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A era Vargas do PT

Folha de São Paulo

Não foi por suspeita de corrupção que o ex-petista paranaense André Vargas teve seu mandato cassado na última quarta-feira. Se aplicada para valer, essa alegação praticamente esvaziaria o Congresso. Ele foi punido por soberba.

Vargas, quando vice-presidente da Câmara, ergueu os punhos cerrados diante do então presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, para afrontá-lo. A condução truculenta e coercitiva de Barbosa no caso do mensalão ainda será devidamente analisada pelo país, mas o gesto de Vargas foi uma calhordice institucional.

O agora ex-deputado encarna uma das marcas negativas dos 12 anos de governo do PT: o orgulho do erro. Com exceção de Lula em 2005 –em ato que se esvaziou com a reincidência de malfeitos–, nenhum líder do partido até hoje pediu desculpas por nada.

Nem o mais leviano tucano ousaria dizer que Dilma Rousseff se beneficiou pessoalmente dos desvios da Petrobras. Mas ela representa o Estado brasileiro. E, mesmo fazendo todas as ressalvas (a investigação ainda está em curso; o esquema desmontado não é recente, mas de décadas), já está na hora de se iniciar um rito de contrição.

É preciso guardar as enormes diferenças entre os assuntos, pois só gente da laia de um Bolsonaro é capaz de nivelar desvios de dinheiro com torturas de seres humanos, mas as Forças Armadas perpetuam seus crimes ao não pedir desculpas pelo que fizeram na ditadura. O Estado brasileiro, então sequestrado pelos militares, transformou-se numa máquina de torturar e matar, e isso é imperdoável. Ainda assim, é necessário pedir perdão.

O punho cerrado e erguido ilustra belos momentos da história, como o da luta dos Panteras Negras contra o racismo nos EUA. Não convém misturá-lo com práticas que recomendam vergonha, não orgulho.

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