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MENSAGEM DE APOIO PELO FIM DA OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA DE JORNALISTA

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná convoca todos os jornalistas, estudantes e professores de Jornalismo, bem como trabalhadores de outras categorias, para que tomem parte do ato que será realizado na próxima terça-feira, dia 31, às 11h, na Boca Maldita, em Curitiba, em defesa da formação superior específica para o exercício da profissão.”

Eu, que lá não estarei no dia, deixo aqui minha mensagem de apoio aos colegas que também não estarão lá. Não acho que o diploma de jornalista qualifique alguém para escrever. A maioria dos recém-formados que conheci, inclusive eu, não tinha preparo para cair de cabeça na reportagem e, em muitas vezes, não sabia sequer fazer um lead. Não estou falando de todos, só da maioria.

Do mesmo modo, não há por que não contratar um profissional de outra área e que escreva bem só pela falta de diploma. Aposto que existem médicos, economistas, cientistas e historiadores que escrevem muito melhor que a maioria dos jornalistas formados. Se há uma vaga para repórter em um veículo, por exemplo, ela deveria ser preenchida pelo mais habilitado, independente de sua formação. Jornalismo não é medicina. A “abertura do mercado” só elevaria o nível da imprensa e acabaria com muitos cursos falcatruas por aí.

“Derrubar a exigência de formação superior específica em Jornalismo é algo que só interessa aos donos de veículos de comunicação, que, sem ela, teriam um poder ainda maior de controle dos jornalistas e de manipulação da mídia”, afirmou Dr. Rosinha.

Hein? Sério, é o tipo de argumento que não consegue convencer ninguém. De que maneira o diploma me protege do “controle” e da “manipulação”? Confesso que acompanho há alguns anos este tipo de discussão e, até hoje, não consegui encontrar algum argumento que me faça acreditar na necessidade do diploma. Curso de jornalismo deveria ter, no máximo, seis meses de duração. O resto é enrolação.

Para pensar: diploma não é obrigatório na Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Polônia, Reino Unido, Suécia, Suíça e tantos mais.

No Brasil, a não obrigatoriedade deve começar a ser discutida na próxima semana no STF.

Do blog Sobre Nada, de Ewandro Schenkel – ewandros@rpc.com.br

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