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Em quem não voto

23 de abril de 2012
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Da coluna do Rogério Bonato/Gazeta do Iguaçu

E começou a temporada de tapinhas nas costas. Pessoas que são vítimas de alguma artrite ou reumatismo que se cuidem, os políticos andam exagerando um pouco nos afagos.

Eu mesmo voltei para casa, no sábado, com o ombro doído da série acalorada de safanões, abraços e outras manifestações, aquelas em que um pensa que está agradando e o outro sabe que é pura falsidade.Não fossem tapinhas, há quem arrisque beijinhos no rosto. Oras, deem um tempo, beijo só de pai, e olha lá! Beijo de marmanjo, ainda barbado, no sábado de manhã, ninguém merece. Imagina?

Eu tenho algumas prerrogativas para o processo de “eliminação” da minha lista de prováveis candidatos. Acabei de incorporar a “pegação”, ela é insuportável. Minha relação não é lá muito longa, mas muita gente há de concordar.

Vamos conferir: Elimino da possibilidade de levar o meu voto, políticos que telefonam fora de hora, por exemplo, no sábado, após a feijoada. Não sei o que é pior, o telefonema ou a possibilidade de uma congestão.

O pior é que ligam para nada de útil, por exemplo, perguntando como vão os meus pais, quando boa parte nunca ouviu falar, não conhece e nem mesmo sabe se estão vivos. Num desses telefonemas, não faz muito tempo, alguém disse que visitaria o meu pai na oportunidade em que fosse para São Paulo. Só se for ao cemitério – quase dei o endereço.

Outra situação é aquela em que o telefone chama, você sai correndo de onde está, da piscina, banheiro, cocheira, fogão, tanque de lavar roupa, jardim e, ao atender, é o serviço de telemarketing de algum político.

Francamente, prefiro telemarketing do banco, ao de um candidato! O serviço, em geral, é usado para felicitações em datas especiais como o Dia das Mães (mesmo se no caso, você for o pai), Páscoa e celebrações cristãs, portanto, não sabem identificar protestantes, luteranos, muçulmanos, evangélicos e judeus.

As empresas que oferecem os pacotes enviam a mesma mensagem para todas as pessoas, sendo assim, não se trata de um tratamento pessoal e sim coletivo.

Estranho também é receber o telefonema de um político no dia de seu aniversário, sobretudo, quando ele nunca trocou absolutamente uma palavra com você o ano todo. A gente agradece, mesmo estranhando.E presentes de políticos?

Alguém já recebeu? Os primeiros da lista são as garrafas de cachaça; em segundo os vinhos e em terceiro os licores, ou seja, nos tomam por bêbados. Em certa ocasião, ganhei a garrafa de uma bebida chamada “Amarula”, algo que nunca provei e que segundo um amigo, é a bebida preferida das prostitutas. Como não frequento casas de moças versadas no ofício, não sei.

E a visita de políticos? Respeito crenças e profissões, portanto, prefiro incondicionalmente atender as missionárias crentes aos domingos pela manhã, do que um candidato. Francamente, um vendedor de rede é menos pedante.

É que os políticos nunca andam sozinhos; eles arrastam uma corja de cabos eleitorais, puxa-sacos, palpiteiros e gente que será virtualmente empregada nos gabinetes e com o nosso dinheiro. Todos se espalham pela nossa casa como se fossem amigos de longa data, íntimos; abrem até a geladeira, se acomodam na sala, usam o banheiro, gastam papel higiênico e brincam com o cachorro. Alguém já levou mordida lá em casa.

E aparecem nos horários mais inconvenientes possíveis; quando estamos trabalhando, preparando o almoço ou jantar; ou num raro momento de relaxamento, daqueles que não queremos ouvir nem o bem-te-vi, quanto mais “matracatrica”.

Também não voto em político que fica com medo de fazer a visita pelo fato de não querer se mostrar e manda um cabo eleitoral em seu lugar.

Não sei o que é pior: se atendo, fico atordoado com o festival de asneiras, despreparo, mentiras e tudo o mais que nos cansa. Se não atendo, no dia seguinte, meu jardim terá petúnias, margaridas, orquídeas e estará infestado de santinhos dos mais diversos, com figuras das mais ridículas.

Mas o que vamos fazer, afinal? É a festa democrática e haja temperamento para lidar com ela. O bom é que depois deste texto duvido o vivente que resolva incorrer em alguns dos artifícios acima.

Olha que eu ainda deixei de lado várias outras situações, como a caixa postal, a dos Correios e a do computador. É uma pena saber que derrubam árvores para fazer o papel que vira propaganda política. Que façam pelo menos um favor à natureza.

 

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