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ISRAELENSE LEVA À FOZ MOSTRA DO CINEMA PALESTINO

Para marcar o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino (29/11), o pesquisador Yuri Haasz, professor de Inglês e de Hebraico em Foz do Iguaçu, traz para a cidade a mostra de cinema “PALESTINA 1948-2008: 60 ANOS DA AL NAKBA”. O evento ocorre nos dias 28 e 29/11 (sexta e sábado), no cinema do shopping Cataratas JL, com entrada gratuita.  

Segundo o pesquisador, filmes e documentários são um ótimo meio de ampliar a visão das pessoas e quebrar preconceitos e paradigmas.  “A formação ideológica que existe em ambos os lados impede de enxergar claramente a situação. Esta forma limitada de perceber a realidade não permite que uma avaliação moral bem fundamentada seja formada pelos dois povos”, argumenta Yuri Haasz. Confira os detalhes da programação e sinopse dos filmes a serem exibidos clicando no

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ISRAELENSE LEVA À FOZ MOSTRA DO CINEMA PALESTINO

ISRAELENSE LEVA À FOZ MOSTRA DO CINEMA PALESTINO

Origem do conflito entre Israel e Palestina é discutido na mostra de cinema gratuita que acontece esta semana no shopping Cataratas JL

Para marcar o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino (29/11), o pesquisador Yuri Haasz, professor de Inglês e de Hebraico em Foz do Iguaçu, traz para a cidade a mostra de cinema “PALESTINA 1948-2008: 60 ANOS DA AL NAKBA”. O evento ocorre nos dias 28 e 29/11 (sexta e sábado), no cinema do shopping Cataratas JL, com entrada gratuita.  

Segundo o pesquisador, filmes e documentários são um ótimo meio de ampliar a visão das pessoas e quebrar preconceitos e paradigmas.  “A formação ideológica que existe em ambos os lados impede de enxergar claramente a situação. Esta forma limitada de perceber a realidade não permite que uma avaliação moral bem fundamentada seja formada pelos dois povos”, argumenta Yuri Haasz.
 
Este ano se completam 60 anos desde a expulsão de aproximadamente 750.000 palestinos (estimativa moderada) de suas terras pelas forças armadas sionistas, durante a formação do Estado de Israel. Este evento é chamado de “Al-Nakba”, que em árabe significa “A Catástrofe”. Yuri afirma que “embora 1948 seja a data de referência, foi de 1947 a 1949 que se deu o início da sistemática expulsão do povo palestino de suas terras. Em 1967 houve a expulsão de mais 250.000 pessoas, aumentando o problema dos refugiados, que passaram a viver desde então sob domínio militar israelense”.

De acordo com o pesquisador, que veio para o Brasil aos 14 anos, “a maioria da população israelense, assim como o mundo ocidental, não conhece as difíceis condições de vida às quais o povo palestino é submetido sob a ocupação militar de Israel. As informações passadas nas escolas e na mídia no mundo todo, com exceção de poucas mídias alternativas, não contam a realidade dos fatos, que são distorcidos em favor de Israel.”

Solução para o conflito

Hoje existem grupos, embora ainda pequenos, dentro e fora de Israel, que lutam pela defesa dos direitos do povo palestino. De acordo com Yuri, há muitos israelenses que acreditam em uma solução justa para o conflito. “Há diversas organizações israelenses de direitos humanos que protestam ostensivamente contra os atos do governo, lutam pela devolução dos territórios ocupados e ajudam a reconstruir com as próprias mãos as casas palestinas destruídas pelo governo de Israel”, explica.

“A surpresa de alguns ao saberem destes fatos se deve, infelizmente, a que estas organizações somente são divulgadas por veículos de mídia alternativa. A divulgação de sua existência é barrada na grande mídia corporativa que tem maior impacto na formação da opinião mundial. Há estudos que mostram que isso faz parte de uma campanha de propaganda política, que cumpre com uma agenda dos governos de Israel e dos EUA”, diz.

De acordo com o pesquisador, a forma como o conflito é explicado na mídia mundial hoje em dia é pouco fundamentada em fatos históricos. “Há muita atribuição a fatores como extremismo religioso e anti-semitismo, mas os fatos mostram que houve uma enorme injustiça cometida contra o povo palestino, expulsando-o de suas terras de modo violento, causando a questão dos refugiados palestinos que até hoje não está resolvida. Esse é o real motivo do conflito, a injustiça”, analisa.

