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Lucro sem concorrência

24 de fevereiro de 2018
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Lucro sem concorrência

Notória, concentração é a mazela mais difícil de enfrentar do setor bancário

Editorial, Folha de S. Paulo

Em 2017, o lucro dos bancos Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil atingiu R$ 64,9 bilhões, alta de 21% em relação ao ano anterior – Fernando Frazão – 24.jul.2012/Folhapress

Entre os muitos fenômenos peculiares da economia brasileira, um dos que mais chamam a atenção é a lucratividade dos bancos, sempre bem acima das observadas em outras atividades e nas comparações internacionais.

Em contraste com o que costuma acontecer no restante do mundo, aliás, aqui parece fazer pouca diferença se há prosperidade ou recessão. Nos dois casos, as instituições financeiras têm apresentado bom desempenho.

Em 2017, os resultados de quatro grandes bancos —Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, que concentram 60,3% dos ativos do sistema— bateram novos recordes. O lucro conjunto atingiu R$ 64,9 bilhões, em alta de 21% sobre o ano anterior, com o impulso da menor inadimplência.

A queda de 13,75% para 7% ao ano da taxa Selic, do Banco Central, ajudou a reduzir os juros das operações de crédito bancário. Estes, porém, mantêm-se em patamares absurdos, de 55% na média.
Muito já se sabe sobre as razões para os ganhos elevados dos bancos e a desproporcionalidade em relação às demais empresas.

A partir dos diagnósticos mais consensuais, há um bom número de propostas para reforçar a concorrência e a democratização do crédito —uma agenda que ainda caminha a passos lentos.

A concentração no setor é uma das mazelas mais notórias, porém também a mais difícil de enfrentar —ela cresce há décadas, à medida que os gigantes absorvem instituições médias e pequenas.

De todo modo, cumpre incentivar a entrada de novos participantes, muitos ancorados em inovações tecnológicas. Ademais, o cadastro positivo garante ao consumidor a plena posse e uso de seu histórico de crédito.

Para a redução das taxas, o foco são melhorias institucionais que reforcem a qualidade das garantias entregues pelos devedores. A adoção da duplicata eletrônica e ajustes na lei da recuperação judicial, por exemplo, tendem a facilitar o acesso de pequenas e médias empresas ao canal bancário.

Por fim, há que reduzir o descabido volume de crédito concedido com taxas tabeladas por lei, como os financiamentos do BNDES. Como uma meia-entrada no cinema, essa aparente bondade implica custos maiores para os demais.

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