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O futuro não demora

A resposta de Foz do Iguaçu frente à retomada do desenvolvimento socioeconômico pós-pandemia

Pedro Rodrigues

Num momento em que o mundo ainda assiste atônito as consequências sociais e econômicas causadas pelo avanço global do novo coronavírus, Foz do Iguaçu figura entre as centenas de cidades brasileiras diretamente atingidas pela doença que, em menos de seis meses, impôs ao planeta o que se convencionou chamar de “o novo normal”.

Graças a Deus e aos cuidados sanitários administrados pela prefeitura, com apoio fundamental da grande maioria da população e do empresariado local, a cidade tem conseguido retardar a velocidade de contágio da doença.

Desde de 18 de março, data em que foi registrado o primeiro paciente da covid-19, Foz do Iguaçu teve até final de maio, 128 casos confirmados e três óbitos. Números que evidenciam o acerto da gestão do prefeito Chico Brasileiro, que tem como prioridade salvar vidas.

O remédio para controlar o coronavírus trouxe efeitos colaterais fortes. Em paralelo às ações para garantia do isolamento social dos iguaçuenses, tão necessário ao combate à proliferação do vírus, a cidade recebeu um duro golpe no pilar central de sua base econômica: o turismo.

Diante do fechamento das fronteiras com Paraguai e Argentina, o cancelamento e suspensão de milhares de passeios nos atrativos e estadias em hotéis, pousadas, Foz do Iguaçu encerrou o primeiro quadrimestre deste ano com 12.132 demissões, frente a 8.375 admissões. Um saldo negativo de 3.757 vagas de emprego.

Divulgado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) na última quarta-feira (27), o levantamento aponta que o desempenho negativo não foi exclusividade de Foz do Iguaçu, mas se repetiu também praticamente em todas as outras cidades do país.

A análise dos dados revela ainda que o maior volume de dispensas ocorreu entre os meses de março e abril, consequência direta da crise provocada pela pandemia. Os setores mais afetados foram o comércio de rua e o de prestação de serviços, hotéis, bares e restaurantes.

Para responder aos desafios impostos por este “novo normal”, já que ainda não temos perspectiva concreta de reabertura da fronteira, e tão pouco ideia de quando haverá vacina para essa doença, a união de diferentes setores que integram o poder público local resultou no programa “Acelera Foz”. A medida serve também no enfrentamento aos efeitos colaterais.

Fundamentado em sete eixos e com a união de oito instituições parceiras, a iniciativa vai garantir uma nova fase de crescimento ordenado da economia da cidade e região. Com base em obras estruturantes, em um plano estratégico de marketing para Foz do Iguaçu, na retomada econômica do turismo, educação e qualificação empreendedora, no incentivo à inovação e atração de investimentos, no apoio à produção e comercialização e em políticas públicas, a expectativa é da geração, em médio prazo, de 10 mil novos empregos.

O programa tem a coordenação estratégica da prefeitura, do conselho de desenvolvimento econômico e social, Itaipu Binacional, do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Sebrae, Programa Oeste em Desenvolvimento, Acif) e Conselho Municipal de Turismo.

A estimativa é de que sejam investidos inicialmente mais de R$ 22 milhões. Com o apoio de outros investidores, cerca de R$ 435 milhões deverão ser injetados para movimentar a economia local nos próximos três anos.

Todo este dinheiro será alocado em diversas frentes, como na construção da nova ponte entre Brasil e Paraguai, na ampliação da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional, no Mercado Municipal, na futura revitalização do Gramadão, em ciclovias e em estudos para a duplicação da Rodovia das Cataratas, entre outras.

Enquanto representantes do poder público, importante destacar que estamos cientes dos desafios colocados e preparados para reestruturar a base econômica de nossa cidade.

Mais que compartilharmos dados que levam à desesperança, acreditamos na resiliência e na capacidade de reinvenção de todos. O futuro não demora, e em Foz do Iguaçu ele já começou.

Pedro Rodrigues é jornalista e gestor público, diretor de Desenvolvimento Socioeconômico e Integração Regional na prefeitura de Foz do Iguaçu.