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Sem equipamento anti-neblina, Afonso Pena já fechou por 133 horas em 2011

A falta de um equipamento anti-neblina, a terceira versão do ILS (Instrument Land System), tem provocado constantes fechamentos para pousos e decolagens no Aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais, o principal terminal da região metropolitana de Curitiba.

Só este ano, o Afonso Pena permaneceu fechado por 133 horas, informa reportagem de O Estado do Paraná.

A aquisição do ILS3 foi uma cobrança constante nos primeiros seis meses de mandato do deputado João Arruda (PMDB-PR) junto aos órgãos do Governo Federal em Brasília.

Na última semana o parlamentar se reuniu com o prefeito de São José dos Pinhais, Ivan Rodrigues, e o superintendente da Infraero, Antonio Pallu.

Nos sete primeiros meses, foram 38 dias de incidência de fechamento do aeroporto por conta das condições climáticas e 171 voos cancelados.

Somente em junho, foram cancelados 114 voos. O recorde foi em 2002, quando ocorreram 629 cancelamentos de operações aéreas.

Segundo Antonio Pallu, a maior quantidade de horas de fechamento do aeroporto para operações aéreas ocorre no período da uma hora da madrugada às 6h da manhã.

De acordo com ele, a implantação do ILS 3 (ou Sistema de Pouso por Instrumento) vai minimizar o problema das condições climáticas que afetam os pousos no Afonso Pena. O aeroporto já opera com o ILS nas categorias 1 e 2.

A instalação do ILS 3 está prevista até o final de 2013 no aeroporto Afonso Pena; até o final de 2012 no Aeroporto do Galeão (RJ), e até o final deste ano, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Uma equipe multidisciplinar estuda as ações e os requisitos necessários para a instalação do ILS 3, composta pelo Comando da Aeronáutica por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA), da Infraero – Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Será?

Apesar da promessa da instalação do equipamento em três terminais aeroviários do país, entre eles o principal aeroporto paranaense, especialistas não acreditam que o projeto saia do papel.

“Eu duvido que os aeroportos vão ter o ILS 3”, afirma o engenheiro civil Meron Kovalchuk, que já foi controlador de voo do Afonso Pena por mais de dez anos.

De acordo com o engenheiro, a ICAO (International Civil Aviation Organization), órgão das Nações Unidas para a aviação civil internacional, vai desativar o ILS 3 em 2014, inclusive o ILS 1 e 2. “Eles deixarão de ser o equipamento principal de pouso, que passará a ser feito por vários métodos ligados a satélite”, explica Kovalchuk.

O engenheiro informa que os sistemas de pouso por satélite já foram testados no Brasil pela Boeing em 1995, no Aeroporto Santos Dumont (RJ), com “total” sucesso e erro de centro de pista inferior a 15 centímetros.

Segundo Kovalchuk, embora o ILS 3 seja um instrumento de “extrema” precisão e permita pousos sem praticamente nenhuma visibilidade, há restrições técnicas na utilização do equipamento.

Segundo ele, a ICAO exige que, com o ILS 3, um piloto necessita fazer um pouso real por mês no mínimo, caso contrário terá de fazer treinamento de 30 em 30 dias em simulador de voo para se homologar novamente.

“As companhias aéreas teriam de pagar todo o custo do treinamento contínuo e isso é inviável financeiramente para elas porque é muito caro e não compensa”, diz o engenheiro.

Ainda de acordo com o engenheiro, na maioria das vezes, o clima é bom no país para o uso do ILS 3. Questionado sobre os nevoeiros de Curitiba no inverno, ele disse que mesmo assim é inviável economicamente manter uma equipe somente para fazer voos para Curitiba.

“É como se precisasse de uma equipe só para pousar em Curitiba e em outros aeroportos que estejam fechados e isso é inviável”, conclui o engenheiro.