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Notícias dos Vizinhos : A CARIBENHA VENEZUELA DESAFIA O MERCOSUL A SUPERAR VALORES NEOLIBERAIS

Notícias dos Vizinhos : A CARIBENHA VENEZUELA DESAFIA O MERCOSUL A SUPERAR VALORES NEOLIBERAIS

O Mercado Comum do Sul que tem como sócios plenos os sul-americanos Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, corre o risco de ficar sem o novo sócio caribenho, a Venezuela. O presidente venezuelano Hugo Chávez Frías, afirmou na reportagem de maior destaque da Agência Bolivariana de Notícias, pela Internet, dia 3:

– A Venezuela tem interesse em participar desse mecanismo de integração desde que o bloco se proponha a realizar as modificações que se fizerem necessárias para superar as características de uma instituição formada no seio do neoliberalismo que acabou se convertendo em mais uma forma de agrupar elites e poderes empresariais relegando ao último plano a integração entre os povos.

Incomodado com a falta de decisão durante última XXXIII Reunião de Cúpula de Presidentes e Ministros de Economia do Mercosul, realizada há poucos dias em Assunção, Paraguai, Chávez deu um ultimatum: se em três meses seu país não for incluído como membro pleno desiste do protocolo de adesão que assinou no ano passado, pois considera que não existe qualquer razão ideológica, política, econômica, que impeça a Venezuela de fazer parte do bloco. (Agência Bolivariana de Notícias, VE)

Apocalipse e panos frios

Chávez não acredita que os países que formam o Mercosul tenham vontade de democratizar o bloco a julgar pelas declarações do ministro brasileiro Celso Amorim, de Relações Exteriores. O ministro disse que a Venezuela será rapidamente incluída no Mercosul se cumprir as condições exigidas.

“Nós também esperamos que os países cheguem a um consenso sobre a nossa adesão. Não é possível que a Venezuela seja simplesmente uma figura sem voz nem voto nas decisões que tomam no âmbito do Mercosul, pois isso não é integração”, explicou o presidente caribenho. Ele lembrou os projetos que a Venezuela está incentivando: Banco do Sul, Petrosul, Bônus do Sul, programas sociais de saúde e alfabetização, convênios bilaterais de cooperação.

Em São Paulo, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva comentou que “se o presidente Chávez acredita que não vale a pena entrar para o Mercosul será uma decisão soberana. O Brasil e o bloco não terão nenhum problema, pois vivemos até agora sem a Venezuela”.

Silenciosa e sigilosamente, o governo da Argentina busca colocar pano frio nas discussões. Assessores do Ministério de Relações Exteriores do país vizinho disseram que “é preciso evitar as interpretações apocalípticas e respeitar sem intromissões as posições de cada país no processo de integração que está em marcha. Dissidências existem em todos os blocos regionais, mas é preciso não perder a calma”. (Agência Bolivariana de Notícias, Pagina 12 e La Nación, AR)

Com as próprias pernas

Enquanto o governo federal cumpre um papel regulador, os Estados, Municípios, movimentos sociais, regiões de fronteira, comunidades, devem buscar a independência, caminhar com as próprias pernas, defende o diplomata Sérgio Couri, ministro chefe do escritório do Itamaraty no Paraná.

Em defesa desta proposta uma mesa de debates sobre Cooperação Intra-Regional Social Descentralizada foi por ele organizada em conjunto com o Codesul, Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul, de forma complementar à Chamada Geral para o Fórum Social do Mercosul, em Curitiba, entre os dias 5 e 7. Os debates sobre o tema, acontecem neste dia 6, entre às 10 e 12 horas, na sede do BRDE, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, de Curitiba.

A abordagem foi subdivida em tópicos sobre O Papel Descentralizador do Governo Federal, pelo professor Vicente Plá Trevas, subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, A Ação dos Estados e Municípios, por Santiago Martín Gallo, advogado e secretário do Codesul-Paraná. A Ação das Áreas de Fronteira é tema para o engenheiro-agrônomo Jorge Miguel Samek, diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional e A Agenda Sócio-Econômica do Erepar, é abordada pelo diplomata Sérgio Couri, ministro-Chefe do escritório do Ministério de Relações Exteriores do Paraná. A moderadora é Lygia Lumina Puppato, reitora da Universidade de Londrina.

