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Confiança do consumidor retrocede aos tempos da crise financeira, diz FGV

2401consumo

do Estadão

O consumidor brasileiro está preocupado com o ritmo de altas dos preços e da taxa básica Selic, além da evolução no mercado de trabalho, aponta estudo publicado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo a economista Viviane Seda, coordenadora da pesquisa, essa insegurança tem sido um fator de peso para a deterioração da confiança, que retrocedeu a patamares de julho de 2009, mais próximo à crise financeira.

A expectativa de obter um emprego sofreu uma drástica mudança de maré após as manifestações de junho. “Depois das manifestações, o consumidor se mostrou ainda mais insatisfeito com o mercado de trabalho”, disse Viviane.

“Isso tem a ver com o medo de não acontecer a mesma evolução do mercado de trabalho que ocorreu nos últimos anos. Ele já vê desaceleração na contratação de mão de obra, então a expectativa futura está mais pessimista”, explica Viviane. Em janeiro, a avaliação sobre o emprego atual subiu 0,3% sobre dezembro, enquanto o indicador futuro caiu 0,7% na mesma comparação. Os resultados são considerados estáveis, mas a tendência é de queda, afirma a economista.

Inflação e juros

A expectativa dos consumidores para a inflação mostrou arrefecimento na passagem do mês. A projeção, que era de alta de 7,0% em dezembro, recuou para 6,8% em janeiro (taxa em 12 meses). Nos dados do relatório Focus, compilados pela FGV, as expectativas saíram de 6,2% para 6,1%. Segundo Viviane, a percepção das famílias segue a tendência da análise dos especialistas, ainda que esteja sempre em patamares superiores.

“Existem estudos que provam que as expectativas dos consumidores estão sistematicamente acima dos especialistas, mas a tendência é a mesma”, explica Viviane. “Normalmente, o consumidor vai usar os preços com que ele lida no dia a dia, a inflação particular dele. Então, a inflação pessoal do consumidor acaba sendo um pouco mais elevada do que a média”, acrescenta.

A perspectiva para a taxa de juros também está em linha com o que diz grande parte do mercado: de que o ciclo de alta da Selic terminará em breve. Com isso, o indicador que mede a expectativas dos consumidores para os juros nos próximos meses teve alta de 5,5%. “Diminuiu a parcela dos que acreditam que os juros vão subir, que é o que os próprios analistas estão sugerindo”, destaca a economista. Na sondagem de janeiro, 63,7% dos consumidores apostaram em nova alta de juros, contra 66,3% em dezembro.

“Não há uma grande mudança no cenário econômico que sugerisse que o Banco Central poderia diminuir o ritmo de alta de juros, mas essa expectativa parece estar sendo absorvida pelos consumidores”, diz Viviane.