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Professores brasileiros têm salário adequado e benefícios acima da média, diz Banco Mundial

23 de novembro de 2017
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“O piso salarial dos professores brasileiros está em linha com o que é pago em outros países com renda per capita similar. No entanto, os salários dos professores no Brasil aumentam rapidamente após o início da carreira. Devido às promoções automáticas baseadas nos anos de serviço e da participação em programas de formação, em 15 anos de carreira os salários se tornam duas a três vezes superiores ao salário inicial, em termos reais. Essa evolução supera significativamente a maioria dos países no mundo”.

Este é um trecho de um estudo do Banco Mundial divulgado nesta terça-feira, 21, objeto da matéria de Gabriel de Arruda Castro e Filipe Albuquerque na Gazeta do Povo. Os dois repórteres escrevem que a premissa que liga a falta de qualidade de ensino aos salários mal pagos dos professores pode estar errado, conforme o estudo do Bird.

Os jornalistas apontam um segundo aspecto destacado no relatório são as vantagens oferecidas aos professores dentro do sistema de previdência.”Vale destacar que os professores brasileiros têm direito a planos previdenciários relativamente generosos quando comparado a outros países da OCDE. Essa generosidade dos benefícios previdenciários é muito superior aos padrões internacionais”, adiantam.

De acordo com o relatório, é possível aumentar a qualidade do ensino fundamental em 40% e a do ensino médio em 18% sem aumentar as despesas com educação. Bastaria elevar a eficiência na aplicação dos recursos e acabar com o desperdício.

Problema de gestão – Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília, conversou o jornal e concordou com as linhas gerais do estudo: “Existe um problema de gestão gigantesco. Não é pequeno, é gigantesco. Sem resolver isso, nem vale a pena botar mais recurso, porque existe a chance de ele ser mal aplicado”, avalia.

Para o especialista, há ainda outros tabus que precisam ser enfrentados no universo educacional no Brasil, que passam pela questão pedagógica. Entre eles, o tamanho das salas de aula. “Na Ásia, você tem turmas grandes com resultados muito bons”, pondera. “Isso tudo são propostas. Se você leva isso para uma escola, te acusam de fascista”, diz.

O documento do Banco Mundial também afirma que a profissão é desprestigiada, mas aponta outras explicações para o problema: a pouca seletividade na contratação desses profissionais e a falta de uma relação entre o salário e o nível de desempenho do professor.

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