– O Mercosul não é apenas um eixo comercial, é uma teia, na qual os atores regionais têm um papel fundamental. As bases devem ser estimuladas a agir por si e não a contar apenas com o governo central, explicou o diplomata.

Solidariedade e vizinhança

O governador do Paraná, Roberto Requião, recebeu o título de cidadão honorário do Estado de Santa Catarina, também do Sul, por tomar a iniciativa de ajudar o Estado vizinho durante catástrofe provocada por fortes enchentes.

Requião disse que é uma atitude natural ajudar os vizinhos e fez um alerta para que a população passe a entender que a maioria das empresas de comunicação de massa fornece informações de forma a fazer crer que não existe possibilidade de vida fora do círculo traçado pelos interesses do mercado.

“Que as nossas vidas e destinos são guiados pelas cotações das Bolsas, pelas notas da Moody’s, do J. P. Morgan, pelos humores dos especuladores, pela oscilação da temperatura em Nova York, Tóquio, Xangai ou Frankfurt”.

Reagir, disse o governador do Paraná, “é uma questão de humanidade, decorrente da nossa condição de seres humanos e a globalização, à medida que ao mercado interessa tão-somente o lucro, é a barbárie, é a anticivilização”. (AEN, PR)

 

Vacina e cinema

Foi a Biogénesis Bagó Saúde Animal Ltda., empresa argentina com filial no Paraná, que garantiu que os cinco filmes exibidos em Curitiba, durante a Mostra de Cinema Argentino, realizada entre os dias 28 de junho e 2 de julho, tivessem tradução e legendas em português.

O objetivo foi difundir diferentes realidades do país vizinho e em alguns casos universais, nos filmes La Demolición, Una Estella y Dos Cafés, SED, Invasión Gota a Gota, Hermanas, El Perro.

– Faz parte da filosofia da empresa patrocinar atividades culturais, mostrando que a Argentina não é só tango nem apenas Buenos Airees, diz um dos gerentes no Brasil, Sérgio Gabriel de la Cruz. A mostra foi realizada no espaço cultural do Sesc da Esquina, teve o apoio do Governo do Paraná, do Codesul, do Ministério de Relações Exteriores da Argentina.

A mais famosa vacina que a Biogénesis produz é contra a febre aftosa, mas embora o Mercosul teoricamente seja um mercado de livre circulação em todos os sentidos, trazer a vacina ao Brasil seria “importação”, o que ainda não foi autorizado. Mas como oferece outros produtos vende, entre eles, uma vacina para evitar abortos naturais em vacas prenhes.

Com filiais também no México e Uruguai, a empresa de saúde animal tem como símbolo um moinho, por ser uma clara imagem de movimento. Instalou-se inicialmente em Londrina – pois está voltada ao meio rural – mas como todos os trâmites burocráticos tinham que ser feitos em Curitiba, reinstalou o escritório nesta cidade do Sul do Brasil.

 

Inestimável valor

Investir em cultura é de um valor inestimável porque com muitos ou poucos recursos é possível seguir em frente e se o dinheiro acaba o que foi promovido fica com as pessoas, observou o ator, diretor de teatro e consultor do Ministério de Relações Exteriores da Argentina, Jorge Paccini.

Ele esteve em Curitiba durante a Mostra de Cinema Argentino onde foi visto como um dos atores do filme La Demolición, que fala sobre a relação entre o papel do trabalho e a dignidade humana, como impulsor dos debates e incansável para explicar as características de seu país, ao lado do cônsul adjunto em Curitiba, Carlos Sánchez Vargas.

Paccini ressaltou que seu país dificilmente é lembrado por regiões de cordilheira como aparece em Jujuy, no filme Una Estrella y Dos Cafés. A Argentina produz aproximadamente 50 filmes ao ano e seus produtores e diretores podem recorrer a vários tipos de financiamento junto ao INCAA, o Instituto Nacional de Cinema Argentino.

– A cultura é como a água. Vai se infiltrando por todos os espaços.

Fonte: Pesquisa, tradução e texto: Radar Latino-Americano/Secretaria de Estado da Comunicação Social do Paraná.

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