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Contrabandistas de cigarros podem migrar para o tráfico de drogas, teme PF

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou entre os dias 20 e 22 de março três apreensões de quase 500 quilos de maconha. No dia 20, os agentes prenderam um homem que levava uma carga de 259 quilos da droga na altura de Mandaguari, no norte do Paraná. A mercadoria ilícita vinha de Guaíra com destino a Londrina (PR). Um dia depois, foi interceptada uma carga de 100 quilos dentro de um Celta, na mesma cidade. No dia seguinte, dois homens foram flagrados transportando 131 quilos de maconha em um caminhão baú em Cascavel, no interior do Mato Grosso do Sul. Eles partiram de Foz do Iguaçu (PR) e tinham como destino São Paulo.

As apreensões chamaram atenção pelo volume e despertaram uma suspeita preocupante relacionada a uma possível mudança de tática dos bandidos. Mesmo com as fronteiras fechadas por causa da pandemia de coronavírus, o crime organizado continua a todo vapor na região do Brasil que faz fronteira com o Paraguai. Uma das novas preocupações da Polícia Federal é que, com o fechamento das “tabacaleras”, as fábricas de cigarro paraguaias, os contrabandistas comecem a migrar para o tráfico da maconha, cuja produção costuma ocorrer no primeiro semestre do ano. “Continuamos trabalhando normal, mesmo com o coronavírus. E estamos em alerta agora porque temos a impressão que, com as fábricas fechadas de cigarro, as quadrilhas podem tentar entrar com a maconha”, disse o delegado Julio Fujiki, da PF de Guaíra, que fica ao lado de Salto de Guairá, no Paraguai.

Apesar das recentes ocorrências com maconha, o contrabando de cigarro continua na ativa. No último sábado, dia 21, a PF interceptou uma remessa de 2.200 caixas do produto paraguaio nas margens do Rio Paraná. Foram apreendidas uma embarcação, quatro caminhões e dois carros – as quadrilhas usam a lancha para atravessar a mercadoria pelo rio, atracam-na em portos clandestinos, onde carregam os caminhões, que vão aos grandes centros urbanos do país. “Pela quantidade interceptada de uma vez só, eles devem ter pensado que paralisamos os trabalhos por causa do coronavírus”, comenta o delegado Fujiki.

Segundo ele, as equipe da PF permanecem em ação, junto com as polícias estaduais, a Força Nacional e o Exército, monitorando as vias de acesso ao Paraguai, tanto por terra como pela água. O Rio Paraná, por exemplo, é monitorado desde julho do ano passado no âmbito da Operação Hórus, que aumentou significativamente o número de apreensões de cigarro e maconha na região.

Enquanto os criminosos se aventuram pelas rotas clandestinas, as oficiais que conectam o Brasil ao Paraguai se encontram bloqueadas desde a semana passada como medida para conter o contágio da Covid-19. Apesar de não ter registrado ainda nenhuma morte, o país vizinho vem tomando medidas mais rígidas do que o Brasil, como toque de recolher à noite e o veto ao fluxo de paraguaios e residentes nas divisas.

Na região da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, agentes da Receita Federal perceberam uma leve queda na movimentação das quadrilhas. “Parece que eles não têm medo das forças de segurança pública, mas têm do vírus. Vamos ver se isso continua nas próximas semanas”, comenta um agente da Receita que não quis se identificar.

Nos portos brasileiros, a movimentação de droga, principalmente de cocaína, também não parou. Nesta terça-feira, dia 23, os agentes da PF e Receita encontraram 240 quilos de pasta base escondida no meio de uma carga de 10 toneladas de papel em dois conteineres no Porto de Paranaguá – na quinta-feira passada, 19, foi achado mais 760 quilos.

“Apesar das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, as limitações de trânsito de pessoas nas fronteiras e a paralisação parcial de atendimento na esfera administrativa da Polícia Federal, as investigações e a repressão ao tráfico de drogas e ao crime organizado não param”, informou a PF, em nota.


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