Por outro lado, explica Yuri, os fatos indicam que houveram muitas escolhas feitas pelas lideranças palestinas – sempre houve várias , e com pouca união entre elas – que apesar de transmitirem uma aparência de lutar pela causa palestina apenas pioraram suas condições. “Não há uma unidade nem na Palestina nem em Israel. Muitas vezes a posição do governo não é a de seu povo, ou pelo menos não da totalidade dele”, afirma.

Yuri argumenta que “a situação atual é de grave opressão da parte do Estado de Israel sobre a população palestina. Muitos israelenses apóiam esta opressão, pois apenas enxergam os atentados a bomba em meio à população, perpetrados por ativistas palestinos, e não compreendem que a opressão é o próprio motivo gerador destes atentados. Os palestinos por sua vez, oprimidos e desesperançosos, vêem estes atentados como uma forma legítima de manifestação e resistência. Porém, estes atos apenas denigrem sua imagem frente à comunidade internacional, fazendo-os perder sua superioridade moral na situação, e enfraquecendo suas chances de uma resolução do conflito de maneira diplomática e justa”.

De acordo com Yuri Haasz, ao mesmo tempo em que os atentados são respostas a provocações por opressão da parte de Israel, e justificados desta maneira pelos palestinos, são a forma que Israel justifica ter razão frente à opinião pública internacional, para manter sua postura opressiva sobre os palestinos. Com isto, se mantém o ciclo vicioso que apenas se sustenta pelas concepções que cada lado tem do outro no conflito. “Caso houvesse uma maneira de se ver o outro como um humano, ou seja, um igual, as implicações morais dos atos de violência impediriam a sustentação deste ciclo”, finaliza.

Dados

– Hoje há 4,6 milhões de refugiados palestinos vivendo em 11% de seu território original.
– A ocupação militar israelense é violação de lei internacional em várias instâncias. Segundo a 4ª convenção de Genebra de 1949 é ilegal, em território militarmente ocupado, construir assentamentos e estradas, expropriar terra, deportar pessoas, restringir sua liberdade de movimento, e ferir sua economia causando lhes desemprego e empobrecimento.
– As ações de opressão e domínio nos territórios são financiadas pelos EUA. Hoje a ajuda econômica deste país a Israel é de 2 a 3 bilhões de dólares ao ano. Desde 1949 até hoje, EUA enviaram para Israel mais de US$ 110 bilhões.
– Na primeira Intifada, de 1987 a 1993, foram mortos 1.100 palestinos civis, dos quais 250 menores, e 114 israelenses civis dos quais 5 menores.
– Na segunda Intifada, de 2000 a 2007, foram mortos 4.009 palestinos e 1.021 israelenses, dos quais 816 são crianças palestinas e 119 crianças israelenses.
– Israel dispõe de 3.930 tanques e 362 jatos f-16, é a 5ª maior potência nuclear do mundo.
– Israel é atualmente o maior violador das resoluções do conselho de segurança da ONU.
– Os EUA usaram mais de 40 vezes seu poder de veto junto à ONU para defender as violações de lei internacional de Israel.
– Desde o início das negociações de paz nos anos 90, o número de assentamentos israelenses ilegais em território Palestino quase dobrou, de 280 mil para 480 mil.
(Fonte: Occupation 101).

Aproximação

Yuri estuda o tema do conflito israelo-palestino desde que defendeu seu trabalho de conclusão de curso em Letras pela Unioeste de Foz do Iguaçu, “A Humanização da Imagem do Inimigo Através da Linguagem Cinematográfica: o caso Israel-Palestina”.

Segundo o pesquisador a linguagem cinematográfica pode transformar a maneira de se perceber o inimigo. “Há estudos indicando que os filmes suscitam no espectador um ‘sentimento de realidade’ por identificação com os personagens ou com o contexto. Na medida em que os espectadores de ambos os lados do conflito sejam expostos a filmes que mostrem haver mais semelhanças que diferenças entre israelenses e palestinos, é possível haver uma aproximação”, argumenta.

O objetivo da mostra de cinema é marcar a data e chamar a atenção para este problema que necessita da intervenção da comunidade internacional para que cessem os crimes e abusos de direitos humanos cometidos pelo estado de Israel contra o povo palestino.

