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Sacrifício reconhecido

Sacrifício reconhecido

Ademar Traiano

Entre 2014 e 2017, 25 dos 27 estados brasileiros cortaram investimentos, tiveram obras paralisadas, deram calote no funcionalismo e viveram uma recessão brutal. Estragos causados pelo furacão Dilma Rousseff.

Os governos de Dilma produziram uma das maiores tragédias econômicas e administrativas já vividas pelo Brasil. Dilma acabou expelida da Presidência por um impeachment em 2016, mas a destruição que produziu não foi exorcizada com ela. Seus efeitos são sentidos até hoje.

Levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo revela que a devastação produzida pela petista só poupou dois estados brasileiros: o Paraná e Rondônia.

O Paraná, segundo a Folha de S. Paulo, não só conseguiu escapar da crise como se colocou na contramão dela. O estado elevou o gasto com investimentos nos últimos quatro anos. O jornal assinala que, para remar contra a corrente da recessão que atingiu o Brasil, o estado seguiu um caminho difícil e doloroso.

Esse caminho passou pelo duro ajuste fiscal, corte de gastos e despesas feito pelo governo Beto Richa. Uma receita contra a crise, que começou a ser colocada em prática no fim de 2014 e que foi formalizada no início de 2015.

O Paraná tomou medidas saneadoras quando a maioria dos governadores não se havia se dado conta que as sementes da tragédia econômica, plantadas por Dilma Rousseff em seu primeiro governo, produziriam uma safra de desastres no segundo mandato.

A matéria da Folha, assinada por Flavia Lima, Daniel Camargos e João Pedro Pitombo registra que os estados brasileiros cortaram R$ 27 bilhões de investimentos. Isso significou uma redução violenta de recursos para infraestrutura, saúde e segurança. O estrago pode ser avaliado pelos resultados calamitosos produzidos em Minas Gerais e Pernambuco. Os dois estados têm, juntos, nada menos que 2,7 mil obras paradas, conforme relatório da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado.

Como se sabe, cortar investimentos, significa adiar projetos de construção de escolas e hospitais e compra de equipamentos, além de paralisar obras como pontes e rodovias. É uma receita que costuma atingir com mais virulência os mais pobres. Reduz o número de empregos e corta o oxigênio da rede social que atende os que mais precisam do amparo do estado.

Com maior ou menor intensidade, o estrago produzido pelo “efeito Dilma” foi generalizado em praticamente todo o país. Atingiu em cheio 25 das 27 unidades da Federação. As únicas exceções foram o Paraná e Rondônia, diz o jornal.

O Paraná, registrou uma taxa de crescimento robusta para o momento que o país vive. Entre 2014 e 2017 cresceu 16,1%. Rondônia, teve resultado muito mais modesto: alta de 0,8% no período. Ainda assim ficou no lucro por registrar um índice positivo.

Nos demais estados os números evidenciam o tamanho da tragédia. Os investimentos no Rio de Janeiro caíram em média 52,7% ao ano, descontada a inflação. O Rio foi seguido pelo Acre (-40,4%), Espírito Santo (-39,1%), Amazonas (-36,8%) e Minas Gerais (-34,5%).

“O Paraná fez o dever de casa, passou por um ajuste fiscal que garantiu o equilíbrio de suas contas num período em que o Brasil mergulhou numa crise econômica e social sem precedentes, talvez a crise mais grave da história”, disse o governador Beto Richa no discurso de despedida do governo. A matéria da Folha lhe dá razão.

Só neste ano, estão reservados no orçamento 8,4 bilhões de reais para investimentos em infraestrutura, segurança, saúde e educação. O Paraná de hoje é um canteiro de obras de infraestrutura, com duplicações de rodovias, modernização de portos e aeroportos, investimentos em energia, saneamento e tecnologia da informação e construções de equipamentos urbanos.

A matéria da Folha de S. Paulo é uma consagração para aqueles que, como os deputados da base de apoio do governo do estado, pagaram um alto preço para se manter fiéis aos interesses maiores do Paraná. Que colocaram em risco sua popularidade e a própria sobrevivência política para defender o que era verdadeiramente importante para o estado. Os paranaenses já sabem, hoje, quem agiu na defesa de seus verdadeiros interesses.

Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná

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