Fabio Camargo (PTB) chama projeto do metrô de “estúpido”

Sabatinas
Fabio Camargo (PTB) chama projeto do metrô de "estúpido"

Em entrevista aos jornalistas da Gazeta do Povo, o candidato também atacou a administração do Ippuc, a Linha Verde e afirmou que existem cabos eleitorais pagos com dinheiro público

Adriano Kotsan

Fabio Camargo (PTB) não poupa críticas à administração de Beto Richa (PSDB). Chama o projeto do metrô apresentado pelo candidato à releição de "estúpido", afirma que 80% dos cargos comissionados são desnecesários, diz que a Linha Verde será perigosa à noite, questiona o trabalho do Ippuc e desfere golpes até na Assembléia Legislativa, onde é deputado, afirmando que ela não é transparente. Camargo foi, neste sexta-feira (12), o quarto candidato a ser entrevistado pelos jornalistas da Gazeta do Povo na série de sabatinas com os candidatos a prefeito de Curitiba. Leia os principais pontos da entrevista no Blog do Minuto

O candidato acusou servidores municipais de estarem atuando como cabos-eleitorais na campanha do prefeito Beto Richa. "Você vê quantas pessoas estão trabalhando para a reeleição. Existem muitos cabos-eleitorais pagos com o dinheiro público, mostrando que a figura do candidato à reeleição é a melhor opção", disse Camargo. Na explicação seguinte, Camargo atenuou o discurso. "No final de semana os agentes de saúde atuam em prol da reeleição. Durante a semana eles trabalham nos cargos deles. Sei que o Beto é uma pessoa íntegra, ele não usaria a máquina pública para se reeleger", afirmou. Camargo disse que a reeleição deveria acabar. “Isso é muito ruim para a nossa democracia”, definiu.

O petebista também disse que o atual secretário municipal de esportes, Neivo Beraldin, “não conhece a cidade e os bairros de Curitiba”. Fabio Camargo, que é deputado estadual, também criticou a Assembléia Legislativa e disse que prefere atuar no Executivo que no Legislativo. "Tenho vontade de ser prefeito para executar. O legislador apenas fiscaliza e propõe lei, mas não executa as leis", disse.

As críticas também se estenderam para a Linha Verde e para o IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), que, segundo Fabio Camargo, “está esvaziado”. O candidato, que apareceu com 1% na última pesquisa divulgada pelo Ibope, acredita num segundo turno e que estará disputando a preferência do eleitorado contra o prefeito Beto Richa.

Não acredita nas pesquisas

"Não acredito nos números das pesquisas que estão aí”, afirmou no início da entrevista. “Entendo que a eleição vai para o segundo turno. A população de Curitiba é muito inteligente e não vai deixar de discutir por mais 30 dias a eleição. Agora vai começar a afunilar [a campanha], os institutos de pesquisa vão ter que falar a verdade para não perder a credibilidade que têm", definiu.

Metrô

O candidato do PTB, que em vários momentos elogiou a pessoa do Beto Richa e alguns pontos da administração atual, não poupou palavras para falar sobre o metrô proposto pela prefeitura. "O projeto do prefeito (do metrô) é estúpido – quero dizer que não sou oposição à pessoa do Beto, sou oposição aos projetos da administração. Querem fazer o metrô embaixo da terra e fazer boulevards em cima", criticou.

Para Camargo, o projeto da prefeitura tira os ônibus das ruas. O candidato apresentou a proposta do monotrem, que ficaria por cima das canaletas dos biarticulados. Uma estrutura seria feita e o monotrem passaria por cima dos ônibus, que continuariam a circular pelas canaletas. “Meu projeto custa 1/3 do valor [do projeto da prefeitura] e levaria três anos para ser implantado. Nosso projeto é um metrô de superfície, para dar agilidade e conforto às pessoas. Assim não perdemos o transporte coletivo", disse.

O candidato criticou o metrô subterrâneo. "Quando se cava nunca se sabe o que vai encontrar embaixo. Temos vários rios em Curitiba", argumentou. Camargo disse que o monotrem seria um avanço sobre o transporte coletivo. A passagem custaria cerca de R$ 1,20. “A prefeitura tem que reconhecer que o projeto do metrô está errado”, definiu.

Eleição para as regionais

Durante a entrevista, Fabio Camargo apresentou a proposta de promover eleições diretas para a escolha dos administradores das nove regionais da cidade. "O administrador regional tem que ser a ponte entre os bairros e a administração municipal. Sendo da região, ele vai buscar recursos para o bairro dele", disse. Camargo afirmou que isso não iria atrapalhar a administração municipal como um todo. "Seria um debate altamente saudável e positivo", ressaltou.

Trabalho na Assembléia

Fabio Camargo foi questionado sobre a presença dele no plenário da Assembléia. Ele negou que fique pouco tempo na casa, mas admitiu que prefere trabalhar “nos bairros”. “Não fico muito no plenário, fico somente quando vejo que são votados projetos importantes. Quando isso não acontece, prefiro retirar a minha gravata e ir para o bairro, atender à população", explicou. "Sou um deputado atuante. É porque sou candidato à prefeitura que saiu isso (a acusação) de que eu não participo do plenário", defendeu-se.

