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MST espera apuração do caso urnas eleitorais na fazenda de Janene

MST espera apuração do caso urnas eleitorais na fazenda de Janene

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) aguarda que as investigações da Justiça esclareçam à sociedade o caso das urnas eletrônicas falsas encontradas na fazenda Três Jota, no distrito de Guaravera, em Londrina, do deputado federal José Janene (PP-PR).

Os cerca de 700 Sem Terra, acampados na área desde a última sexta-feira (15), ficaram surpresos ao encontrar no local urnas eletrônicas, cartazes de campanhas políticas, bonés e fitas de vídeos do deputado federal.

As urnas desse tipo são utilizadas para o treinamento de eleitores para votar em candidatos para o legislativo e para o executivo. A sociedade está indignada com esse tipo de procedimento, que desrespeita a legislação eleitoral e ameaça a democracia no país. A atividade parlamentar e a vocação política devem estar a serviço da população e do desenvolvimento do país, a partir do cumprimento da Constituição, não para a obtenção de benefícios pessoais.

Diante da gravidade dos fatos que envolvem o deputado Janene, o MST espera que os tribunais eleitorais investiguem mais esse crime e que, além disso, as terras adquiridas por meio de dinheiro da corrupção sejam destinadas à reforma agrária. O deputado federal Janene deve perder o mandato, os
direitos políticos e devolver o dinheiro desviado aos cofres públicos.

Contexto – José Janene é acusado de ser beneficiário de R$ 4,1 milhões sacados pelo seu assessor, João Cláudio Genu, das contas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. O deputado é réu em 13 ações civis públicas na Justiça paranaense.

Ele estava falido e suas empresas declararam rendimento zero à Receita Federal antes da eleição para deputado em 2002. Depois, entre 2003 e 2004, ele e sua mulher, Stael Fernanda, se tornaram proprietários de 10 fazendas no Paraná. Outros imóveis e uma frota de carros importados avaliados em
cerca de R$ 7 milhões também foram adquiridos.

Também há 11 inquéritos e uma ação penal contra o parlamentar no STF (Supremo Tribunal Federal).  Os bens de Janene, de sua mulher e de dois assessores (Meheidin Jenani, primo do parlamentar e Rosa Alice Valente) foram bloqueados pela Justiça pela 2ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba.

Na Câmara dos Deputados, Janene sofre um processo de cassação, que deve ir ao plenário apenas no próximo ano. Além disso, o deputado está tentando se aposentar por invalidez.

O MST ocupou a fazenda do deputado federal José Janene para denunciar o desvio de dinheiro público por políticos para o acúmulo de patrimônio e especulação imobiliária, especialmente fazendas.

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA

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