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Como ficaram as promessas?

Administração municipal
Como ficaram as promessas?

Beto Richa não cumpriu 24% dos compromissos da campanha de 2004. 40% foram realizados integralmente e 36%, parcialmente

Rosana Félix

Em três anos e meio de governo, o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), cumpriu 71 das 177 promessas que fez durante a campanha de 2004. Outros 63 dos compromissos foram cumpridos parcialmente e 43 itens não foram executados, de acordo com levantamento feito pela Gazeta do Povo. Foram consideradas apenas as promessas feitas durante os meses da disputa eleitoral e que foram publicadas pelo jornal em 1.º de novembro de 2004, depois que Richa sagrou-se vencedor, no segundo turno das eleições.

Para chegar a esses números, a reportagem fez diversas entrevistas com representantes de várias entidades e consultou relatórios de gestão do governo municipal, arquivos de jornais e a assessoria da campanha de Beto Richa. Para a Prefeitura de Curitiba, o índice de execução das promessas é maior.

Balanço do cumprimento de promessasNesses últimos anos, a cidade cresceu, e com ela seus problemas, principalmente os de trânsito. Das nove promessas feitas por Richa em 2004 para solucionar o problema dos congestionamentos, apenas três podem ser consideradas como cumpridas. Um entrave para executar as promessas foi a dificuldade para obter financiamentos com organismos internacionais. Além disso, o prefeito se viu envolvido em desavenças com o governador Roberto Requião (PMDB), que motivaram o fim do repasse de verbas do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU) à Prefeitura de Curitiba e, conseqüentemente, atrasos em obras viárias. Também não ocorreu a tão esperada expansão do transporte público, que, além de prejudicar o trânsito de Curitiba, dificulta a integração com os municípios da região metropolitana.

O prefeito obteve um bom índice de execução nos compromissos firmados referentes a ação social e educação e creches. “Priorizamos a educação, a saúde e a ação social, além da moradia popular, mas isso não representou prejuízos para o esporte, o lazer e a cultura”, disse o prefeito, por meio da assessoria de imprensa.

Para a maior parte dos eleitores curitibanos, as promessas não cumpridas por Beto Richa não parecem fazer falta. De acordo com pesquisa do Datafolha do final de julho, o candidato à reeleição tem 72% das intenções de voto. “O eleitor, para definir seu voto, enfoca o seu bairro e as coisas que o afetam particularmente. Ele não costuma ter uma visão geral do quadro”, observa o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB), Davi Fleischer.

Para o professor de ciência política Nelson Rosário de Souza, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as promessas fazem parte do jogo político-eleitoral. “O candidato, para angariar votos, tenta desconstruir a imagem do seu oponente, aliando-o a um futuro catastrófico, ao mesmo tempo em que diz que, caso seja eleito, o futuro será ótimo. A construção dessa imagem passa por fazer promessas.”

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