Written by 10:00 Segurança Pública

Segundo DataFolha, brasileiros preferem investimento na área de segurança pública e em áreas sociais como combate à violência

A maioria dos brasileiros acredita que, para combater a violência, o governo deve priorizar investimentos na criação de empregos  e não especificamente na área da segurança, como no treinamento e na compra de equipamentos de policiais. Informação de Thiago Amância, Folha de São Paulo.

É o que aponta pesquisa Datafolha feita em dezembro deste ano. Para 57%
dos entrevistados, é mais importante investir em áreas sociais do que na
segurança. O investimento em policiais é mais importante para 41% . Outros 2% responderam que não sabem

Esse índice é alto mesmo entre os que apoiam Jair Bolsonaro, que se elegeu com um discurso de endurecimento da segurança pública

Entre os que avaliam o governo com ótimo ou bom, 51% acreditam que se
deve investir mais nas áreas sociais, e 47% acreditam que se deve investir
mais em polícias.

Para o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de
Segurança Pública, uma série de fatores pode alterar essa percepção. Se
houve um crime cruel e de grande repercussão, por exemplo, a tendência da
sociedade é enfatizar aspectos repressivos, o que não acontece em outros
momentos.

“Mas é uma constatação preciosa. A despeito de retóricas ideológicas e muito
caricatas, que promovem identificações superficiais, há sempre espaço para
argumentação, reflexão. Quando as questões sociais são tão graves e
dramáticas, como são no Brasil, com desemprego tão grande, há evidência
suficiente da origem dos problemas. As pessoas são capazes de tirar suas
conclusões, entendendo como a crise social afeta comportamentos”, diz ele

A socióloga Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, afirma que a pesquisa mostra que “há uma consciência de que a
desigualdade está diretamente vinculada à violência”.

“Não à toa, os territórios que concentram os maiores índices de violência são
os de maior vulnerabilidade social”, diz.

A avaliação de homens e mulheres sobre o tema não varia além da margem
de erro. O que influencia mais essa percepção é idade, escolaridade e renda
dos entrevistados.

Em geral, quanto menor a faixa etária dos entrevistados, mais a percepção
pende para a área social.

Renda e educação formal também pesam a balança: entrevistados mais
pobres e menos escolarizados tendem a defender mais investimentos na
polícia. Uma das poucas categorias em que há mais entrevistados que
defendem que violência se resolve com policiamento é entre os brasileiros
que estudaram só até o ensino fundamental.

Moradores de cidades do interior defendem mais investimento em polícias
do que quem vive em capitais e cidades em regiões metropolitanas do país.

O Sudeste é a região em que menos se acredita que a solução da violência é
investir na polícia: 35% dos entrevistados. Por outro lado, o Nordeste é a
região com a maior taxa, 47%. Alguns dos estados brasileiros com as maiores
índices de homicídio do país estão nessa região.

Para Soares, uma das explicações possíveis é que “quem está mais
diretamente exposto à violência se sente desprotegido e tende a enfatizar
medidas mais imediatistas, que possam de alguma maneira aliviar sua
angústia e medo.”

“Para pessoas que veem a violência mais de longe, os problemas são
importantes, mas não tão urgentes. Elas podem contemplar um horizonte
um pouco mais amplo e ponderar que, se não houver mudanças mais
consistentes e profundas a médio prazo, tudo acaba se perdendo”, afirma.

Bueno diz que a violência pode influenciar essa opinião, mas os índices
também podem mostrar que, em regiões mais pobres e mais afastadas, a
população tem uma demanda maior pelo Estado.

“Isso pode estar conectado ao padrão de desenvolvimento do território. No
Sudeste estão algumas das polícias mais antigas e estruturadas do país, com
efetivos relativamente grandes, e que se mostram mais presentes para a
população. Uma pessoa no interior de São Paulo tende a perceber mais a
presença da polícia que uma pessoa no interior do Piauí e de Alagoas, por

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