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Democracia também é contestar de outras formas e maneiras, diz Abrabar

A poucos dias das eleições de 7 de outubro, a população está exercitando seu direito de democracia, mesmo antes de ir às urnas. “É importante observar que quase 35% dos eleitores cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 51 milhões de pessoas, não estão nem aí para a campanha eleitoral e os candidatos”, ressaltou Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar).

Nas pesquisas eleitorais divulgadas até agora, esta parcela considerável da população tem afirmado que vai votar em branco, anular o voto ou mesmo se abster. “Esta atitude é resultado principalmente pela forma de dizer não aos candidatos que postulam os cargos e ao voto obrigatório”, afirmou Aguayo, ao comentar o mais recente levantamento do Ibope, divulgado na noite de segunda-feira (24).

“São cidadãos que estão imunes às discussões, polarização e longe de conversa fiada, conversão forçada ou manipulada, afirmou o presidente da Abrabar. Que ressaltou: “Democracia também é contestar de outras formas e maneiras, não entrando nos votos válidos, dizendo não a todos e a tudo, principalmente contra o sistema”.

Exemplos
Em Curitiba, na última eleição, 32,7% dos eleitores aptos a votar no segundo turno, não escolheram nenhum dos candidatos. O percentual foi maior do que o registrado no primeiro turno, quando abstenções, votos brancos e nulos somaram 27,9%.

Em junho deste ano, em eleição extra em Tocantins, quase metade dos eleitores não quis escolher o governador do Estado, em um mandato tampão. “Estes exemplos recentes mostram que não estamos longe de uma eleição em que um terço da população não queira ninguém e nem o sistema atual”, disse.

“O grande desafios dos candidatos é convencer os eleitores a irem às urnas, mas para votar neles, e não protestar”, analisou Aguayo. Que completou: “Portanto, por essas e outras é importante converter os descrentes”.

A força das abstenções
O presidente Abrabar destaca uma declaração de Lúcio Rennó, da UnB, sobre a abstenção, que chegou a quase 30% nas últimas eleições, pode ser um fator decisivo.

“Ela ocorre principalmente em estados com a renda média familiar per capita baixa. Isso tem correlação alta de voto nos estados com o PT. Esse é outro elemento que nenhuma pesquisa está captando e que numa eleição tão apertada pode dar surpresa na hora da apuração. É difícil prever a abstenção. E não é trivial o efeito. Se sobe mais, com 35% dos votos totais um candidato pode se eleger no 1º turno”, disse Rennó, em entrevista à Mirian Leitão.

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