O candidato também mostrou desconforto ao responder seguidas perguntas sobre a Assembléia e falta de transparência na Casa. "Falta sim transparência. A indignação também é dos parlamentares", afirmou. Camargo também se disse contra a prática do nepotismo. “Não tenho nenhum parente, nem funcionário fantasma na Assembléia. Quem trabalha comigo fica nas ruas atendendo à população", definiu, perguntando logo depois se os jornalistas não queriam discutir sobre Curitiba.

Cargos comissionados

Se for eleito, Camargo pretende diminuir 80% dos cargos comissionados na administração municipal. “Vinte por cento é suficiente para atender as secretarias”, disse. Camargo citou os 10 dias em que ficou como prefeito interino de Curitiba, em 2003. "Aproveitei para ver como funciona a máquina administrativa", disse. "Não vou tirar pessoas e aumentar a estrutura. Cargo comissionado não faz falta para a administração. Estou tendo a coragem de falar o que acontece. Se os funcionários fizerem falta, vamos fazer um novo concurso", disse.

Linha Verde e trânsito

Assim como fez com o metrô, Fabio Camargo também criticou o projeto da Linha Verde da prefeitura. "Vamos ter que atualizar a Linha Verde, isso será o início de um bom trabalho de mobilização", explicou. O candidato disse que na Linha Verde deveria haver viadutos e trincheiras. "Ali está ficando bonito com as floreiras, mas está se tornando uma cidade fantasma. Vai ficar perigoso andar à noite por ali", prevê. "No mínino o projeto tem que chegar ao final, até o Atuba. Aumentaram o número de semáforos, isso só intensifica o congestionamento", definiu. O candidato também defendeu a criação de estacionamentos subterrâneos em Curitiba.

Urbs

Fabio Camargo disse que não tem dúvida que a Urbs está subsidiando a tarifa dos ônibus. O prefeito Beto Richa, na quinta-feira, durante a sabatina, afirmou que a passagem do transporte coletivo não é subsidiada. Camargo também disse que existem ônibus com 16 anos de uso rodando pelas ruas de Curitiba. “Temos sucatas andando na cidade", ironizou.

Projeto urbano

O ex-prefeito Cassio Taniguchi foi muito elogiado por Fabio Camargo. O candidato também citou o IPPUC, que estaria abandonado, na visão de Camargo. “O IPPUC sempre foi um órgão muito bem administrado na cidade, mas onde estão os técnicos do IPPUC que aprovaram o projeto do metrô e da Linha Verde?", perguntou.

"Busco o Cassio (Taniguchi) onde ele estiver. Ele é um grande técnico e tem a cidade na mão. O Cassio não vem para Curitiba porque está brigado com o Beto. O governo estadual também não tem diálogo com a prefeitura", disse. "Fica difícil achar que sozinho se resolve todos os problemas", afirmou.

Segurança

As propostas de Fabio Camargo para a segurança em Curitiba são investir na Guarda-Municipal. Ele pretende aprovar uma lei na Câmara, caso eleito, para que os guardas municipais possam usar armas não-letais. A proposta também prevê a construção de uma academia para a Guarda-Municipal e módulos municipais nos bairros.

Redução de impostos

Fabio Camargo prometeu a redução do ISS (Imposto Sobre Serviços) de 5% para 2% em Curitiba. "Temos que fazer uma redução do ISS de forma progressiva. Isso para também respeitarmos a Lei de Responsabilidade Fiscal", disse. O candidato citou exemplos da Cidade Industrial (CIC), de empresários que deixaram o local e foram para Araucária (região metropolitana), onde o ISS é menor. "Temos que resolver a parte fiscal diminuir o ISS de 5% para 2%, diminuindo um ponto a cada ano", definiu.

Indecisão e livro

Ao ser perguntado em quem votaria nessas eleições municipais, caso não fosse candidato, Fabio Camargo ficou em cima do muro. “Votaria entre o Beto e a Gleisi, um dos dois", despistou. O candidato também prometeu um livro sobre os bastidores da campanha política para a prefeitura. "Não posso adiantar os casos, [isso] vai estar no livro", afirmou. Fabio Camargo disse que será um livro sadio, que vai contar bastidores e coisas "engraçadas" que acontecem em debates.

Mensagem final

No final da entrevista, Fabio Camargo agradeceu a oportunidade da entrevista. “Passadas as eleições os curitibanos vão me conhecer melhor e vão saber quem eu sou", definiu. O candidato foi o quarto a ser sabatinado na Gazeta do Povo. Gleisi Hoffmann (PT) foi a primeira na terça-feira (9). Carlos Moreira (PMDB) foi o entrevistado na quarta-feira (10) e Beto Richa (PSDB) na quinta-feira (11).

