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Líderes partidários cobram explicações de vereadores sobre votações na Câmara

Líderes partidários cobram explicações de vereadores sobre votações na Câmara

Os votos contrários para a abertura de comissão processante e requerimentos de convocações de secretária da Fazenda e procuradora do município causaram indignação das lideranças políticas

Stela Marta

Nas últimas sessões da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, um termo surgiu entre os vereadores: “Bancada da Blindagem”. Foram os membros da oposição que deram este nome à bancada de vereadores que votaram contra ao requerimento para a abertura da Comissão Processante para investigar supostas irregularidades envolvendo a atual administração e contra dois requerimentos que solicitavam a presença da secretária municipal da Fazenda, Elenice Nunrberg e da procuradora geral do município, Gláucia Maria Ascoli, para esclarecimentos de denúncia sobre a fraude no sistema tributário.
Porém, o que está causando constrangimento na Câmara Municipal é que entre os vereadores que fazem parte desta chamada “Bancada da Blindagem” serão chamados por seus líderes partidários que cobram explicações sobre seus posicionamentos.

Votações
No caso do pedido feito para abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito Paulo Mac Donald (PDT), o mesmo foi encaminhado pela advogada Adriana Martins de Farias Rebecch. Ela baseava seu pedido de acordo com o resultado das Comissões Especiais de Inquérito (CEIs) a que deram entrada os vereadores de oposição no início de 2007 para apurar supostos indícios de irregularidade envolvendo contratos das creches municipais. Votaram contra o ofício da advogada os vereadores Braiz de Moura (PSC), Chico Brasileiro (PC do B), Nanci Rafain Andreola (PDT), Pedro Hsu (PP), Hermógenes de Oliveira (PMDB), Beni Rodrigues (PSB) e Geraldo Martins (PT).
No caso do requerimento para convocação da procuradora, votaram contra os vereadores Geraldo Martins (PT), Tadeu Madeira (PSB), Beni Rodrigues (PSB), Pedro Hsu (PP), Nanci Rafain (PDT), Chico Brasileiro (PC do B), Neuso Rafain (PTB) e Braiz de Moura (PSC).
Contra o requerimento convocando a secretária, votaram Geraldo Martins, Tadeu Madeira, Beni Rodrigues, Pedro Hsu, Chico Brasileiro, Nanci Rafain e Braiz de Moura. O vereador Hermógenes de Oliveira foi o único que não ficou no plenário durante a votação, o que fez a diferença no momento da contagem final.

Cobrando explicação
A reportagem do Jornal do Iguaçu conversou com três líderes de partidos que falaram sobre a atitude dos vereadores que representam a população e as siglas partidárias na Câmara. O PT e o PSB, que hoje tem o relacionamento abalado com o atual prefeito, e o PMDB, que é o principal opositor da atual administração.
O PMDB quer explicações do vereador Hermógenes de Oliveira que votou contra a comissão processante e deixou o plenário durante a votação dos requerimentos das convocações. “Ele (Hermógenes) sabe qual é posição do partido sobre a comissão processante, que até o Tribunal de Contas cobra dos vereadores para que aconteça. Em relação à saída do vereador do plenário, isso não deve acontecer. O partido vai cobrar explicações do Hermógenes”, disse Sâmis da Silva, presidente local do PMDB.
O presidente em Foz do PSB, Jefferson Balsevicius, ressaltou que os vereadores “Beni Rodrigues (votou contra a comissão e as convocações) e Tadeu Madeira (contra as convocações) serão chamados para prestar esclarecimentos da Comissão de Ética do PSB que é presidida por Anderson Kobus. Não interessa que o partido é da oposição ou da situação; os vereadores quando foram empossados juraram que iriam fiscalizar. Foram requerimentos solicitando que pessoas sejam convocadas para prestarem esclarecimentos em um assunto muito grave como esta denúncia de fraude no sistema tributário; isso é dever do vereador aprovar, pois está previsto na Lei Orgânica do Município. Iremos marcar esta reunião com os vereadores que terão que prestar esclarecimentos para a Comissão de Ética. Caso eles defendam que as convocações da secretária e da procuradora não eram necessárias, pois eles têm informações suficientes, os vereadores Beni e Tadeu terão que expor estas informações para a população”, disse Jefferson.
O PT é um partido que, segundo o presidente local Dilto Vitorassi, não é oposição e nem situação; porém, Vitorassi diz que condenou a atitude do companheiro Geraldo Martins e cobrou explicações dele. “Nós não somos nem oposição e nem situação. Em relação à atitude do vereador Geraldo, o partido não discutiu nada sobre o assunto, mas eu, como companheiro do partido e não como líder, falei com o vereador. Respeito o vereador e o partido deu a carta para ele ser o líder do PT na Casa de Leis, mas eu acredito que não é uma carta branca que pode votar da maneira que ele quer. Ele me explicou que a Câmara havia aprovado pedido de esclarecimento sobre o assunto da fraude do sistema tributário, mas eu, particularmente, acho que pedir informações não é suficiente. A Câmara tem que fiscalizar; é o papel dela. Eu acho que o Geraldo errou pela votação contrária aos requerimentos de convocação e também da abertura da comissão processante, mas nós não discutimos dentro do partido. Convocar alguém ou abrir uma comissão não significa que estas pessoas estão sendo condenadas, mas sim que os vereadores estão fiscalizando e que as situações estão sendo averiguadas. Mas deixo claro que a posição de Geraldo não foi debatida pelo PT em Foz; eu, como companheiro, fui conversar com ele”, esclareceu Vitorassi.

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