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Mercosul deve transpor fronteiras geográficas que dividem povos, diz Rosinha

Mercosul deve transpor fronteiras geográficas que dividem povos, diz Rosinha

O Mercosul deve buscar formas de transpor as fronteiras geográficas e alcançar a integração não só econômica, mas política e cultural. A avaliação é do vice-presidente do Parlamento do Mercosul, deputado federal Doutor Rosinha (PT-PR), ao participar em Curitiba da abertura da Chamada Geral pela Integração Latino-Americana, evento preparatório ao Fórum Social do Mercosul, que será realizado em janeiro de 2008 na capital do Paraná.

“Nosso objetivo é fazer o Fórum social. Não o econômico porque ele existe, não do comércio porque ele existe, mas é fazer com que ele não seja meramente comercial, é fazer com que a integração seja humanitária, solidária, que a integração seja cultural e política”, defendeu.

A integração, segundo Doutor Rosinha, deve ser completa. “De forma quando olho do outro lado eu passe a não enxergar mais o outro lado como outro, ou seja, que nós construamos uma integração onde as fronteiras sejam borradas”, orientou.

O vice-presidente do Parlamento do Mercosul afirma que sua tese está embasada na cultura da nação avá-guarani, indígenas que residem principalmente na região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Doutor Rosinha contou que foi procurado por lideranças da aldeia, que se queixavam da construção do Lago de Itaipu, na região Oeste do Paraná.

Território – “Eles tinham perdido a terra e a direção da Itaipu negava isto. Fui até a reserva de Ocoí e numa reunião eles começaram a dizer que tinham pouca terra porque eram muitos”. A informação, segundo ele, era constatada pela empresa. Doutor Rosinha relatou que indagou como isso era possível. “Ele (cacique) era quando o parente vem”.

Pelos costumes dos avás-guaranis, quando um parente chega para visitar, pode permanecer o tempo que quiser, antes de retornar ou seguir para visitar outros parentes. Doutor Rosinha relatou que a princípio estranhou muito a conversa com o líder da aldeia. “Lógico, minha cultura é branca”.

“Quando vou fazendo este diálogo me cai à ficha: avá-guarani – nômade. Então, se ele é nômade está num local que não tenha fronteira geográfica. Todos eles são guaranis, independente de que lado da fronteira esteja sendo o Paraguai ou não”, afirmou.

Quem colocou a fronteira geográfica foram os brancos “e não eles”, afirmou. Doutor Rosinha ressaltou que usou o exemplo dos indígenas do Ocoí – aldeia localizada na orla do Lago Itaipu, em São Miguel do Iguaçu – para mostrar que a fronteira geográfica é um limitador. “Quando vamos discutir a construção do Mercosul, qual é o objetivo nosso senão borrar estas fronteiras geográficas?”, indagou.

Construção – Na avaliação do parlamentar, o movimento por trás do Fórum Social do Mercosul, tem o objetivo de tirar construção do Mercosul de dentro dos parâmetros econômicos e financeiros e trazer para a sociedade com uma identificação política. “É este o objetivo deste nosso encontro e espero que possamos dar mais um passo em cima de todos aqueles que demos no passado”.

Ele defendeu que o Parlamento do Mercosul seja a instância onde as cidadanias estejam representadas. “Porque hoje o comércio é bem representado e o cidadão não existe. Então, que nós tenhamos um ótimo Fórum e que este evento seja este passo adiante e com absoluta certeza vamos apagar todas as fronteiras, porque o humano é superior ao risco do chão onde diz que lá é o outro e eu estou do lado de cá”, encerrou.

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