Próximas entrevistas

Na segunda-feira (15) serão entrevistados Ricardo Gomyde (PCdoB) às 14h e Lauro Rodrigues (PTdoB) às 15h30. Na terça-feira (16) serão encerradas as sabatinas com Maurício Furtado (PV) às 14h e Bruno Meirinho (PSOL) às 15h30. A Gazeta do Povo Online fará o acompanhamento em tempo real das entrevistas pelo Blog do Minuto. As perguntas dos eleitores para os próximos entrevistados podem ser enviadas para o e-mail sabatinas@gazetadopovo.com.br. Não serão aceitas perguntas ofensivas.

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Câmara aprova projeto que exige fisioterapeuta em CTI em tempo integral

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (4) o Projeto de Lei 1985/19, da deputada Margarete Coelho (PP-PI), que disciplina a permanência de fisioterapeutas em Centros de Terapia Intensiva (CTIs) adulto, pediátrico e neonatal. A matéria será enviada ao Senado.

Em seguida, a sessão da Câmara foi encerrada.

O texto foi aprovado na forma de um substitutivo da deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), cujo relatório foi lido em Plenário pela deputada Maria Rosas (Republicanos-SP).

A única mudança no texto retira a quantidade mínima de profissionais, que era de um para cada dez leitos. Entretanto, continua a determinação de que a presença do fisioterapeuta deverá ser ininterrupta, nos turnos matutino, vespertino e noturno, perfazendo um total de 24 horas.

A disponibilidade em tempo integral para assistência aos pacientes internados nesses centros de terapia intensiva deverá ser durante o horário em que o fisioterapeuta estiver escalado para atuar nesses locais.

“Pelo grau de importância do fisioterapeuta para o restabelecimento das pessoas internadas, a presença constante desse profissional é essencial, pois ele reduz o número de dias de internação, ainda mais nessa época de Covid-19”, afirmou a autora da proposta.

Próximas votações
Os deputados voltam a se reunir em sessão deliberativa virtual na próxima terça-feira (9), às 13h55, com pauta a ser divulgada após reunião de líderes a ser realizada às 10h30 desta sexta-feira (5).

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Câmara dá prioridade para mãe chefe de família no auxílio emergencial

Texto vai agora para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (2) projeto de lei que dá prioridade de recebimento do auxílio emergencial às mães chefes de família, quando o pai também informa ser o responsável pelos dependentes. A matéria segue para análise do Senado. As informações são da Agência Brasil.

Pelo texto aprovado, caso haja conflito entre as informações prestadas pela mãe e pelo pai, a preferência de recebimento das duas cotas de R$ 600 será da mãe, ainda que sua autodeclaração na plataforma digital tenha ocorrido depois daquela feita pelo pai.

“Apenas 3,6% das famílias brasileiras tinham uma configuração com homem sem cônjuge e com filho, segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], e mais de 80% das crianças no Brasil têm como primeiro responsável uma mulher”, afirmou a relatora do projeto, deputada Professora Dorinha (DEM-TO).

O projeto determina que o homem com a guarda unilateral, ou que seja responsável, de fato, pela criação, poderá questionar as informações da mãe de seus filhos na mesma plataforma e receber uma das cotas de R$ 600 até que a situação seja esclarecida pelo órgão competente.

“O machismo que as mulheres já sofrem cotidianamente na nossa sociedade vemos novamente expresso quando maridos, que nunca se responsabilizaram pelo cuidado dos filhos, agora requerem o auxílio emergencial em nome da família. Trinta milhões de famílias brasileiras são chefiadas por mulheres e 56% são famílias pobres”, disse uma das autoras da proposta, a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS). 

Após várias denúncias de mulheres que enfrentaram problemas para receber o benefício após uso indevido do CPF dos filhos pelos pais, o trecho que permitia o recebimento do valor em dobro foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a proposta resgata a possibilidade de concessão do benefício aos pais, com a prioridade para a mãe chefe de família. 

“Muitas mulheres brasileiras de baixa renda enfrentam ainda a violência patrimonial perpetrada por homens sem escrúpulos que, indevidamente, utilizaram e utilizam os CPFs dos filhos menores, que são criados unicamente pelas mães, para acessarem o auxílio emergencial. Isso tem causado enormes prejuízos para essas batalhadoras, além de colocar em risco a sua segurança alimentar e a dos seus dependentes”, afirmou Professora Dorinha.

Duas cotas

O auxílio emergencial foi criado para amenizar os efeitos das medidas de distanciamento e isolamento social necessárias para o enfrentamento da rápida propagação da covid-19. A iniciativa destina o auxílio emergencial de R$ 1,2 mil para mães chefes de família pelo período de três meses.

O texto também determina que a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180 crie uma opção específica de atendimento para denúncias de violência e dano patrimonial para os casos em que a mulher tiver o auxílio emergencial subtraído, retido ou recebido indevidamente por outra pessoa.

No caso de pagamentos indevidos do benefício emergencial ou realizados em duplicidade por informações falsas, os responsáveis deverão ressarcir os valores recebidos indevidamente ao Poder Público.

*Texto alterado às 21h53 para corrigir os nomes das deputadas.