Governador sanciona lei que institui transferência de renda de R$ 80 para famílias vulneráveis

 governador Carlos Massa Ratinho Junior sancionou nesta segunda-feira (18) a lei que institui o Programa Estadual de Transferência de Renda (PETR) para famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica. O benefício tem valor mensal de R$ 80. A lei 20.747/2021, de autoria do Governo do Estado, foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná.

O benefício vai atender pessoas em situação de extrema pobreza ou de pobreza, desde que não beneficiárias do Bolsa Família, do governo federal. O projeto foi criado com o mesmo objetivo do Cartão Comida Boa, efetivado durante a pandemia do coronavírus para atender famílias vulneráveis, mas agora tem caráter permanente.

“Tem uma parcela da população que não está em nenhum programa social. Nos organizamos para atender essas famílias. O Cartão Comida Boa deu muito certo, ajudou a levar segurança alimentar. Resolvemos implantar esse programa de maneira permanente. É uma referência para o cuidado aos mais humildes”, disse Ratinho Junior.

O programa será coordenado pela Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho e contará com envolvimento de outras pastas e órgãos estaduais. Os recursos são oriundos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), do Fundo da Infância e Adolescência (FIA) e de outros valores do orçamento para a área.

A prioridade do Programa Estadual de Transferência de Renda é abarcar uma parcela da população que não é atendida pela União. Entre os objetivos da proposta estão a erradicação da pobreza, garantia da segurança alimentar e a redução da desigualdade social no Estado.

A concessão do benefício tem caráter temporário e não gera direito adquirido. Por isso, a elegibilidade das famílias beneficiadas deve ser revista a cada 90 dias. O texto será regulamentado nos próximos 60 dias.

NA PRÁTICA – Segundo a Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho, o recurso poderá ser usado para compra de alimentos e materiais de higiene para atender necessidades básicas de famílias em situação de vulnerabilidade.

Para cadastrar as famílias, a Sejuf utilizará a base de dados do Cadastro Único para Programas Sociais – CadÚnico. Esse é o instrumento de identificação e caracterização socioeconômica das famílias de baixa renda para a seleção de beneficiários e a integração dessas pessoas a programas sociais. No Paraná, cerca de 118 mil famílias estão cadastradas em situação de extrema pobreza ou de pobreza sem receber o Bolsa Família.

Para o início do programa serão utilizados R$ 25 milhões do FIA, que vai atender famílias que tenham crianças e adolescentes, e os outros R$ 20 milhões do Fecop.

CARTÃO COMIDA BOA – Alternativa para a população que sofreu com as restrições impostas pela pandemia, o Cartão Comida Boa destinou, entre junho e agosto de 2020, um voucher de R$ 50 por mês para a população mais vulnerável utilizar em supermercados credenciados para comprar itens da cesta básica. No total, 794 mil vouchers foram distribuídos no período, com 2,7 milhões de transações de compra realizadas nos 399 municípios.

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Assembleia Legislativa homenageia a jornalista Roseli Abrão

A jornalista Roseli Abrão receberá uma homenagem da Assembleia Legislativa do Paraná. A profissional dará nome ao Comitê de Imprensa, área reservada para que os profissionais de comunicação acompanhem as sessões plenárias. A resolução da mesa diretora foi apresentada nesta terça-feira, 7, e passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser votada em plenário.

Para o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), primeiro-secretário do legislativo, a homenagem é um justo reconhecimento ao trabalho de quase quatro décadas da jornalista na cobertura da cena política paranaense. “Roseli foi uma pioneira, exerceu sua profissão com dignidade e responsabilidade, e se tornou referência do jornalismo político do Paraná”, disse.

A proposta foi assinada pelos deputados Ademar Traiano (PSDB), presidente do Poder Legislativo, Gilson de Souza (PSC), segundo-secretário da Assembleia, Anibelli Neto (MDB) e Nereu Moura (MDB). A iniciativa altera uma resolução de 1992, que nominava o Comitê de Imprensa de Jornalista Wilmar Sauner. Agora, o espaço passa a ser denominado Jornalista Wilmar Sauner e Jornalista Roseli Abrão.

Trajetória

Roseli Abrão era formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e iniciou a carreira no início da década de 1970 no jornal Folha de Londrina, em Curitiba. Trabalhou por 13 anos no jornal O Estado do Paraná como repórter, chefe de reportagem e editora.

Outros 10 anos da vida profissional foram dedicados ao jornal Correio de Notícias, onde permaneceu até o fechamento do veículo, em 1995. Ali dedicou-se à cobertura na área política como editora da coluna Política & Políticos e, posteriormente, passou a assinar a sua própria coluna.

