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Parque de Foz do Iguaçu recebe aves para programa de reprodução

Parque recebe aves para programa de reprodução

Exemplares de Mutuns-de-Alagoas chegaram a Foz do Iguaçu para iniciar programa inédito no país. No último final de semana o Parque das Aves recebeu 10 casais do Mutum-de-Alagoas (Pauxi mitu), uma espécie endêmica da Mata Atlântica nordestina em extinção na natureza. O programa insere o zoo numa ação inédita de integração ao Programa de Reprodução da ave.

As aves foram alojadas em viveiros especialmente construídos, fora da área de visitação. “O Parque das Aves será o primeiro zoo do mundo a manter a espécie, e colaborar para sua recuperação”, confirmou a diretora técnica Yara Barros. De acordo com ela, o ICMBio elaborou um Plano de Ação para a espécie, do qual o Parque das Aves é parceiro.

“O Plano de Ação Nacional para a Conservação do Mutum-de-Alagoas tem como objetivo geral assegurar permanentemente a manutenção das populações em cativeiro desta espécie, promover o aumento tanto do efetivo populacional quanto o número de populações e propiciar a reintrodução da espécie nos remanescentes florestais dentro de sua provável área de distribuição original”, explicou.

O convite à integração feito á empresa iguaçuense, segundo a diretora, veio devido à experiência na reprodução de aves desta família (Cracídeos) já realizadas no espaço. “A instituição tem bastante sucesso reprodutivo com uma outra espécie de mutum também ameaçada, o mutum-do-sudeste”.

As aves foram enviadas ao Parque das Aves pela Crax – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre, um criadouro em Minas Gerais, próximo de Belo Horizonte, onde são mantidas pelo especialista na reprodução desta espécie, Roberto Azeredo.

Uma equipe do Parque se deslocou no último dia 18 para o traslado. A viagem foi feita de carro em um veículo especialmente adaptado para o transporte das aves, que foram acondicionadas em caixas individuais, permitindo que viajassem com segurança e conforto. Os esforços de reintrodução, de acordo com Yara devem começar em breve.

Histórico

O Mutum-de-Alagoas, teve seu habitat destruído devido ao desmate de florestas para a o plantio de cana-de-açúcar. A dizimação da espécie foi confirmada com a ação de caçadores. No final de década de 70, três últimos exemplares selvagens foram resgatados antes da derrubada total da mata, pelo criador carioca Pedro Mário Nardelli. Começava então um esforço para reproduzir a espécie em cativeiro.

Hoje a esperança de sobrevivência da espécie depende de um esforço multidisciplinar que envolve um programa de reprodução em cativeiro, a urgente proteção e recuperação de áreas de Mata Atlântica no Nordeste e a conscientização das populações nos locais onde a espécie será reintroduzida. Existem atualmente 230 animais em cativeiro, em dois criadores particulares: A Crax, Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre e o Criadouro Poços de Caldas.

Por questões de biosegurança, serão estabelecidos novos Centros de Reprodução, para o aumento da população em cativeiro, e só assim dar início ao programa de reintrodução da espécie em sua área original de ocorrência. Além do parque das Aves foram convidados a integrar o projeto: os Zoos de Bauru e Sorocaba.