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Foz do Iguaçu, cidade de 69 nacionalidades

30 de outubro de 2019
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O Rio Paraná pode até separar o Brasil e o Paraguai. Mas, do alto, é só uma linha entre centenas de construções. A distância fica ainda menor com a Ponte da Internacional da Amizade, a ligação que integra a fronteira mais movimentada do país. As informações são de Marcos Landim, RPC Foz do Iguaçu.

Cidades gêmeas, fronteiriças e até conurbadas. A geografia é rica em palavras pra definir a forte relação entre Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, e Cidade do Leste, no Paraguai.

Segundo o professor e pós-doutor em geografia Mauro José Ferreira Cury, conurbação é a junção de duas ou mais áreas urbanas perdendo a área rural entre essas cidades.

O que é tão comum e faz parte da rotina de milhares de moradores da fronteira, é um exemplo prático do que pode cair em questões do vestibular e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019.

Ponte Internacional da Amizade recebe milhares de imigrantes e emigrantes todos os dias — Foto: RPC Foz do Iguaçu/Reprodução

Todo esse vai e vem está relacionado a uma palavra: migração. Palavra que tem vários conceitos que não podem ser esquecidos.

Quando um “i” ou um “e” entra na conversa, os conceitos ganham sentidos totalmente diferentes.

Cury explica que, por ser uma área de fronteira, os veículos que saem de Foz do Iguaçu estão emigrando do Brasil. Isso significa que emigração é saída.

Imigração é a entrada de pessoas de outro país no Brasil ou em outro território.

Lembre-se que foz tem milhares de estrangeiros. Segundo a Polícia Federal (PF), são 16.712 imigrantes, de 69 nacionalidades.

No topo da lista, os paraguaios (6.654), seguidos dos libaneses (2.945), dos argentinos (1.635) e dos chineses (1.386). A imigração tem vários motivos.

“De Cuba, agora, é por causa da situação política. Muitos não aceitam aquele regime e querem mais liberdade, buscam outros países. Os argentinos é por causa de situação de trabalho”, explicou a responsável pela Casa do Migrante de Foz, Terezinha Maria Mezallira.

Problemas que a venezuelana Sulma Ortiz conhece bem. A refugiada está com a família no Brasil há um ano para construir uma vida nova. Ela explicou que foi obrigada a deixar o país dela por causa das crises econômicas e polícias.

“Lamentavelmente, tivemos que sair com a família. Muitos saem aos poucos para progredir aqui e depois trazer a família”, contou a refugiada.

Na fronteira do Brasil com o Paraguai, quem só vai e volta todo o dia também pode ser assunto nas provas. É a migração pendular.

Segundo o professor, a migração pendular significa o fluxo de pessoas que vão e vem, independentemente da motivação do deslocamento.

“Muitas dessas pessoas, que estão passando daqui para o Paraguai, estão indo trabalhar ou fazer compras. Então esse movimento de ir e vir é o movimento de um pêndulo de um relógio, por isso leva o nome de pendular.”

A fronteira também é a terra dos encontros. Pode ser o encontro das águas dos Rios Iguaçu e Paraná na tríplice fronteira ou o encontro da família Henchen. A filha fez a migração interna de Roraima para o Paraná.

Pai e mãe fizeram a migração sazonal, que é viagem a passeio, para matar a saudade.

“Tem horas que a saudade bate, aperta e não é fácil. A gente consegue matar a saudade, faz ligação quando pode. Mesmo assim um abraço faz falta”, disse a estudante Paloma Henchen.

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