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Levantamento do Ipea informa o aumento de 70,9% em mortes violentas no sul do País

 

Segundo Atlas da Violência dos Municípios Brasileiros, metade dos homicídios no país estão concentrados em 2,1% das cidades

O número de mortes por violência cresceu nas regiões Norte e Nordeste, entre 2015 e 2017, influenciado pela guerra do narcotráfico, a rota do fluxo das drogas e o mercado ilícito de madeira e mogno nas zonas rurais. A informação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou, nesta segunda-feira 5, o Atlas da Violência dos municípios brasileiros.

A análise, que reuniu 310 cidades com mais de 100 mil habitantes em 2017, mostra que, dos 20 municípios mais violentos, 18 estão no Norte e Nordeste do País. Metade dos homicídios são cometidos em 2,1% dos municípios brasileiros, diz o estudo. A média de taxa de homicídios entre os estados brasileiros cresceu de 30 para 41 por 100 mil habitantes, de 2007 para 2017. Segundo a pesquisa, em 2017, foram 72.843 homicídios contabilizados.

A cidade mais violenta do Brasil é Maracanaú, no estado do Ceará, com 145,7 homicídios a cada 100 mil. No ano do estudo, 308 pessoas foram assassinadas na cidade, que tem 224 mil habitantes. Altamira, no Pará, vem em segundo lugar, com 133,7, seguida de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, com 131,2. Os municípios mais violentos têm 15 vezes mais homicídios se comparados aos menos violentos.

A lista dos municípios continua com Simões Filho (BA), Queimados (RJ), Alvorada (RS), Porto Seguro (BA), Marituba (PA), Lauro de Freitas (BA), Camaçari (BA), Caucaia (CE), Nossa Senhora do Socorro (SE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Marabá (PA), Ananindeua (PA), Fortaleza (CE), Mossoró (RN), Vitória de Santo Antão (PE), Rio Branco (AC) e Eunápolis (BA).

Nas capitais brasileiras, o crescimento da taxa de homicídios em Florianópolis, em Santa Catarina, saltou aos olhos: o aumento foi de 70,9% entre 2016 e 2017. Fortaleza, no Ceará, demonstra elevação semelhante no mesmo período, de 69,5%, e foi a cidade que teve o maior número absoluto de homicídios em 2017, com 2.145 casos, dado acima das cidades populosas do país. O Rio de Janeiro, que tem mais que o dobro de habitantes, teve 1.850 assassinatos, e São Paulo, que tem uma população quatro vezes maior, teve 1.011.

Na outra ponta, os municípios que lideraram as menores taxas estimadas de município em 2017 foram Jaú (SP), Indaiatuba (SP) e Valinhos (SP), com taxas que variam entre 2,7 e 5,8 mortes a cada 100 mil habitantes. As capitais que mais reduziram as taxas de homicídio no último ano foram Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com diminuição de 28,9%, e Cuiabá, no Mato Grosso, com baixa de 26,3%.

Segundo a pesquisa, o contexto do Norte e Nordeste compreende os maiores índices de jovens entre 15 e 24 anos que não estudam, não trabalham e são vulneráveis à pobreza. As cidades mais violentas têm, em média, 60% da taxa de atendimento escolar das menos violentas. O estudo sugere que estes sejam os principais indivíduos a serem focalizados em qualquer programa de enfrentamento à criminalidade. Além disso, os especialistas pedem “uso mais inteligente do sistema coercitivo”.

“As ações devem passar, necessariamente, pelo uso mais inteligente e qualificado do sistema coercitivo para retirar de circulação e levar ao sistema de justiça criminal homicidas contumazes, líderes de facções criminosas, milicianos e criminosos que representam maior risco à sociedade. Por fim, é urgente repensar a política criminal, bem como o saneamento do sistema de execução penal, sem isso o Estado não conseguirá ter o controle das prisões”, recomenda a pesquisa.

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