presidente em algum debate.

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