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Resolvendo Curitiba de uma forma bem curitibana

“A minha visão é que Curitiba sempre esteve à frente do resto do mundo nas suas propostas inovadoras. Eu estou preparando um programa de governo para propor coisas novas. Não é uma mera cópia do que já existe no mundo, é uma solução curitibana para os problemas de Curitiba”. Com esta linha de pensamento o ex-prefeito Rafael Greca discutiu seus projetos, plano de governo e ideias para o futuro de Curitiba, em entrevista ao Jornal Comunicação, editado por estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Na entrevista, que faz parte da série promovida pelo jornal com pré-candidatos a prefeito de Curitiba, Rafael Greca falou sobre educação, mobilidade urbana, meio ambiente, saúde, articulação política e estratégias de campanha. Sobre as constantes enchentes na capital, o pré-candidato do PMDB disse que isto poderia ser resultado das chuva torrencial, “se nós não soubéssemos que os bueiros e galerias estão entupidos e não há uma política oficial de drenagem”.

“A minha ideia é um programa de reguladores de vazão por micro-bacias. Já está na minha cabeça, e é uma obra muito simples, muito curitibana, e será com certeza inovadora”, respondeu Rafael Greca, à estudante de jornalismo Franciele Petry. O Comunicação, é o jornal laboratório do curso de Comunicação Social da UFPR, onde aspirantes a jornalistas têm a oportunidade de obter experiência antes de entrar no mercado de trabalho.

A entrevista está disponível no site do jornal (www.jornalcomunicacao.ufpr.br).

Leia a seguir à integra da entrevista:

Série Pré-Candidatos: Rafael Greca pretende solucionar os problemas da cidade de uma forma ‘bem curitibana’

Greca acredita que todos os partidos têm a obrigação de discutir a cidade e veste a camisa da paixão por Curitiba

Rafael Greca de Macedo, 55 anos, já foi prefeito de Curitiba (1993-1996), vereador, deputado federal, Ministro do Esporte e Turismo do Brasil e atualmente está em seu segundo mandato de Deputado Estadual. Formado em Economia e engenharia, é pré candidato à prefeitura pelo PMDB. Ao longo de sua carreira política, Greca realizou obras como a criação do Farol do Saber, a restauração da Catedral Basílica de Curitiba, inauguração do Conservatório de MPB, aperfeiçoamento do transporte público através da criação de 43 novas linhas de ônibus, entre outras.

Jornal Comunicação: De que forma você pretende acabar com a tradição curitibana de reeleger seus prefeitos, visto que estará concorrendo com o atual Prefeito, Luciano Ducci?

Rafael Greca: Eu não acredito nessa tradição de reeleição. Acredito que existe a obrigação de todos os partidos políticos de discutir a cidade. Nós vamos para a campanha mostrando o que não funciona. Eu não vou me candidatar à eleição pra usar a cidade como trampolim político. Eu vou como um engenheiro, ex-prefeito de Curitiba, que vai discutir técnicamente a cidade de Curitiba.

Comunicação: Qual frente de campanha que você pretende utilizar?

Greca: A minha proposta de governo é a paixão por Curitiba. A cidade pode ser uma máquina multiplicadora de oportunidades e criadora de felicidade pro seu povo. Mas pra isso é preciso das virtudes do governante. Não peço voto pelo que já fiz por Curitiba. Eu peço voto pelas propostas novas que eu vou apresentar a tempo e a hora. Não vou dizê-las agora porque sei que meus oponentes não têm equipe técnica, apesar de ter vários marketeiros tentando fazer parecer que eles entendem de cidade. Então só vou contar isso na hora certa.

Comunicação: Depois da sua experiência como Ministro do Esporte e do Turismo, você acredita que Curitiba está preparada para receber um evento como a Copa do Mundo?

