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O mito de Robin Hood

21 de outubro de 2017
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Ademar Traiano

A propaganda foi tão massacrante, e eficiente, que a maioria das pessoas, mesmo as que não comungam com o ideário lulista, tende a acreditar piamente que, durante o ciclo petista, não obstante todo o espantoso rol de ilícitos, teria havido uma sensível melhora nas condições de vida dos mais pobres no Brasil.

Entretanto, uma olhada no gráfico que representa a participação dos 50% mais pobres na renda nacional, entre 2001 e 2015, registra uma linha reta quase perfeita. Nenhuma oscilação significativa, nem mesmo um solavanco. Durante os anos do PT a participação dos mais pobres no bolo da riqueza não sofreu o qualquer incremento digno de nota.

Para piorar as coisas, a constatação de que o PT não reduziu em nada a pobreza que alega ter combatido, com tanto engenho e arte, não vem de alguma suspeita fonte direitista. O diagnóstico é de ninguém menos que do economista francês Thomas Piketty, novo xodó das esquerdas, inclusive do PT, autor do best-seller “O Capital no Século 21”, um título que, não casualmente, emula o clássico “O Capital”, de Karl Marx.

De acordo com o trabalho, realizado pelo World Wealth and Income Database, instituto de pesquisa dirigido por Piketty, a fatia na renda brasileira dos 10% mais ricos da população passou de 54% para 55% durante o ciclo petista.

Enquanto isso, apesar da discurseira, da propaganda e dos testemunhos dos crentes, nas gestões Lula e Dilma, os 50% mais pobres viram sua participação na riqueza nacional oscilar 1% – 11% para 12%. Se os ricos e os pobres mantiveram o seu quinhão, a classe média, que representa 40% da população, empobreceu. Ela viu sua parcela de participação na riqueza cair de 34% para 32%.

É um triste resultado para governos e para um partido que costuma invocar para si a capacidade de incorporar Robin Hood (rouba dos ricos para dar aos pobres) e acusa todos os demais de insensibilidade e aversão aos mais pobres.

Ao longo de 13 anos, utilizando muito cinismo e os mais caros marqueteiros que o dinheiro pode comprar, o PT construiu um mito, que sobrevive aos seus escândalos. O mito que, a despeito de tudo o que acontecia nos bastidores do governo, deu largos passos para combater a desigualdade no Brasil. Esse mito desmorona nas mãos de um estudioso com as mais impecáveis credenciais esquerdistas.

Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB do Paraná.

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