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Profissionais da saúde de Foz e CDE temem colapso no sistema com a reabertura da Ponte da Amizade

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A Dra. Idalia Medina, presidente da Associação de Médico de Alto Paraná, questionou a decisão da abertura da fronteira com o Brasil, medida que foi tomada esta semana pelo governo depois da presão de grupos de Ciudad del Este e que já se efetivará na próxima semana. A médica sustenta que isso pode levar a um aumento de casos de covid-19.

Em entrevista a ABC Color, a doutorora disse que o governo devidiu abrir a fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu “praticamente sem nenhum controle”. Além disso, ela recordou que no princípio, se falava em uma abertura controlada e que permitiria a incorporação gradual do trânsito de pessoas entre os dois países, mais isso ficou esquecido, depois da pressão dos comerciantes da região.

“Lastimosamente, mudaram de parecer e, por causa da pressão de um setor, ficou dito que irá ser para todos. Isso nos preocupa, eles falam que há leitos vazios, mas a ocupação dos leitos continua” afirmou.

Medina contou que o aumento de casos de Covid-19 em Alto Paraná se deu em coincidência com a abertura dos comércios, entre julho e agosto. É por isso que teme a possivel liberação indiscriminada da travessia na fronteira possa causar estragos na saúde da população.

A médica também alerta a população para que “não se enganem” a respeito da reativação da economia.

“Eu entendo que as pessoas estão fartas, mas não devem se enganar. A reabertura da ponte não reativará completamente a economia, provavelmente as pessoas vão continuar como estão (…) de coração, esperamos que isso (a reabertura) tenha resultados. Mas, eu, nada tenho a festejar”, ressaltou.

Colapso no Sistema de Saúde

De acordo com o promotor do Ministério Público (MP), Luís Marcelo Mafra, a abertura da Ponte Internacional da Amizade pode colapsar o sistema de saúde de Foz do Iguaçu, em especial na ala de atendimento aos pacientes com Covid-19.

“Precisamos tratar isso de uma forma muito responsável, para que não paguemos o preço alto por um eventual descompasso na saúde”, declarou.

“Eu alertei nesta manhã (quarta-feira, 23), ao grupo de enfrentamento à Covid-19 em Foz do Iguaçu que necessitaremos de um rígido controle para o ingresso de brasileiros que estejam no Paraguai”, alertou o promotor. A medida, de acordo com ele, vale mesmo aos paraguaios, “que estejam em território nacional”, acrescentou.

“A duras penas nós ainda não vivenciamos um colapso na saúde de Foz do Iguaçu”, reiterou Mafra.

Até o momento, para que o sistema não viesse a colapsar, o prefeito Chico Brasileiro (PSD), foi criando novos leitos e com isso garantiu que todos os pacientes pudessem ser atendidos, tanto no Hospital Municipal Germano Lauck, com apoio do Hospital Costa Cavalcanti, mantido pela Itaipu.

“Não sou contra a abertura da ponte, no entanto, se esses protocolos não forem seguidos, isso tudo pode se perder”, alertou o promotor.

Plano Sanitário

Durante a entrevista no programa Contraponto na quarta-feira (23), transmitido pela Rádio Cultura, o prefeito Chico Brasileiro comentou o alerta do promotor Mafra. De acordo com ele, por se tratar de um assunto da esfera federal, não procurou o Ministério Público local para tratar da questão.

“Participei de duas videoconferências com as autoridades paraguaias e inclusive amanhã (hoje, 24) devo ter uma reunião com o doutor Mafra e vou dar os informes do que estamos acompanhando”, adiantou.

O prefeito informou que tem apontado, nas reuniões via vídeo, que a posição de Foz do Iguaçu sobre a abertura é apenas quando o Paraguai apresentar um plano sanitário que contemple cuidados preventivos e assistências da Covid-19.

Redação e ABC Color

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