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Outro mundo é necessário

Outro mundo é necessário

Nelton Miguel Friedrich

O Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) é um convite a uma profunda reflexão para cada habitante da Terra, face ao seriíssimo desafio que está colocado para a humanidade.

Em maior ou menor grau, todos já sabemos que o planeta Terra – nossa casa comum – está enfermo. Os desequilíbrios socioambientais não são apenas coisas de “relatórios de cientistas” ou catastrofistas. São evidências concretas sentidas – e sofridas – em todos os cantos do mundo. E tudo tende a ficar cada vez pior, a menos que…

Aí estão a destruição da camada de ozônio; o aquecimento global; o esgotamento de reservas de água potável; o aumento da poluição das águas, da atmosfera e dos solos; o aumento do lixo; extinção massiva de espécies animais e vegetais; desmatamento; erosão; desertificação; exaustão e degradação de terras cultiváveis; padrões dominantes de produção e consumo causadores de devastação ambiental; injustiça, pobreza, ignorância e conflitos violentos se intensificando e causando grande sofrimento.

Tudo seria simplesmente desesperador se não tivéssemos possibilidade alguma de contornar a situação. Felizmente, ainda temos, como garantem os mesmos cientistas que alertam para o perigo. Se, contudo, a desperdiçarmos, será o inferno na Terra – não em futuro remoto e incerto, mas logo ali adiante, na pele de cada habitante do planeta.

Colocam-se, então, duas questões: De quem é a responsabilidade pelo deplorável estado de coisas que se estabeleceu? E de quem será a responsabilidade pela mudança salvadora? Simples. A resposta para as duas perguntas é “de todos” – da humanidade em geral e de cada indivíduo em particular, mesmo que em graus diferentes. A ninguém é dado fugir do problema ou jogá-lo às costas dos outros.

Um novo mundo não é apenas possível; é necessário. Sua construção é tarefa de cada um. Cada ser humano tem que colocar seu tijolo nessa construção. Ou será que governos, algum país, grandes empresas, instituições renomadas “darão um jeito”? Evidentemente, eles todos têm papel fundamental, mas igualmente fundamental é o papel de cada pessoa.

“Não é só por intermédio dos negócios e governos, mas também, possivelmente mais importante, por intermédio da ação e do suporte generalizados dos indivíduos que a restauração e a preservação do meio ambiente podem ser conquistadas”, afirma a ambientalista japonesa Wakako Hironaka, integrante da Comissão da Carta da Terra.

A propósito, para quem tem dúvidas sobre seu papel nessa missão salvadora, a Carta da Terra é, provavelmente, o guia mais sábio disponível. “A poderosa e abrangente mensagem que a Carta da Terra contém precisa ser internalizada por todas as pessoas e traduzida em ação em sua vida diária”, recomenda Wakako, sabiamente.

Da Carta da Terra surge o conceito, a doutrina da Ética do Cuidado, fundada no princípio de que QUEM AMA CUIDA – cuida do solo, da água, do ar, da natureza das pessoas, da comunidade de vida.

Precisamos estar preparados para pagar o preço da salvação do nosso (único) planeta. Não basta cobrar dos outros, achar que “alguém deve fazer alguma coisa”. A sociedade e cada um de seus integrantes têm que fazer alguma coisa, dispor-se a mudar hábitos e abrir mão de certos confortos, fazer a ponte entre o falar e o agir.

O outro mundo, que não só é possível, mas necessário, só será edificado com um novo jeito de ser, viver, produzir e consumir. Exige uma nova cultura de relacionamento entre os seres humanos e destes com a natureza, movido a solidariedade, cooperação e cuidado mútuo. As atitudes necessárias são em geral simples: conservar, não desperdiçar, reciclar, viver com menos, evitar o supérfluo, usar menos o carro, dar destino correto ao lixo, ser benevolente, cooperativo, compartilhar, amar e cuidar, viver e agir em favor da esperança e de um futuro comum da Terra e da Humanidade, como nos propõe Leonardo Boff. 

Nelton Friedrich, diretor de Coordenação da Itaipu Binacional

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