por 10:30 Justiça

Fachin homologa delação de lobista que diz ter pago propina a Renan & cia

O acordo de delação premiada de Jorge Luz, lobista que intermediava propinas para políticos do MDB, foi homologado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) . Luz contou haver pago milhões em propinas para o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e seus aliados. As informações são do Diário do Poder.

O acordo foi homologado na semana passada por Fachin. Jorge Luz e o filho, Bruno Luz, foram presos em fevereiro de 2017 nos Estados Unidos, durante a 38ª fase da Operação Lava Jato.

O acordo de delação inclui pai e filho. O ressarcimento aos cofres públicos estipulado no acordo gira em torno dos R$ 40 milhões, montante calculado com base nos crimes e nos repasses de propinas. O acordo está sob sigilo.

Bruno poderá deixar a carceragem da Polícia Militar em Curitiba, onde está preso. Jorge Luz está em prisão domiciliar desde fevereiro, por questões de saúde.

Propinas também no exterior
Segundo a delação, foram repassados cerca de R$ 11,5 milhões a um grupo de políticos do MDB, que inclui Renan, o também senador Jader Barbalho (PA), o deputado Aníbal Gomes (CE) e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau.

O lobista contou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que os repasses eram operacionalizados por meio de Aníbal Gomes ou de Luís Carlos Batista Sá, assessor que representava Renan.

As propinas também eram depositadas em contas no exterior, segundo o meliante confesso. Os repasses eram contrapartida por contratos da diretoria Internacional da Petrobras.

A negociação para a delação durou mais de um ano e é a primeira da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba a ser avalizada pela Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge. Os procuradores têm criticado a lentidão de Raquel para assinar os acordos, mas os investigadores esperam que novas delações sejam destravadas a partir de agora.

Acusados negam, como sempre
O advogado de Renan Calheiros, Luís Henrique Machado, encaminhou nota ao jornal O Globo negando as acusações. “O senador Renan já afirmou que conheceu Jorge Luz há aproximadamente 20 anos e desde então nunca mais o encontrou. Repita-se que o senador jamais autorizou, credenciou ou consentiu que terceiros utilizassem o seu nome”, diz a nota.

Aníbal Gomes e Jader Barbalho também negaram as acusações. A defesa de Luís Carlos Batista Sá disse que não teve acesso à colaboração e só poderá refutar as acusações após ter acesso aos autos.

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