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Ricardo Barros: ‘Hoje financiamos a doença, não a saúde’

Ministro da Saúde fala sobre as articulações políticas e principais ações que fez durante seu ano e meio no ministério

Metro Maringá/Band News FM

Como o senhor avalia o estágio que a saúde pública chegou no Brasil?
Hoje o SUS é o maior programa de saúde de acesso universalizado no mundo. Nós não temos similaridade no mundo inteiro, já que a estrutura do SUS é muito grande: cobre 150 milhões de brasileiros, enquanto os planos de saúde cobrem os outros 50 milhões. Nós tivemos a ideia dos planos acessíveis, da modernização da legislação – que está em votação no Congresso Nacional para estruturar melhor e deixar mais claro os deveres e direitos do consumidor nesse assunto. Nós temos na questão de hospitais, o credenciamento de todos os serviços de saúde. Já abrimos mais de 200 UPA’s, temos 1.100 obras prontas, equipadas e fechadas no Brasil. É um grande desafio financiar a saúde, porque construir é fácil, colocar para funcionar que é difícil. Economizamos R$4,5 bilhões, até agora, especialmente, com compras de medicamentos. Nós revisamos contratos, cortamos cargos comissionados, enxugamos a máquina pública e estamos reinvestindo a economia com serviços de saúde.

O que é mais difícil no Ministério?
O meu compromisso com o presidente Michel Temer foi fazer mais com o mesmo. Usar os recursos disponíveis, na medida que vivemos uma crise fiscal – como todos sabem –, para fazer muito mais para a população. E temos conseguido. Claro, esbarramos em uma cultura de pessoal muito arraigada, então as pessoas que trabalham no sistema não querem mudar sua rotina, são resistentes. Nós estamos implantando biometria do funcionário e do usuário em todo o sistema, estamos colocando rastreadores em todas as ambulâncias. Estamos trabalhando para dar tablets para todos os Agentes Comunitários de Saúde, para lançar os dados em casa e termos uma informação segura. Conseguimos reduzir significativamente os custos dos medicamentos e com isso ampliamos o acesso.

Como o senhor enxerga a relação do governo com os médicos?
Nós estamos tendo um bom relacionamento. Temos o Mais Médicos, em que estamos ampliando a participação dos brasileiros. Quando renovamos eu me comprometi a diminuir a participação de cubanos de 11 mil para 7 mil. Hoje estamos com 8 mil cubanos – em um total de 18 mil bolsistas. O programa vai indo muito bem. Os médicos são o centro da solução da saúde do país. E nós temos procurado nos relacionar com eles nesse modelo de pragmatismo
de melhor custo benefício para a população. Alguns resistem, mas a grande maioria tem dado muito apoio.

A grande crítica que os médico fazem é em relação aos valores dos honorários do serviço público. Há alguma tratativa para mudar essa realidade?
Não. Hoje nosso modelo é o que financia a doença e não a saúde, por isso, nós não evoluiremos nesse modelo. Idealmente, se ninguém ficasse doente, seria ótimo. Só que quebraria todos os hospitais, todos os laboratórios: o sistema vai a falência. Então é claro que esse modelo está errado. Deveria ser o contrario: se ninguém fica doente o sistema tinha de ficar mais saudável ainda. Então por que a gente não fez o novo modelo de gerenciamento? Porque a gente não sabe o que acontece lá na ponta da saúde. Então, informatizar tudo, saber tudo o que acontece na estrutura da saúde, entender as necessidades, dispor dos serviços e aí sim, investir muito em prevenção. No momento, é pagar em dia e cumprir todas as nossas participações de financiamento.

O senhor pode explicar o que está acontecendo em relação a indústria de hemoderivados, que seria instalada no Pernambuco e pode ser instalada em Maringá?
Com toda política de transferência de tecnologia e produção de medicamentos produzidos no Brasil – mas patenteados no exterior –, nós assinamos vários contatos e estamos avançando. No caso de hemoderivados, há um custo de R$ 1,4 bilhão por ano ao Brasil e poderia custar R$ 700 milhões se nós fizéssemos aqui. Então nós teríamos uma economia de R$ 700 milhões por ano. Acontece que a Hemobras é uma empresa que está instituída. Está lá há 10 anos com aquela fábrica parada. Tem uma parceria com uma empresa para fazer o fator recombinante – que é essa que nós vamos fazer aqui também no Paraná. Toda política nossa é de duas fá bricas, dois laboratórios oficiais, para que ele não fique monopolizado e sem concorrência.

O PP lançou Beto Richa como candidato ao Senado e Cida Borghetti ao governo do Estado. O Beto Richa concorda com isso?
Ele já está em campanha. É só olhar a agenda dele e você vai ver. Tanto que ele foi em nossa reunião de executiva, ele compareceu e lá o PP lançou o apoio a ele para o Senado. Nós estamos estruturando essa parceria que eu julgo muito útil para o Paraná, na medida que isso é uma continuação do trabalho que mudou o Paraná. Nós queremos continuar esse bom trabalho de gestão, de atenção aos municípios, mas essa é uma decisão que o governador tomará um pouco mais à frente. Hoje ele está candidato e corre na direção de ele deixar o governo, com isso Cida Borghetti será a primeira mulher governadora do Paraná. Vai ficar 120 dias no cargo antes das convenções – vai repetir mais ou menos o que aconteceu com o Pupin, Ele ficou no cargo, disparou na pesquisa e ganhou a eleição. É mais ou menos esse mesmo processo que está desenhado aqui e que vamos repetir. A maior estrutura de campanha
será da vice-governadora Cida Borghetti e vamos concorrer a eleição. Esse é o projeto.

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