A MOSTRA DE CINEMA

A vida do povo palestino sob a ocupação militar de Israel será exibida na mostra de cinema “PALESTINA 1948-2008: 60 ANOS DA AL NAKBA”, que ocorre nos dias 28 e 29/11 (6ª e sábado), no shopping Cataratas JL, com entrada gratuita. A mostra já foi exibida este ano no Centro Cultural São Paulo e em Maringá, e agora chega a Foz do Iguaçu em sua terceira edição. O evento é promovido pelo Instituto de Cultura Árabe (ICARABE), com apoio da Itaipu Binacional e da Sociedade Árabe Palestina Brasileira de Foz do Iguaçu.

É uma oportunidade de conferir documentários e filmes de ficção pouco exibidos no circuito comercial e ainda discutir o assunto com grandes autoridades sobre o tema, que vêm para a cidade especialmente para o evento. Como parte da programação será realizada a mesa redonda “IMAGEM E REALIDADE DO CONFLITO ISRAEL/PALESTINA”, dia 28/11, 6ª feira, às 20h no cinema do shopping, com participação do Prof. Dr. Emir Sader (USP, UERJ e CLACSO), da curadora da mostra Prof. Dra. Arlene Clemesha (USP e ICARABE) e do pesquisador e organizador da mostra Yuri Haasz (Foz do Iguaçu).

Datas: 28 e 29 de Novembro de 2008.
Local: Cinema Cineplex no Shopping JL Cataratas em Foz do Iguaçu.
Ingresso: Gratuito.

PROGRAMAÇÃO

DIA 28/11/08 – 6ª FEIRA

10h30
 – ABERTURA SOLENE COM AUTORIDADES LOCAIS

– Crianças de Ibdaa (Children of Ibdaa, Palestina-EUA, 2002, 30min, documentário)

15h00
– Crianças de Ibdaa (Children of Ibdaa, Palestina-EUA, 2002, 30min, documentário)
– Blues Palestino (Palestine Blues, Palestina, 2005, 72 min, documentário)

17h00
– A Muralha de Ferro (The Iron Wall, Palestina, 2006, 52min, documentário)

18h15
– Coração aberto (Open Heart, Palestina/Reino Unido, 2006, 22min, documentário)
– Faixa de Gaza (Gaza Strip, EUA, 2002, cor, 74min, documentário)

20h00
– DEBATE: IMAGEM E REALIDADE DO CONFLITO ISRAEL/PALESTINA
– Dr. Emir Sader (Prof. de Sociologia da USP, Coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, e Secretário Executivo do CLACSO – Conselho Latino Americano de Ciências Sociais)
– Dra. Arlene Clemesha (Profa. de História Árabe da USP, membro do Instituto da Cultura Árabe e curadora da mostra)
– Representante da Federação Palestina (FEPAL)
– Yuri Haasz (pesquisador do conflito Israel-Palestina, curador e organizador da mostra) 

DIA 29/11/08 – SÁBADO

10h30
– Carta de Sara (A Letter from Sarah, Jordânia, 2002, 11min)
– De Futebol e Sonhos (Goal Dreams, Palestina, 2006, 86min, documentário)

14h00
– L’attente (L’attente, França-Palestina, 90min)

16h00
– Meu País Amado (Watani Habibi, Palestina / Nova Zelândia, 2007, 24min, documentário)
– Sardinhas (Tabaq al-Sardin, or The First Time I Heard of Israel, Síria / França, 1997, 17min)
– JENIN, JENIN (Palestina, 2002, cor 54min, documentário)

SINOPSES DOS FILMES

JENIN, JENIN
(Palestina, 2002, cor 54min – documentário)
direção: Mohammad Bakri
Alguns dias após a invasão israelense do campo de Jenin. O filme revela as marcas deixadas na alma daquela comunidade.

CRIANÇAS DE IBDAA
(Children of Ibdaa, Palestina-EUA, 2002, cor, 30min – documentário)
direção: Sarah Smith Patrick
Ibdaa, que em árabe significa criar algo do nada, é a história, a luta e as aspirações de um grupo de dança de crianças palestinas.

A ESPERA
(L’attente, França-Palestina, cor, 90min – ficção)
direção: Rashid Masharawi – elenco: Areen Omari, Mahmoud Al Massad, e Youssef Baroud
Entre ironia e desalento, uma evocação dos impasses do povo palestino por meio de uma viagem caótica e fragmentada de um diretor que está em busca de atores para a inauguração de um teatro em Gaza.

