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O discurso reacionário e sua corruptela

Todo discurso reacionário, por mais talento que tenha o enunciante, não consegue uma expressão bela. Neste caso, o conteúdo e a forma estão em contradição irreconciliável. O passado somente sobrevive reapropriado pela memória, não pode ser belo, putrefazendo-se diante do novo como utopia recorrente.de Claudio Fajardo no artigo "O discurso reacionário e sua corruptela". Leia-o na íntegra em Reportagens

por 22:36 Sem categoria

O discurso reacionário e sua corruptela

O discurso reacionário e sua corruptela

Cláudio Fajardo
 
Todo discurso reacionário, por mais talento que tenha o enunciante, não consegue uma expressão bela. Neste caso, o conteúdo e a forma estão em contradição irreconciliável. O passado somente sobrevive reapropriado pela memória, não pode ser belo, putrefazendo-se diante do novo como utopia recorrente.

Mas há algo ainda pior do que o discurso reacionário: é o discurso reacionário corrompido. Aquele que, distorcido, desterrado, intempestivo, ecoa pelos vãos da periferia intelectual. Refiro-me ao mimetismo dos articulistas mercenários de plantão na província. Agora é moda eles repetirem monocordiamente o que um dia foi na matriz o discurso neoliberal. Pinço dentre tantos exemplos algo caro a essa gente rastejante.

Aqui, no Paraná, eles “acusam” o governador Requião de nacionalista, mobilizador e populista. O nacionalismo, como expressão política, apresenta-se de duas formas, como reacionário ou como progressista. O nacionalismo reacionário é o nazismo, o fascismo. O fascismo de Mussolini e o fascismo do ex-ministro do interior e atual candidato a presidente da França, o direitista Nicolas Sarkosi.  A outra forma são todos os movimentos de libertação nacional.

Tanto os movimentos anti-colonialistas como os atuais movimentos antiimperialistas. Ser nacionalista hoje, contra o domínio imperial norte-americano, é ser um progressista. Porque o progresso somente poderá ocorrer se nos livrarmos das amarras do capital monopolista privado que domina nossa economia sem levar em conta os interesses da nação. Ser mobilizador é também procurar engajar a ampla massa de compatriotas a lutarem no processo de emancipação.

Os dominadores detestam povo na rua. Querem o povo domesticado, em casa e no trabalho, para extrair-lhe a mais valia. É por essa razão que a “boca do trombone”  do serviçal do império troa contra a turba. E, finalmente, a questão do populismo. O fenômeno do populismo denunciado por Lenine é bem diferente do conceito de populismo repetido por porta vozes acadêmicos do império e ecoado pelas espécies rastejantes de jornalistas provinciais. O populista para o império é o popular para as nações em processo de emancipação.

Não há escárnio, por mais que avance a linguagem, capaz de retratar a posição dos que se põem, para bancar a pobre vida, a vender a sua capacidade mimética para os repetidores do discurso reacionário.
 
Cláudio Fajardo é sociólogo e diretor da Biblioteca Pública do Paraná

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