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Despachantes e servidores públicos do PR são presos por fraudar transferências

Operação Clone
Despachantes e servidores públicos do PR são presos por fraudar transferências

Esquema usava "laranjas" como proprietários de veículos que eram usados no transporte de drogas e mercadorias contrabandeadas. Oito pessoas foram detidas

Célio Yano

Policiais federais de várias delegacias do estado prenderam oito pessoas em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, na manhã desta quinta-feira (19), durante a Operação Clone, que pretende desmantelar uma quadrilha de falsificação de documentos de caminhões utilizados no transporte de drogas e mercadorias contrabandeadas. Entre os presos, estão dois funcionários da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Marechal Cândido Rondon e dois despachantes. Foram cumpridos ainda 18 mandados de busca e apreensão, com os quais foram apreendidos 12 veículos. A operação continua até o final desta tarde.

A ação foi deflagrada a partir de investigações iniciadas há cerca de um ano pela Delegacia de Polícia Federal (PF) em Cascavel, no Oeste do estado, que identificaram um grande esquema de transferência ilegal de caminhões para nome de “laranjas”, do qual participavam despachantes e servidores públicos. Com a transferência, os veículos eram utilizados para fins ilícitos, como o transporte de drogas e mercadorias contrabandeadas. Ainda não se sabe se os caminhões e carretas eram roubados. O objetivo da fraude era encobrir os verdadeiros proprietários dos veículos, para que não fossem responsabilizados criminalmente pelas atividades.

O grupo atuava na região Oeste do Paraná, principalmente na cidade de Marechal Cândido Rondon, com ramificações em Toledo, Mercedes, Quatro Pontes, Cascavel e Pato Bragado. Servidores da Ciretran de Marechal Cândido Rondon recebiam valores para realizar a confecção dos documentos falsos.

Durante as investigações foram identificados 14 “laranjas” que tiveram registrados em seus nomes aproximadamente 62 caminhões e carretas. Algumas destas pessoas foram localizadas pela PF e declararam que seus documentos foram furtados na cidade de São Paulo e que não possuíam quaisquer veículos nestas condições.

A fraude, segundo a PF, começava com despachantes, que se encarregavam de captar clientes interessados no “negócio”. Após o acerto dos valores, que variavam entre R$ 200 e R$ 1 mil, os despachantes entravam em contato com servidores públicos do Ciretran, que passavam os documentos e informações necessárias para a transferência. Os funcionários públicos são suspeitos de falsificar as assinaturas dos “laranjas”, utilizar carimbos e selos cartorários falsos (para reconhecimento de firmas das assinaturas) e transferir os veículos. A PF támbém descobriu que os funcionários públicos “isentavam” indevidamente os veículos de multas e impostos, apagando-os dos sistemas do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR).

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