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Ameaça de greve dos caminhoneiros leva Petrobrás a mudar política de preços

27 de março de 2019
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Representantes do setor vem se reunindo com governo e organizam carreata para dia 30

Em meio a uma nova onda de insatisfação dos caminhoneiros, a Petrobras anunciou nesta terça-feira (26) mudanças em sua política de preços para o diesel e o lançamento de um cartão para compras do combustível a preço fixo em postos BR.

As medidas, porém, desagradaram os transportadores autônomos, que planejam para o próximo sábado (30) uma carreata para pressionar o governo. Além do preço do diesel, eles reclamam de não cumprimento da tabela de fretes mínimos.

A categoria se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na sexta-feira (15) para apresentar suas reivindicações. Durante o último fim de semana, houve fortes rumores de que uma paralisação seria iniciada.

A mudança na política de preços do diesel foi aprovada pela diretoria da Petrobras na segunda (25). A partir de agora, os reajustes respeitarão um prazo mínimo de 15 dias. A estatal disse que o objetivo é “conferir aos clientes maior previsibilidade à trajetória de preços”.

Diferentemente de ocasiões anteriores, quando convocava entrevistas coletivas para detalhar mudanças em sua política de preços, a divulgação foi feita por notas oficiais.

É a terceira mudança desde que a política de preços foi estabelecida, em 2016. Em 2017, a estatal adotou ajustes diários, estratégia que foi criticada até por aliados do governo quando os preços dispararam no primeiro semestre de 2018.

Em janeiro, após o fim do programa de subvenção ao preço do diesel, a estatal decidiu segurar reajustes por prazos maiores —como já vinha fazendo com a gasolina desde outubro de 2018— adotando um instrumento de proteção financeira para evitar perdas.

Ainda assim, com a escalada dos preços internacionais do petróleo, o preço do diesel nas refinarias já subiu 18,5% em 2019, na comparação com o último valor de 2018. Nas bombas, a alta é menor, de 2,5%, mas o suficiente para alimentar a insatisfação.

“Sabemos que uma das principais reclamações do brasileiro é o preço dos combustíveis e temos conversado com os ministérios responsáveis para absorver tal demanda e até poder diversificar”, disse, há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Na sexta, a categoria pediu ao governo um mecanismo para segurar os aumentos e mais fiscalização para o cumprimento da tabela de frete.

Nesta terça, o presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), Diumar Bueno, criticou a decisão da Petrobras. Em nota, ele disse que o adequado seria implementar uma política de reajustes mensais. E voltou a cobrar a fiscalização sobre o frete.

Segundo a CNTA, o movimento previsto para o próximo sábado não tem finalidade grevista. “Trata-se de uma carreata com o intuito de chamar a atenção do governo para algumas insatisfações da categoria”, afirmou a entidade.

“A mudança na política do diesel] é legal, mas não resolve 100%”, avalia Wallace Costa da Silva, conhecido como Chorão, liderança dos caminhoneiros no Centro-Oeste.

Bueno acrescentou que o Cartão Caminhoneiro anunciado pela Petrobras é ilusório por não garantir desconto aos caminhoneiros. O projeto será lançado em 90 dias, segundo a estatal.

A ideia é permitir que o caminhoneiro compre o combustível ao preço de determinado dia e possa abastecer ao longo do tempo, sem gastar mais em caso de alta. A estatal alega que o cartão funciona como uma proteção à volatilidade dos preços.

Em nota, a Petrobras disse que a mudança concilia seus interesses com os do consumidor, ao manter o princípio de paridade com preços internacionais e reduzir os repasses da volatilidade de curto prazo.

A mudança foi elogiada pela Fecombustíveis (federação que reúne os donos de postos). “A medida atende reivindicação antiga de vários setores, principalmente os caminhoneiros”, disse o presidente da entidade, Paulo Miranda.

link da notícia
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/03/em-meio-a-queixa-de-caminhoneiros-petrobras-muda-reajuste-do-diesel.shtml

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