Greca: Eu não tenho medo da copa. Na condição de engenheiro recém-formado, quando era nosso prefeito Jaime Lerner, eu organizei a visita do Papa João Paulo II em Curitiba e deu tudo certo, n ão houve nenhum conflito. Se nós conseguimos fazer isso naquele tempo, com muito pouco dinheiro, pra mais gente do que haverá nos jogos da Copa, porque nós não havemos de conseguir pra um jogo de 42 mil pessoas? D á para fazer um evento muito bonito, porque um evento de 42 mil pessoas não assusta ninguém. Com organização não temos que ter medo de nada. Porém, a Copa não pode ser um pretexto para roubar, pra jogar fora o patrimônio cultural da cidade, pra derrubar casas de famílias, ou pra fazer obras que não sejam necessárias pro futuro da cidade. Eu acho que a Copa tem que servir à cidade, e não a cidade servir à Copa.

Comunicação: Como engenheiro, você pode propor alguma solução pras recentes enchentes curitibanas?

Greca: Essas enchentes seriam só culpa da chuva torrencial e copiosa se nós não soubéssemos que os bueiros e galerias estão entupidos e não há uma política oficial de drenagem. A minha idéia é um programa de reguladores de vazão por micro-bacias. Já está na minha cabeça, e é uma obra muito simples, muito curitibana, e será com certeza inovadora.

Comunicação: Como urbanista, que mudanças podem ser realizadas em relação ao trânsito de Curitiba?

Greca: Trânsito é circulação. É uma coisa muito parecida com o seu corpo. Se eu trancar algumas artérias você acaba enfartando. Então é necessário muito mais do que uma obra específica, única, como é o caso do equívoco da imprensa e da própria propaganda oficial que deposita toda solução do trânsito em medíocres 14 km de metrô. O problema do trânsito pede uma calibragem em sintonia fina em todos os módulos de congestionamento. Pede a construção de uma bateria de trincheiras, em áreas de maior espera. Pede a eliminação do sinaleiro de três tempos. O trânsito pede também um sistema de transporte eficiente. Eu quero partir para uma combinação de metrô aéreo, com uma rede integrada metropolitana de ônibus, acoplada ao novo modal ferroviário. Mas eu ousaria também propor uma rede de 600km de ciclo faixas, a restauração das antigas ciclovias, que tinha mais 100km, e a calibragem e sincronia dos sinaleiros pra criar ondas verdes de trânsito.

Comunicação: Sabemos que as drogas se tornaram caso de saúde pública. Como o senhor lidaria o tema?

Greca: Nós temos a obrigação de não perder nosso futuro e não acabar com nossos jovens. Temos uma obrigação do combate às drogas, ao tráfico, a essa epidemia contra a saúde pública que está em curso no país. É preciso uma ampla estratégia que começa nas creches e escolas, passa pelo posto de saúde e tem que entrar através dos médicos de família, com cobertura total nos bairros populares, dentro das casas das famílias.

Comunicação: E sobre a educação no município?

Greca: Eu já fui prefeito, já enfrentei greve, mas o que fiz foi valorizar aos poucos a carreira da professora, pois é preciso compreensão dos dois lados. É preciso uma escola pública que não finja que ensine para alunos que fingem que aprendem. Eu não gosto dessa história de não reprovar. Deve haver a reprovação sim e, ao contrário do que acontece hoje, a escola que mais reprovar devia ganhar mais verba, para ter mais meios pra poder ajudar os jovens reprovados a superar a dificuldade.

Comunicação: Em seu site, você é colocado como um estadista que analisa tendências mundiais. Existe alguma tendência que pode e deve ser aplicada em Curitiba?

Greca: Acho que não sou esse, pelo menos não estadista. Eu nunca fui um estadista porque eu sou um prefeito, apesar de já ter sido ministro. Mas veja, a minha visão é que Curitiba sempre esteve à frente do resto do mundo nas suas propostas inovadoras. Eu estou preparando um programa de governo pra propor coisas novas. Não é uma mera cópia do que já existe no mundo, é uma solução curitibana pros problemas de Curitiba.