PALESTINA ESPERA
(Palestine is waiting, EUA-Palestina, 2001, cor, 10min – documentário)
direção: Annemarie Kattan Jacir
Há mais de 5 milhões de refugiados palestinos, muitas vezes indesejados, vivendo em condições limites em todo o mundo.

MEU PAÍS AMADO
(Watani Habibi, Palestina / Nova Zelândia, 2007, 24 min., documentário, cor, DVD)
Direção: Janice Abo Ganis & John Mandelberg
Sinopse: Cantores palestinos, expressando-se pela música, revelam as histórias das suas comunidades.

CORAÇÃO ABERTO
(Open Heart – Palestina / Reino Unido, 2006, cor, 22 min., documentário, DVD)
Direção: Claire Fowler
Sinopse: A sobrevivência de Jamal, de 9 meses, depende da realização de uma cirurgia do coração, possível de ser realizada apenas no hospital palestino Makassed, em Al Quds (Jerusalém), com o apoio de uma equipe de médicos voluntários do Fundo de Auxílio à Criança Palestina (em inglês, PCRF – The Palestine Children´s Relief Fund). Para realizar a operação, Jamal terá que viajar de sua casa, na região de Nablus, passar por todos os postos de controle israelenses instalados ao longo do caminho até chegar a Jerusalém. Coração Aberto revela o empenho do sistema de saúde palestino sob a ocupação, a partir das perspectivas do médico, do paciente e da organização humanitária

FAIXA DE GAZA
(Gaza Strip – EUA, 2002, cor, 74 min., documentário, DVD)
Direção: James Longley
Sinopse: O norte-americano James Longley viajou para a Faixa de Gaza em janeiro de 2001, planejando ficar duas semanas para coletar material para um filme sobre a Intifada. Acabou ficando mais de três meses, período no qual pôde conhecer a fundo a população. Faixa de Gaza é filmado quase que totalmente em estilo verídico e apresentado quase sem narração. Dotado de maior observação e menor argumento político, o filme apresenta um raro olhar sobre a inflexível realidade vivida nos territórios palestinos sob a ocupação militar israelense.
 
DE FUTEBOL E SONHOS
(Goal Dreams, Palestina, 2006, cor, 86 min., documentário, DVD)
Direção e Produção: Maya Sanbar e Jeffrey Saunders
Sinopse: Como pode um time sem pátria reconhecida, sem liga permanente, sem espaço para treinos e com integrantes da seleção dispersos ao redor do globo, competir no mundo do futebol moderno? Sendo jogadores dos territórios ocupados de Cisjordânia e Gaza, eles não podem treinar juntos em seu próprio país. Identidades pessoal e nacional se misturam e – de forma inusitada – a equipe de futebol mais se assemelha a um microcosmo palestino, junção de exílio, ocupação, sobrevivência e sonhos.

BLUES PALESTINO
(Palestine Blues / Palestina, 2005, cor, 72 min., documentário, DVD)
Direção: Nida Sinnokrot
Sinopse: Ao viajar pela rota do Muro de Segregação, as lentes de Nida Sinnokrot captam a cena em transformação. No vilarejo de Jayyous, perto de Qalqilia, a população camponesa empreende uma campanha não-violenta de resistência contra a construção do Muro. Este, por onde passa, apropria as melhores terras e arrasa plantações.

A MURALHA DE FERRO
(The Iron Wall, Palestina, 2006, 52 min., documentário, cor DVD)
Direção: Mohammed Alatar
Sinopse: Quando o pai da direita israelense, Valdimir Jabotinsky, formulou a irredutível estratégia da Muralha de Ferro, em 1923, foi dito que o diálogo com os árabes palestinos só seria empreendido quando estes estivessem totalmente derrotados. O filme aborda a história da implantação sionista na Palestina, até os mais recentes projetos de Israel para a construção de assentamentos permanentes, confisco de propriedades, furto de recursos naturais, privação de Direitos Humanos e criação de um sistema de segregação social baseado no fator étnico-racial, semelhante ao apartheid que vigorou na África do Sul.

CARTA DE SARA
(A Letter from Sarah , Jordânia, 2002, 11 min., cor, DVD)
Direção: Mutaz Jankot
Sinopse: Sara, garota palestina de 12 anos, relata sua vida diária, sua casa, o campo de refugiados onde vive, as passagens estreitas onde brinca, seus brinquedos improvisados e jogos; descrevendo ao mesmo tempo sua visão do conflito.

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