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“Fizemos o dever de casa”, diz Richa

2612-beto-richaEm entrevista aos veículos do Grupo RIC (Paraná e Santa Catarina), o governador Beto Richa falou sobre a receita paranaense para enfrentar a turbulência político-econômica e comentou os rumos do PSDB no governo Michel Temer (PMDB).

Em meio à crise que devasta a economia brasileira, Richa (PSDB), conseguiu, a muito custo político, aprovar um ajuste fiscal pesado que pôs em ordem as contas públicas do Estado. As medidas impopulares tiveram início em dezembro de 2014, quando o país ainda estava anestesiado com as promessas de redenção econômica apresentadas na campanha que reelegeu Dilma Rousseff à Presidência da República. “Eu não me arrependo de nada. Antecipamos o cenário ruim e fizemos o que era necessário”, diz.

O governo, desde então, vive em permanente embate com servidores públicos, mas não cede às pressões. “Está mais do que na hora de o interesse público se sobrepor aos interesses individuais e corporativos”, afirmou.

Abaixo, a íntegra da entrevista feita pelo jornalista Denian Couto.

Como os Estados serão afetados pela PEC do Teto?

A PEC do Teto foi uma boa iniciativa. Era imperioso impor limites aos gastos desenfreados, escandalosos até. No Paraná, porém, isso pouco nos atinge. Nós fizemos o dever de casa. Nós equilibramos os gastos públicos, honramos nossos compromissos e pagamos em dia os servidores. É o único Estado do Brasil a dar reajuste ao funcionalismo, de 10,67%. Em todos os demais Estados, sem exceção, o reajuste foi zero. E vamos fechar 2016 com investimentos recordes da ordem de R$ 6 bilhões.

O seu governo suspendeu o pagamento do reajuste dos servidores previsto para janeiro.

Em função da crise, as arrecadações foram reduzidas drasticamente. Não teria como pagar o reajuste agora em janeiro, porque ainda há as promoções e progressões, o que totalizaria R$ 3,5 bilhões. Há de se ter compreensão. O reajuste não foi cancelado, nós o suspendemos temporariamente conforme o desempenho da economia. Tendo dinheiro, será pago o reajuste. O que não se pode é penalizar a população, tirar recursos da saúde, da educação, da segurança pública para alimentar ainda mais o reajuste aos servidores que foram expressivos no meu governo. Professores, por exemplo, receberam cerca de 126% de reajuste, 46% de ganho real, ou seja, acima da inflação. Quem ganhou isso na sociedade? Está mais do que na hora de o interesse público se sobrepor aos interesses individuais e corporativos.

O ajuste fiscal no Paraná foi duro. A população teve de pagar um aumento de tributos para melhorar a situação do Estado.

Muito duro, eu reconheço. O ajuste deu certo porque toda a sociedade participou. Nós mexemos em dois impostos. No IPVA, a alíquota era 2,5% e passou para 3,5%, índice que estava defasado em comparação com outros Estados. E mexemos também no ICMS do varejo que era de 12%, enquanto a média nacional é de 18%. Com isso, com esse realinhamento, aumentamos a re-
ceita do Estado em 2%.

A população fez a sua parte. Mas e o governo?

Nós diminuímos despesas do Estado em 7,5%. Eliminamos cinco secretarias e mais de mil cargos em comissão. Segundo o IBGE, o Paraná é o Estado brasileiro com o menor número de comissionados. Além disso, renegociamos contratos. Essas medidas fizeram reduzir muito o custeio da máquina pública.

Sobre o cenário nacional, o senhor acha conveniente o PSDB integrar o governo Michel Temer?

Eu acho que sim. Muitos questionam, dizem que seria uma ousadia do PSDB se atrelar a esse governo. É verdade que seria até cômodo e confortável o partido ficar assistindo de camarote o desempenho do governo federal sem participar dele. Entretanto, o PSDB acha, por ter participado ativamente da aprovação do impeachment da presidente Dilma em sintonia com o desejo da grande maioria dos brasileiros, que temos a responsabilidade de ajudar na governabilidade e na condução do país, até porque o PSDB hoje tem os melhores quadros da política nacional.

O senhor teme efeitos da delação premiada dos executivos da Odebrecht sobre nomes do PSDB?

Não há dúvida que nós temos hoje uma grande instabilidade política. Isso acaba atrapalhando o funcionamento das instituições, gera uma desconfiança no mercado e isso é muito ruim para recuperar a economia e gerar empregos. Cada vez que a gente acha que as denúncias estão se encerrando vem uma nova leva de notícias. Acho que tudo deve ser profundamente investigado e havendo a constatação de culpa e de crimes cometidos todos devem ser punidos sim, com todo o rigor da lei, até para dar exemplo para que nunca mais aconteça nesse país uma corrupção institucionalizada como aconteceu no governo anterior.

Para 2017, o senhor vê o cenário econômico brasileiro com reserva ou otimismo?

Apesar dessa gravíssima crise, as projeções indicam uma leve melhora para o ano que vem. No entanto, as medidas de austeridade devem ser permanentes, com redução de gastos e de despesas. A população não pode ser punida com redução de investimentos. O quadro não é otimista, mas o Paraná investirá R$ 8 bilhões em 2017. Nosso ajuste foi muito bem sucedido. O Paraná tem hoje a melhor situação econômica e fiscal do país.

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