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A conquista dos juros

20 de março de 2018
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A conquista dos juros

Se confirmadas as expectativas, redução levará os juros básicos à nova mínima histórica

Editorial, Folha de S. Paulo

A julgar pelas últimas manifestações de seus dirigentes sobre o bom comportamento da inflação, o Banco Central deve cortar mais uma vez sua taxa, a Selic, na reunião desta quarta-feira (21).

Se confirmadas as expectativas mais consensuais, uma redução de 0,25 ponto percentual levará os juros básicos do país a 6,5% anuais, nova mínima histórica. É um avanço substancial diante do quadro de outubro de 2016, quando a Selic estava em 14,25%.

A questão mais relevante daqui para frente é por quanto tempo ela poderá ficar em patamar menos distante do observado no restante do mundo —considerando-se satisfatória a atual taxa entre 2% e 3% acima da inflação esperada.

O histórico desde o Plano Real não se mostra alentador: até aqui, os juros têm voltado a subir cerca de seis meses depois de atingido alguma recorde de baixa.

Desta vez, entretanto, a situação parece diferente. Raramente houve alinhamento de fatores tão propício, pelo menos em teoria, à estabilidade da política monetária.

De mais importante, há a interrupção da trajetória de aumento dos gastos federais, que se mantinha em ritmo acelerado até 2016. Com o teto inscrito na Constituição para as despesas, a perspectiva agora é de ajuste orçamentário gradual, embora tudo dependa de uma reforma da Previdência.

Sem o governo a inflar a demanda doméstica com dispêndios e crédito dos bancos estatais, as pressões inflacionárias são menores —ainda mais em uma conjuntura de desemprego ainda elevado e grande ociosidade nas fábricas.

Não surpreende, pois, a vagareza dos índices de preços. Em 12 meses, a variação do IPCA (referência para a política do BC) permanece abaixo dos 3%, piso estabelecido na legislação —a meta para o ano é de 4,5%.

Há riscos, decerto. O principal é de uma recaída na irresponsabilidade orçamentária. Basta que a campanha eleitoral fomente tal percepção, aliás, para que a credibilidade das finanças públicas se veja novamente sob ameaça.

No campo externo, a incerteza vem dos EUA, cuja economia americana já opera perto da plena capacidade e ainda receberá estímulos com cortes de impostos recém-aprovados pelo Congresso. É plausível, assim, que os juros americanos subam mais rapidamente, com repercussões em todos os mercados —incluindo o brasileiro.

De todo modo, a conquista de taxas civilizadas está mais do que nunca ao nosso alcance, a depender de perseverança nos ajustes a duras penas postos em prática.

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