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Linha verde: um negócio entre amigos

Linha verde: um negócio entre amigos

Sempre insistimos que a tal Linha Verde, embromação máxima do Beto, o Breve, não passava de um empreendimento para satisfazer os tubarões do ramo imobiliário. Otário, meu amigo que em tudo crê, diz que o Magna Curitiba não pensa no progresso da cidade. Para ele, a Prefeitura libera os alvarás de construção – "sai facinho, facinho para magnata, é claro" – e depois vê como vai resolver os problemas derivados da pressa provocada por uma dura e cara campanha eleitoral que, por certo, exigirá os auspícios do seu irmão mais velho, senhor Oculto Bolso, evidentemente mais esperto do que ele, e que atua nestas paragens desde o tempo do Império e Capitanias Hereditárias.

Nada como um texto da própria assessoria de imprensa da Câmara para ver uma grande virtude de nossos vereadores e representantes do Beto, o Breve: a capacidade de não negar a verdade, principalmente quando se fala em negócios:

A Câmara de Curitiba aprovou com 24 votos nominais, nesta quarta-feira (14), em primeiro turno, projeto da Prefeitura para definição da localização de pólos ao longo do trecho sul da Linha Verde e criação de incentivos construtivos para os terrenos ali situados. Este primeiro trecho de implantação, que vai do Terminal do Pinheirinho à Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres), permitirá um processo de renovação da infra-estrutura urbana, com possibilidade de edificações de altura livre para áreas mistas de comércio e moradias.

O projeto, que segue determinações da lei de zoneamento e ocupação de solo, ainda está adequado às normas do Plano Diretor de Curitiba e do Estatuto da Cidade, de acordo com o líder do prefeito, Mario Celso Cunha (PSB), que fez a defesa na tribuna do Legislativo. A oposição havia requerido análise mais criteriosa, com estudos técnicos por parte das comissões da Casa e do Conselho da Cidade de Curitiba (Concitiba).

O secretário municipal de Urbanismo, Luiz Fernando Jamur, acompanhado do arquiteto Ricardo Bindo, assessor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), acompanhou a discussão e votação da matéria, fornecendo embasamento para esclarecer dúvidas da oposição, principalmente sobre a inclusão das regiões que beneficiam as áreas do Jockey Clube do Paraná e do Núcleo Empresarial do Tecnoparque. Considerada uma área improdutiva, parte do Jockey Club será beneficiada pela alteração aprovada, porque será possível, conforme explicou Mario Celso, “aquecer a região com potencial construtivo, hoje impossibilitado pela legislação em vigor e por tombamento.” No Núcleo do Tecnoparque será viabilizada a instalação de 33 empresas, com geração de 11.305 empregos diretos e indiretos.

O presidente da Comissão de Legislação e Justiça da Casa, vereador Jair Cézar (PSDB), afirmou que, “hoje, o Jockey Club é uma ilha sem capacidade construtiva, com uma alta dívida tributária e sem possibilidade de ser negociada.” A definição dos novos pólos também permitirá expandir e valorizar uma área atualmente “morta”, conforme avaliou a bancada de situação da Casa.
Consultas

A Linha Verde é o sexto corredor da Rede Integrada de Transporte (RIT) e “é uma das maiores obras de transformação urbana já realizada em Curitiba”, assegurou o líder do governo. Mario Celso disse que foram realizadas mais de quarenta audiências públicas com os envolvidos neste processo, para recuperar esta área da cidade. A nova lei não tem mecanismos de agressão ao meio ambiente.
O líder de oposição, Pedro Paulo (PT), afirmou que a bancada queria discutir mais e melhor o projeto, submetendo-o à reflexão quanto à legislação federal e, ainda, sob os aspectos de política urbana compartilhada, como é a proposta petista. A vice-líder, Professora Josete, disse, durante encaminhamento das discussões, que, “embora Curitiba tenha avanços significativos e esteja organizada adequadamente, teria sido importante avaliar melhor o desdobramento desta nova legislação, para que traga amplos resultados sociais à população da cidade.”

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