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PT, uma história singular

No dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, um sentimento unia os militantes vindos de praticamente todos os estados brasileiros: a convicção de que estava sendo escrita uma nova página da História, com o nascimento de um partido diferente, que rompia com os modelos dominantes da política do nosso país. Esse partido era o PT.

Como delegado presente a esse encontro, pude testemunhar o que havia ali de singular: militantes egressos das organizações de esquerda, das comunidades eclesiais de base, das universidades, das fábricas, do campo, todos à procura de um novo caminho e de um novo partido.trecho do artigo – PT, um história singular – do deputado estadual, Péricles de Mello (PT-PR). Leia sua íntegra em Reportagens.

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PT, uma história singular

PT, uma história singular

Por Péricles de Mello

No dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo, um sentimento unia os militantes vindos de praticamente todos os estados brasileiros: a convicção de que estava sendo escrita uma nova página da História, com o nascimento de um partido diferente, que rompia com os modelos dominantes da política do nosso país. Esse partido era o PT.

Como delegado presente a esse encontro, pude testemunhar o que havia ali de singular: militantes egressos das organizações de esquerda, das comunidades eclesiais de base, das universidades, das fábricas, do campo, todos à procura de um novo caminho e de um novo partido.

Porém, havia mais: tendo na sua origem as históricas greves operárias do ABC, em 1978 e 1979, o PT nascia num momento que exigia definições claras e ousadas. Vivíamos em plena ditadura militar e em plena vigência do chamado “socialismo real”, embora ambos já em crise. O PT soube entender essa realidade e desde o início afirmou-se como um partido radicalmente democrático, cuja concepção de socialismo, coerentemente, bania todo autoritarismo e o dogma do partido único.

Nesses 28 anos, a trajetória do PT é conhecida: nosso partido construiu-se, por um lado, na luta institucional, disputando eleições, administrando prefeituras e governos estaduais, inovando nas políticas implementadas, e ocupando espaços cada vez maiores e mais destacados nos parlamentos; por outro lado, o PT teve uma intervenção decisiva nos movimentos sociais, com um papel central na edificação de um novo sindicalismo, na criação de associações de bairro, entidades estudantis, movimentos de juventude, mulheres, negros, e em todos os momentos em que foram se solidificando a democracia e o sentido de cidadania no Brasil.

Posso, com tranqüilidade, dar o exemplo de Ponta Grossa: em nossa cidade, o PT nasceu com o esforço conjunto de militantes da universidade, das vilas e dos sindicatos. Mais de 30% das associações de moradores da cidade foram criadas com a ajuda do PT. Com a eleição de uma nova diretoria no Sindicato dos Metalúrgicos, demos início a um novo tipo de sindicalismo. A mesma coisa se deu com o incentivo à criação de entidades estudantis. Os sucessos nas eleições para a Câmara dos Vereadores e, depois, para a própria Prefeitura, um papel que tive a honra de desempenhar, foram decorrências dessa política.

Nesse período, vários projetos de resgate da identidade local, de construção de uma cidade mais democrática e ações que atenderam demandas sociais prioritárias promovendo os interesses da maioria da população puderam ser desenvolvidos. 

Hoje, o PT encontra-se diante de novos e maiúsculos desafios: há cinco anos ocupando a Presidência da República, tendo no cargo sua figura maior, o presidente Lula, o PT empenha-se em mudar a face do país, no combate à fome, à miséria e às desigualdades; na ampliação e melhoria dos serviços sociais; na geração de empregos e aumento da renda dos trabalhadores; nas oportunidades de acesso ao ensino superior; na transparência administrativa; na recuperação da capacidade produtiva; e na ascensão do Brasil a um novo e soberano papel no cenário internacional.

Houve sérios percalços nesse caminho, e o PT empenha-se hoje em corrigir os erros cometidos. Ao eleger o presidente da República, o PT cometeu o erro básico de atrelar-se à administração, com o conseqüente enfraquecimento do partido; em segundo lugar, num certo momento o PT rendeu-se a práticas tradicionais, mas nem por isso menos condenáveis, da política brasileira. Fazer o correto balanço desses erros é uma exigência do momento e uma satisfação que o PT deve a todos aqueles que no partido depositaram suas esperanças.

No entanto, olhando para os 28 anos de luta e para as transformações profundas que aconteceram na sociedade brasileira, nesse período, destaca-se a presença marcante do PT e a sua fórmula de fazer política. Com apoio das camadas populares o partido se solidificou rompendo paradigmas. Parabéns, PT!

Péricles de Mello é deputado estadual (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa e ex-prefeito de Ponta Grossa.

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