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PT REFORÇA IMAGEM DE DILMA COMO FAVORITA DE LULA PARA REDUZIR REJEIÇÃO DE 41% DA MINISTRA

Por Octávio Costa e Adriana Nicacio, na Revista ISTOÉ:

O Brasil adota sistema presidencialista de governo e não tem um primeiro-ministro. Mas, desde a exibição do programa oficial do PT em horário nobre de televisão, na quinta-feira 10s, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi ungida, na prática, ao cargo máximo do parlamentarismo. Afirmou-se que todas as mudanças no País se devem ao trabalho de uma grande equipe, comandada por Dilma. “Uma equipe que faz tudo com muito amor e competência”, disse o presidente Lula, ressaltando que “é possível haver democracia com crescimento econômico”.

De terno vermelho, maquiada e sorridente, Dilma deu prova do perfeito entrosamento com o chefe: “Penso igual ao sr., presidente. A gente fez muito, mas sabe que é preciso fazer muito mais". O diálogo amistoso entre Lula e Dilma serviu para antecipar qual será a estratégia adotada pelo PT.

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PT REFORÇA IMAGEM DE DILMA COMO FAVORITA DE LULA PARA REDUZIR REJEIÇÃO DE 41% DA MINISTRA

PT REFORÇA IMAGEM DE DILMA COMO FAVORITA DE LULA PARA REDUZIR REJEIÇÃO DE 41% DA MINISTRA

Por Octávio Costa e Adriana Nicacio, na Revista ISTOÉ:

O Brasil adota sistema presidencialista de governo e não tem um primeiro-ministro. Mas, desde a exibição do programa oficial do PT em horário nobre de televisão, na quinta-feira 10s, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi ungida, na prática, ao cargo máximo do parlamentarismo. Afirmou-se que todas as mudanças no País se devem ao trabalho de uma grande equipe, comandada por Dilma. “Uma equipe que faz tudo com muito amor e competência”, disse o presidente Lula, ressaltando que “é possível haver democracia com crescimento econômico”.

De terno vermelho, maquiada e sorridente, Dilma deu prova do perfeito entrosamento com o chefe: “Penso igual ao sr., presidente. A gente fez muito, mas sabe que é preciso fazer muito mais". O diálogo amistoso entre Lula e Dilma serviu para antecipar qual será a estratégia adotada pelo PT.

Apresentada como gestora das grandes obras e responsável tanto pela exploração do pré-sal quanto pelo programa Minha Casa, Minha Vida, a ministra vai bater na tecla de que “o que Lula está fazendo não pode parar”. A peça de resistência será, sem dúvida, a dobradinha Lula-Dilma. Dessa forma, o PT espera conquistar seu maior desafio: transformar a imensa popularidade de Lula em votos para a sua candidata.

Os responsáveis pelo marketing eleitoral da ministra acreditam que, ao colar a imagem de Lula a Dilma, os dividendos eleitorais serão líquidos e certos. O PT aposta que, após a exibição do programa de tevê, Dilma se tornará mais conhecida e sua campanha ganhará novo ritmo. “Quando a população conhecer a ministra, o atual percentual de rejeição vai despencar”, prevê o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), um dos integrantes do núcleo político que aconselha a ministra. Ele se refere aos resultados da pesquisa CNI/Ibope divulgada no dia 7.

Apesar de conhecida apenas por 32% dos brasileiros, Dilma mostrou um índice de rejeição de 41%. O que fez surgirem rumores, em Brasília, de que a campanha de Dilma estaria sendo reavaliada. Além do bem-sucedido marqueteiro petista João Santana, passariam a cuidar da imagem de Dilma outros dois papas da publicidade: Duda Mendonça e Nizan Guanaes. Dentro do PT, nega-se o reforço com veemência. “Isso é coisa de gente que quer dar um pitaco na campanha. Estamos satisfeitos com o trabalho de João Santana. Basta ver a qualidade do programa de tevê”, afirmou à ISTOÉ uma fonte ligada à Presidência.

O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, acredita que parte da rejeição ao nome de Dilma se deve realmente ao fato de ela ser pouco conhecida dos eleitores, mas reafirma que não acredita na vitória da ministra. “O marketing pode ser bom, mas depende do produto”, completa.

Para o presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, o eleitor tem um tempo diferente do do meio político. Na opinião de Coimbra, os eleitores ainda aguardam a definição do candidato da oposição e dos demais candidatos, além dos movimentos de apoio. Mas, de qualquer maneira, Dilma precisa construir uma boa plataforma e apostar no carisma e na capacidade de convencimento do presidente Lula. “Ainda é cedo, mas a campanha de Dilma certamente precisa de muito mais do que um bom time de marqueteiros”, avalia Coimbra.

Embora filiado ao PSDB, o cientista político Antônio Lavareda concorda com Coimbra: o problema de Dilma, diz ele, não é de marketing, mas, sim, ser desconhecida de quase 70% da população. Lavareda explica que somente no segundo semestre a ministra terá exposição suficiente. “O problema dela não é marketing. É de voto. E voto não é pacote que se transfere de dono. Lula não poderá dizer:

‘Vocês que gostam de mim, passem a gostar dela.’ Não é assim”, explica Lavareda. Uma coisa é certa: Dilma precisa acumular forças para enfrentar o primeiro teste de urnas de sua vida. Por orientação do presidente Lula, ela sairá de férias no próximo dia 23 e só voltará no dia 10 de janeiro. Refeita e com novo ânimo para o embate eleitoral.

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