De 1995 a 2000 Roseli trabalhou no jornal Diário Popular, onde também assinou a sua própria coluna política. A jornalista também foi colunista de política no jornal Hora H e no site Hora H News. Além de seu trabalho em jornais e sites de notícias, também atuou em campanhas eleitorais, na Agência Estadual de Notícias, durante os governos de Álvaro Dias e de Roberto Requião.

A trajetória profissional de Roseli Abrão também inclui a assessoria a partidos políticos. Nos últimos anos atuou na Assembleia Legislativa como assessora de imprensa da Liderança do PMDB e mantinha um site de notícias que leva o seu nome.

No dia 23 de novembro de 2021 Roseli faleceu aos 74 anos de idade, em virtude de tumores no cérebro, deixando seu esposo, Antônio da Cunha Santos, três filhos e três netos.

Puxado pela região de Guarapuava, Paraná lidera produção nacional de cevada

Paloma Detlinger é parte da quarta geração de famílias eslavo-germânicas que se estabeleceram nas colônias que formam a comunidade de Entre Rios, em Guarapuava, na região Central do Estado. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o início do regime soviético, trouxeram na bagagem uma farta experiência na agricultura e muita disposição para trabalhar nas terras do novo País.

Foi assim que ajudaram a construir uma das regiões mais produtivas do Estado e do Brasil, que se destaca principalmente na produção de grãos. Um deles tem especial relevância: a cevada, matéria-prima do malte utilizado na fabricação de cerveja. É da Colônia Entre Rios que sai grande parte do malte consumido pela indústria cervejeira brasileira.

A cevada é uma cultura de inverno, com plantio iniciado em julho e a colheita em novembro. A região de Guarapuava, que tem um inverno rigoroso, onde o grão se adaptou bem, o cultivo é impulsionado pela Cooperativa Agrária, fundada pelos imigrantes europeus. Praticamente todo o plantio na região é feito pelos cooperados, que vendem a produção para a própria Agrária. Em Grandes Rios, está a Agrária Malte, a maior maltaria da América Latina, responsável por 30% da demanda nacional.

E graças a isso o Paraná lidera com folga a produção nacional de cevada. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado respondeu por quase 62% da área cultivada e por 72% da produção do grão no Brasil em 2020. De acordo com as estatísticas da Produção Agrícola Municipal (PAM), a área plantada no Estado no ano passado chegou a 64.375 hectares, e no País somou 104.413 hectares.

Foram colhidas, no Estado, 278.661 toneladas do grão, enquanto a produção nacional somou 387.146 toneladas em 2020. A produtividade da cevada paranaense também é superior à nacional. Ainda segundo a PAM, cada hectare plantado no Estado produziu 4.329 quilogramas de cevada. No Brasil, o rendimento médio foi de 3.709 kg/ha.

Na safra de 2020/2021, que está terminando de ser colhida agora, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento estima o plantio de 76 mil hectares e a colheita prevista é de 320 mil toneladas. O Núcleo Regional de Guarapuava responde por cerca de 65% desse volume, com o cultivo de 45,5 mil hectares e previsão de colher 206 mil toneladas do grão. O cereal também é produzido nos Campos Gerais, na Região Metropolitana de Curitiba, no Sul e no Sudoeste do Estado.

NEGÓCIO FAMILIAR – No caso de Paloma, tanto a família paterna como a materna têm tradição de décadas no cultivo. Para ela, porém, esta foi a primeira safra colhida. Após a morte do pai, há quatro anos, ela abriu mão de um doutorado em Química para assumir a propriedade junto com a mãe. Além da cevada, também cultiva outros grãos, como soja, milho e aveia preta.

“Meu avô, que é imigrante e pioneiro da cooperativa, iniciou o cultivo junto com a produção de malte pela Agrária. Meu pai começou a trabalhar com ele aos 14 anos e continuou na cultura a vida toda. Logo depois que ele faleceu, minha mãe e eu assumimos a propriedade, mas paramos a produção de cevada depois que uma chuva de granizo acabou com a produção”, conta Paloma.

As duas retomaram nesta safra, com 40 hectares cultivados com o cereal, uma parte dos 130 hectares da família, divididos entre uma propriedade na colônia Entre Rios e outra no município vizinho de Pinhão. Em sua primeira safra, Paloma colheu 4,5 mil quilogramas de cevada por hectare, produtividade superior à média do Estado.

“Minha mãe e eu não entendíamos nada de lavoura, éramos de áreas totalmente diferentes, e na primeira vez só plantávamos soja e milho. Até que nos encorajamos a cultivar cevada porque os bancos começaram a oferecer seguro para cereais de inverno. Este ano colhemos nossa primeira safra própria, tivemos bom resultado, com grande produtividade e boa qualidade cervejeira. Daqui para frente, a ideia é plantar sempre”, diz.

