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Página virada

Página virada

Ademar Traiano

A sentença do Tribunal Regional Federal da 4ª Região da quarta-feira, 24 – que condenou Lula por unanimidade e aumentou sua pena em 3 anos – caiu como uma bomba nuclear sobre o Partido dos Trabalhadores. Os piores pesadelos do PT se tornaram realidade.

O PT esperava que Lula chegasse a fase de inscrições de candidaturas no TSE em condições muito menos dramáticas. Uma expectativa amarrada a esperança de uma sentença menos fulminante. Com a unanimidade, e o agravamento da pena, o cenário se tornou desesperador.

Os embargos de declaração, usados para esclarecer pontos da sentença (extremamente didática, proferida pelos juízes de Porto Alegre), foram os que restaram ao PT em termos de recursos. Eles devem ser julgados em dois meses, fazendo com que o caso se encerre em abril. A partir daí a prisão do ex-presidente será possível e provável.

A unanimidade enterrou a possibilidade de que Lula apresentasse embargos infringentes, viáveis quando há divergência a favor do réu na votação. Isso só aconteceria se um dos juízes votasse a favor da absolvição. Nesse caso o processo se arrastaria até a metade do ano permitindo o registro da candidatura e jogando a questão para esfera política. O PT sonhava com esse cenário que não está mais ao seu alcance.

O Brasil, que luta para sair de uma crise gravíssima, em caso de um resultado ambíguo em Porto Alegre, poderia ser obrigado a enfrentar uma campanha eleitoral em que fatos criminais prevalecessem sobre ideias e projetos. Agora não mais. Uma campanha que jogaria o país na incerteza e na radicalização.

A unanimidade da sentença de Porto Alegre, a firmeza e clareza com que os juízes se dirigiram ao país, liquida a possibilidade de uma candidatura de Lula. A luta dos petistas agora é de outra natureza. Brigarão para evitar que seu líder venha a ser preso.

As reações do país a condenação de Lula são eloquentes. Mostram uma nação que deseja sair da crise e exorcizar seus fantasmas políticos. No mercado financeiro o dólar caiu e as ações subiram. Sinal seguro de que o fim do impasse judicial e político chamado Lula é parte crucial da solução da crise econômica legada pelo PT em suas gestões desastrosas.

Entre os aliados do PT, outra demonstração de que a realidade nada tem a ver com os delírios das lideranças do partido. Em lugar do fogo e fúria prometidos, com grande irresponsabilidade, pela senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido, o que se viu foi desânimo e conformismo.

A partir do primeiro e esmagador voto condenatório, do desembargador curitibano João Pedro Gebran Neto, os militantes mobilizados por sindicatos e federações começaram a levantar acampamento. Mais sábios que seus líderes, se deram conta do significado daquele momento.

O dia do julgamento foi marcado por poucos militantes nas ruas. Contrariando ameaças delirantes dos que acreditavam que o PT teria potencial para incendiar o país, não houve nenhuma confusão. Nada de greve geral, nenhum sinal de rebelião nas ruas. As manifestações a favor e contra o petista foram pequenas e pacíficas.

Lula é, desde quarta-feira, uma página virada na política brasileira. Seu protagonismo a partir de agora deve se limitar a feitos pouco edificantes na esfera judicial. A candidatura presidencial de Lula saiu do radar. Ela frequenta agora apenas a fantasia dos crédulos ou o discurso dos mal-intencionados.

Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná