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Gaeco investiga Mac Donald por participação em suposta quadrilha do transporte coletivo

mac-donaldDo Correspondente em Foz

A operação Riquixá II, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deverá jogar luz no contrato de transporte coletivo urbano, em Foz do Iguaçu e o suposto envolvimento do ex-prefeito Paulo Mac Donald Ghisi (PDT). O esquema, apontam as investigações, é responsável por retirar quase meio milhão de reais por mês do bolso da população.

A operação está concentrada em Guarapuava e outras quatro cidades paranaenses, além dos estados de Santa Catarina, São Paulo e o Distrito Federal. Na manhã de quarta-feira (29 de  junho), o Gaeco invadiu a casa de Mac Donald que foi conduzido coercitivamente, juntamente com empresários integrantes do Consorcio Sorriso.

Documentos, computadores e telefones foram apreendidos pelos agentes. O vereador e sindicalista Dilto Vitorassi (PV) lembra que denunciou por diversas vezes uma possível fraude e o que classifica de “perversidade com usuários e trabalhadores do setor”, durante a licitação.

Segundo Vitorassi, em 2010, o então prefeito perdoou dos empresários do consórcio o equivalente a R$18,25 milhões – uma espécie de caução presente no edital, considerada como praxe nesse tipo de licitação – dinheiro provisionado no processo licitatório, para construir os terminais rodoviários de Três Lagoas e Vila Portes; reformar o TTU além melhorar os pontos de ônibus existente disponibilizando estruturas mais modernas.

Ministério Público denunciou o acordo de Mac Donald

O pretexto utilizado pelos empresários para o perdão da dívida, foi a defasagem das tarifas ao longo da história. Argumentos que não se sustentam. Não conseguiram provar que as tarifas decretadas antes do processo licitatório teriam criado desiquilíbrio financeiro dos contratos. ‘Uma vez que as empresas aceitaram os valores decretados se deram por satisfeitas. Do contrário, teriam buscado reparar esse dano no poder judiciário no seu devido tempo’, explica Vitorassi.

Paulo Mac Donald teria sido generoso com os empresários, ao decidir abrir mão desse valor em benefício das empresas. O Ministério Público de Foz denunciou a suposta negociata com os empresários, ou seja, o encontro de contas. Uma medida cautelar anulou o acordo e determinou o bloqueio de bens dos empresários, no aporte de R$ 21 milhões. O processo está tramitando.

Paulo contratou empresa para possível formação de cartel

A operação aponta indícios corroborando as denúncias de Vitorassi, que as demandas da população foram preteridas para favorecer apenas os empresários e o poder público. Em matéria veiculada no informativo do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (SITRO-FI), no mês de junho de 2013, Dilto Vitorassi afirmou que a empresa contratada para fazer o estudo pré-licitatório, a Logitrans, foi indicada pelos próprios empresários que fazem parte do Consorcio Sorriso e ligados ao Grupo Gulin.

Segundo o GAECO há evidências que a organização age desde 2009, fraudando licitações ao usar empresas ligadas às mesmas operadoras do sistema. As investigações apontam a formação de cartel para eliminar a concorrência. Foi em 2010 que Paulo Mac Donald contratou a Logitrans, 60 dias antes de realizar a licitação. Os responsáveis pela mesma foram presos nessa operação. As investigações citam o ex-prefeito como envolvido.

Entenda o caso em Foz

A operação Riquixá traz à tona uma celeuma da população, denunciada por representantes dos sindicatos dos rodoviários em todo o estado. Quando o grupo passou a atuar em Foz do Iguaçu, durante a administração de Paulo Macdonald, a categoria foi para as ruas junto com a população porque o resultado do estudo da Logitrans era altamente ‘nocivo’, ainda de acordo com Vitorassi, para os usuários e trabalhadores.

De acordo com o presidente do SITRO-FI, os empresários iguaçuenses, sem poder participar das licitações por estarem com pendências tributárias, substituíram a empresa Itaipu pela Gato Branco do mesmo grupo de São Paulo.

Compunha o suposto Cartel, agora investigado, a antiga Transporte Salto posteriormente adquirida pelo grupo Gulin. Todo o esquema teria sido montado pela Logitrans, contratada por Mac Donald. A única que permaneceu inalterada e não recebeu nenhum benefício com o acordo, teria sido a Transbalan. Ainda conforme Vitorassi, foram retirados ônibus da Transbalan para colocar os da Gato Branco.

Povo continua sendo penalizado

Caro e deficitário, após a controvertida licitação de 2010, o transporte coletivo de Foz do Iguaçu figura como o terceiro problema do iguaçuense. O usuário passou a ficar mais tempo nos pontos de ônibus, os ‘barões do transporte’ encurtaram os itinerários e aumentaram a distância entre um abrigo e outro. É preciso caminhar mais para utilizar o serviço.

Os tamanhos dos ônibus foram reduzidos de 13,2 m para 11 metros. Com isso o número de pessoas dentro do veículo aumentou de 1,4 para 1,51 passageiro por quilometro rodado, devido a retirada de linhas sobrepostas. Aumentando o número de passageiros, os detentores da frota passaram a ganhar R$0,25 (vinte e cinco centavos) por quilômetro. Considerando a quilometragem em 30 dias e o valor de hoje da passagem, o acréscimo no lucro é de quase meio milhão por mês.

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