Do outro lado, na família materna, a cevada também esteve presente, e também pelas mãos de uma mulher. Após a morte do marido na Segunda Guerra, a bisavó de Paloma imigrou da Croácia com os cinco filhos pequenos. A família começou a cultivar arroz na nova terra, para alguns anos depois começar a plantar trigo e cevada, processo totalmente manual na época.

O avô, Siegfried Milla, que chegou ao Brasil com 13 anos, continuou com esse trabalho até a aposentadoria, e hoje vê os filhos e os netos mantendo as lavouras. “Quando chegamos, a terra era arada com cavalo, nada de trator. A cooperativa nem existia, foi fundada muitos anos depois, era tudo muito diferente no começo”, conta ele, hoje com 80 anos.

“As primeiras sementes foram trazidas por um agricultor de Porto União para tratar os porcos, a criação. Depois de um tempo foi trocada para outro tipo, pela cevada cervejeira, e aí começou a dar certo. Agora, tudo se modernizou, principalmente o maquinário. Antigamente levava um mês para plantar, hoje se planta 30 hectares em um dia com uma máquina grande”, destaca Milla.

Para Paloma, a mudança na carreira para se dedicar ao cultivo da cevada e de outras culturas, seguindo a tradição familiar, foi uma decisão acertada – ela chegou a abrir mão de uma bolsa de doutorado na Alemanha para trabalhar com agricultura. “Foi o que sempre manteve a renda da nossa família. Na época até fiquei me questionando, mas hoje não me arrependo de ter deixado a vida acadêmica para me dedicar a esse trabalho. Não me vejo mais fazendo outra coisa”, acrescenta.

TECNOLOGIA – Um dos motivos que fazem com que cevada de Guarapuava tenha melhor produtividade que a média nacional e estadual está no trabalho de pesquisa desenvolvido pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), que pertence à cooperativa.

A Fapa desenvolve, periodicamente, novas cultivares que levam em consideração as necessidades dos produtores e da indústria. São sementes com maior tolerância a doenças, com alta produtividade e alta qualidade de malte, com o objetivo de produzir matéria-prima com a melhor qualidade possível. O processo de melhoramento genético para o desenvolvimento de uma nova cultivar leva, em média, de 10 a 12 anos.

Márcio Mourão, coordenador da Fapa e da Assistência Técnica da Agrária, destaca que todo esse processo fez com que o cultivo do grão evoluísse exponencialmente desde o início da produção com os primeiros imigrantes. “Foi um processo de evolução técnica em todos os sentidos, desde o melhoramento genético dos materiais, que se tornaram mais produtivos e melhor adaptados para a região, até os insumos e o maquinário utilizado”, explica.

“A pesquisa ajudou a identificar o uso eficiente de fertilizantes e o manejo de produtos químicos para controle de pragas e doenças. Foi uma evolução natural da tecnologia, com adaptação do material para a região”, afirma Mourão. “Tudo isso se soma às boas condições de Guarapuava para o cultivo da cevada. É uma região com inverno rigoroso, de alta altitude e com regime de chuvas bem distribuído. São características que favorecem o crescimento das culturas de inverno”.

A cevada é uma cultura de inverno, com plantio iniciado em julho e a colheita em novembro.
Na safra de 2020/2021, que está terminando de ser colhida agora, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento estima o plantio de 76 mil hectares e a colheita prevista é de 320 mil toneladas. Foto: Gilson Abreu/AEN

 

NOVA MALTARIA – Um novo projeto, desta vez implantado em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, vai consolidar o Paraná na liderança isolada na produção de cevada. Um pool formado por seis cooperativas confirmou a construção da Maltaria Campos Gerais, cuja primeira etapa deve ser concluída em 2028 e a segunda em 2032.

Juntas, as cooperativas Agrária, Bom Jesus (Lapa), Capal (Arapoti), Castrolanda (Castro), Coopagrícola (Ponta Grossa) e Frísia (Carambeí) devem investir R$ 1,5 bilhão no projeto, que somente na primeira etapa de implantação prevê a produção de 240 mil toneladas de malte por ano, 15% do consumo nacional.

Além do empreendimento em si, o investimento também reflete em toda a cadeia de produção. A área destinada para o plantio da cevada pode chegar a 100 mil hectares, abrangendo diferentes regiões do Estado. É o equivalente a quase toda a área de cultivo do cereal no Brasil atualmente.

SÉRIE – A cevada de Guarapuava faz parte da série de reportagens “Paraná que alimenta o mundo”, produzida pela Agência Estadual de Notícias (AEN). O material mostra o potencial do agronegócio paranaense, com textos publicados sempre às segundas-feiras. A previsão é que as reportagens se estendam até o final de 2021.